Velho, eu?

Os astros nos definem no envelhecer?

22/11/2025 Ivani Cardoso
Arquivo Pessoal

Quando fiz entrevista com o astrólogo Cid Marcus Vasques, há muitos anos, para mim um dos melhores, ele explicou que a astrologia inclina, não determina. Ela não define destinos, mas pode sugerir tendências, caminhos e orientações. Eu gosto muito do tema, anualmente faço meus trânsitos e me sinto mais preparada para enfrentar os desafios que vêm dos astros.

Pensando na coluna, fiquei curiosa e perguntei para o querido amigo e astrólogo George Jorge se nosso mapa astral de nascimento sofre mudanças com o envelhecimento, ativando outras áreas em momentos diferentes da vida.

Ele explica que o mapa não se altera, mas evolui conforme o indivíduo, o ambiente que convive e suas buscas. “Nele, estão inseridos todos os dados de sua vida: pessoal, financeiro, familiar, sentimental, vocacional, cármico, entre outros. Podemos transformar certos aspectos de nossa vida, pois temos o livre-arbítrio para fazer novas escolhas, porém alguns fatores são imutáveis. É justamente esse o motivo que muitos procuram o mapa astrológico, para entender sua jornada aqui na Terra, quais pontos poderão ser alterados, até porque nossa ancestralidade conta muito. Ultimamente, muitos estão buscando conhecer o seu propósito de vida, sua missão”.

No envelhecer, uma das vantagens da Astrologia é ajudar a descobrir nossos talentos, como ele explica com exemplos: “Certa vez, eu atendi a uma senhora de aproximadamente 70 anos e disse a ela que seu mapa indicava uma grande habilidade manual artística, entre outras coisas. Ela contestou, comentando que já estava aposentada há muitos anos e que nunca havia tido contato com a arte. O interessante é que ela foi procurar o mapa justamente para saber sobre suas habilidades, pois estava com tempo livre. Passaram-se alguns anos e, além de marcar nova consulta, me enviou um convite para exposição de seus trabalhos em cerâmica”.

Em outro caso, o mapa revelou a possibilidade de estudar idiomas também para uma pessoa com mais de 70 anos. “Meses depois ela confirmou que tinha ingressado numa escola de línguas, pois desde pequena teve uma vida financeira difícil e até então não tinha conseguido realizar o sonho de estudar francês, agora alcançado”.

Para George, quando os dados do nascimento estão corretos, a Astrologia pode apontar caminhos não trilhados, potenciais deixados de lado e que podem ser resgatados a qualquer tempo. “Tudo o que você aprende até o final de sua vida terá finalidade. O autoconhecimento e a tomada de consciência podem levar a mudanças de atitudes muito positivas no envelhecer”.

É comum a ideia de que depois dos 40 anos o ascendente fica mais importante que o sol, mas ele desmente: “Esse assunto surgiu nos anos 90, numa publicação de um magazine da época, em que um astrólogo desinformado afirmou isso. O signo e a localização do Sol num mapa astrológico mostram o propósito de nossa vida, que poderá ser desenvolvido ou não, pois é possível encontrar dificuldades, restrições, bloqueios e inseguranças e isso levar anos para ser resolvido, ou nunca encontrado. Já o ascendente é o signo que apontava na linha do horizonte no instante do nascimento e ele representa a personalidade, a entrada para a vida, a aparência, nosso corpo físico, portanto suas características nos definem desde o nascimento”.

Para quem é muito ligado à juventude e à estética, a passagem do tempo pode ser muito sofrida e deve ser valorizada e não temida, como sugere George: “Vênus é o astro no mapa feminino ou masculino que representa a autoestima, o cuidado que temos com nós mesmos. No mapa de uma mulher, como age como mulher; para um homem, o tipo de mulher que o atrai. Mas é possível entender como aceitação de uma vida bem vivida ou não, pois cada pessoa tem a Vênus num signo que nem sempre é o de nascimento, mas ela expressa o poder de atração, os valores pessoais e a sensualidade. “Portanto, se você não se valoriza, não melhora suas condições pessoais, não dá atenção a si próprio, irá envelhecer mal e sua Vênus acabará esquecida e abandonada.”

A curiosidade das pessoas mais velhas quando buscam o mapa astral, geralmente está ligada a questões de saúde e ao propósito de vida, além das dicas sobre atividades que podem suavizar essa fase. Na verdade, com ou sem o auxílio dos astros, o que sabemos é o quanto é importante não se acomodar, ter amigos e descobrir o que pode fazer bem. Talvez, até um curso de Astrologia, quem sabe?