
O projeto Capoeira Escola completa seus 30 anos de luta contra o preconceito neste 2025. Nascido na mente de Márcio Rodrigues dos Santos, o Mestre Márcio, a iniciativa se tornou sinônimo de inclusão social, promoção da saúde e reorganização neurofuncional por meio da capoeira.
Atualmente, o Capoeira Escola atende mais de mil participantes, em 30 instituições na região, entre crianças a partir de 2 anos, jovens, adultos e idosos, incluindo pessoas com deficiência física, intelectual e em situação de vulnerabilidade social. “São 30 anos de momentos muito especiais que vão desde ver uma criança que nunca praticou capoeira e começou a gostar, uma pessoa que sempre foi segregada na sociedade por sua deficiência e não tinha ambiente social, e aí, por meio da capoeira, conquista seu lugar até grandes eventos como uma apresentação que a gente fez no Guarujá com a Ivete Sangalo. Cerca de 12 mil pessoas assistiram a gente. Na ocasião, levamos pessoas com síndrome de Down para se apresentar e foi maravilhoso”, conta o mestre. “Esse ano, em especial, também ficará marcado porque meu filho se torna contramestre de capoeira e deve ser meu sucessor no projeto”, completa.

Márcio desenvolveu a metodologia “Capoeira para Todos” ao longo dos anos, partindo do princípio de que a capoeira é uma prática integradora e terapêutica, capaz de promover o desenvolvimento motor, cognitivo, emocional e social. Desta forma, combinando os elementos tradicionais da capoeira com técnicas de reabilitação motora, musicalidade e expressividade corporal, favorece-se a formação integral do indivíduo. “A gente leva muito a sério o planejamento das aulas, tanto que todo o nosso corpo docente, além da graduação na capoeira, eles têm a graduação em educação física, em outros cursos, e também recebem a capacitação capoeira para todos”, afirma. “Nós realizamos treinamentos semanais e todo mês a gente faz uma reunião pedagógica. E, nessa reunião pedagógica, apontamos os pontos positivos, negativos e os próximos eventos que a gente vai organizar”.
O aniversário do projeto conta com uma extensa programação. Disponível abaixo.
Vida nova
O Capoeira Escola é responsável pela mudança na vida de diversos praticantes de capoeira. Um belo exemplo é Maria Célia da Silva, de 74 anos, que está no projeto há 14 anos. Portadora de deficiência resultante de sequelas da poliomielite, ela encontrou na iniciativa uma maneira de superar o preconceito. “Eu sempre gostei de capoeira. A minha sobrinha fazia capoeira e eu sempre admirei a capoeira. E uma oportunidade, eu estava no Sesc, em uma apresentação de capoeira do Mestre Parada. Eu perguntei a ele se eu podia fazer capoeira por causa da minha deficiência. Ele disse: ‘Ó, se você souber bater palma, você está dentro da capoeira’. Aí eu fiquei lisonjeada e procurei o Márcio por indicação”, relembra. “Logo no primeiro dia, quando cheguei apenas para conhecer, ele já me disse: ‘Você vai começar agora’. Tenho minhas limitações na capoeira, mas a capoeira tem a música, tem o canto que eu amo cantar, amo fazer parte da bateria”, completa.
Maria Célia é formada em administração e foi impedida de cursar educação física graças à discriminação. “Por conta da minha deficiência, eu tentei fazer faculdade de educação física, mas na minha época, a pessoa com deficiência não tinha essa oportunidade. Eu fui banida da faculdade por conta da deficiência. Por isso, no meu primeiro dia, eu fiquei toda inibida achando que ia ganhar um não também, mas o Márcio me acolheu maravilhosamente bem”, afirma. “Eu amo a capoeira. O projeto serve como uma fisioterapia para mim. São 30 anos de um projeto que é uma beleza, que engloba pessoas com deficiência, idosos e crianças. Eu amo”.
Em família
Com a capoeira no sangue, Bruno dos Santos já se prepara para seguir a ginga do pai na luta. Formado em educação física e professor de capoeira, aos 24 anos, ele está prestes a se tornar contramestre de capoeira. “Na verdade, eu participo do projeto desde a barriga da minha mãe. O mestre é meu pai. Então eu brinco que eu pratico capoeira desde essa época”, diz. “O projeto me mudou como pessoa. E isso foi muito importante para mim, que hoje eu sei lidar com pessoas com deficiência, com pessoas com vulnerabilidade social, idosos, jovens, adultos, crianças. O projeto me deu grandes conhecimentos, fez com que eu buscasse formação acadêmica, me especializasse em outras áreas e é onde eu trabalho para poder seguir o legado do mestre”, conclui.

CONFIRA A PROGRAMAÇÃO DE ANIVERSÁRIO DO PROJETO:
08/11(sáb) 8h30: UNISANTA(quadrinha) Encontro Nacional – Workshops 9h: Mestra Brisa(BA) 10h: Mestre Jean(BA) 11h:Mestre Gladson(SP) 12h30: Intervalo p/ Almoço 14h: Prof. Aline(RJ) 15h: Mestre Vinícius(RJ) 16h: Mestre Ferradura(RJ)
09/11(dom) 10h: SESC Santos
Entrega de Graduação Formatura Equipe Capoeira Escola
Homenagem da Deputada Estadual Solange Freitas
10/11(seg) 8h: UNIMES/APAE Santos Encontro Nacional – Palestra/Dinâmica Mestre Cassio e Mestre Marcio; 17h30: Escola Henrique Oswald C.Mestre Marco/Prof. Léo; 19h15: Câmara M. de São Vicente Homenagem do Vereador Fernando Paulino Documentário: Capoeira Cidadã SV
11/11(ter) 8h30: UNISANTA Semana da Educação Física Mestre Márcio – Vice-Prefeita Audrey Kleys, Prof.Me. Lu Pierry 14h: Vila Criativa Vila Nova/GALP/Abase Capoeira Adaptada – Mestre Márcio
19h: Teatro Municipal Brás Cubas
Espetáculo: 30 Anos Capoeira Escola, da invisibilidade à inclusão
Homenagem do vereador Paulo Miyashiro
12/11(qua) 8h: TCCs UNISANTA
15h: Escola Ed. Infantil Ipê Contra-Mestre Bruno
19h: UNISANTA (quadrinha) Workshop com Mestre Parada
13/11(qui) 10h – Anillis Embaré(ong) Monitor Marcos
14h: Instituto Arte no Dique Mestre Márcio 19h: SESC Santos Aula Aberta-Aula dos Famosos Prof.ª Vanessa e Mestre Márcio
14/11(sex) 9h30: CRPI -Guarujá Mestre Márcio, Mestre Sombrinha
19h: UNAERP Campus Guarujá Capoeira na Psicologia do Esporte
21h30: Quintal do Valongo Confraternização e Aniversário Mestre Márcio Capoeira Escola


Deixe um comentário