Cena

Cineasta santista promove imersão gratuita no audiovisual

06/11/2025 Isabela Marangoni
Arquivo pessoal

Para celebrar os 130 anos do cinema e seus 30 anos de carreira, o jornalista e cineasta Eduardo Ricci preparou uma programação especial no Cineclube Lanterna Mágica, da Universidade Santa Cecília (Unisanta). Nos dias 11 e 12 de novembro, a partir das 15 horas, o espaço recebe duas iniciativas independentes e complementares que celebram o cinema como arte, mercado e experiência coletiva: a ação cultural Cinema ao Cubo e a 2ª Mostra Audiovisual Mercosul. A entrada é gratuita e a participação por ordem de chegada.

Os eventos fortalecem a cena audiovisual da Baixada Santista e convidam público, estudantes e profissionais a vivenciar o cinema em múltiplas dimensões. “O Cinema ao Cubo tem essa proposta de trabalhar o cinema em interação com o jogo, a narrativa e o fazer cinematográfico. A Mostra do Mercosul entrou como uma expansão natural, para mostrar o que está sendo feito na região, no Brasil e na América Latina”, explica Eduardo.

Cinema como experiência viva

A segunda edição do Cinema ao Cubo acontece em 11 de novembro, a partir das 15 horas, com uma proposta de imersão no cinema como linguagem, prática e espaço de convivência criativa. Inspirado no conceito japonês de Yutori — que valoriza pausas conscientes para ampliar a percepção —, o encontro combina jogos narrativos, exibição de curtas e conversas com profissionais do setor.

A programação tem início com uma sessão de jogos de tabuleiro voltados à imaginação e à construção de narrativas, com os jogos ‘O Melhor do Cinema’, ‘Mysterium’ e ‘Maha Lilah’, que estimulam o pensamento crítico e o olhar criativo sobre histórias e comportamentos humanos, seguida por uma mostra de curtas-metragens. “O Cinema ao Cubo nasceu da vontade de sentir a vida pulsar. Jogar é estar presente, observar, criar narrativas com os outros. É uma forma de falar de cinema de maneira viva”, define o cineasta.

Na sequência, dois painéis virtuais discutem o fazer audiovisual no Brasil contemporâneo, com foco em criação, circulação e políticas públicas. Os convidados são o cineasta Duanne Buss, que lança seu primeiro longa-metragem em 2025, e o documentarista Paulo Alcoforado, diretor da Ancine, que abordará o panorama atual da produção de documentários no país. “O Duanne vai falar sobre cinema independente, sobre como criar com poucos recursos. Já o Paulo trará uma leitura sobre o momento do documentário no Brasil. É um espaço para quem quer produzir e refletir sobre o processo cinematográfico”, destaca.

As mediações ficam a cargo dos estudantes do LabCine – Unisanta, sob coordenação de Eduardo, promovendo a integração entre formação universitária e prática de curadoria. Os painéis serão gravados e disponibilizados posteriormente no Cinapse Cast e no canal do cineclube no YouTube.

Os estudantes também produzem o podcast e conduzem as entrevistas. “É um espaço de aprendizado livre. Eles não estão ali para ganhar nota, e sim para experimentar. O LabCine é um laboratório onde se pode errar e aprender com o erro, como na vida”, completa.

Olhar latino sobre o cinema

No dia 12 de novembro, também a partir das 15 horas, o Cineclube Lanterna Mágica recebe a 2ª Mostra Audiovisual Mercosul, com curtas do Brasil, Uruguai, Argentina e Bolívia. As sessões incluem animações e produções voltadas aos públicos infantil e juvenil, abordando temas como ocupação do território, vida comunitária e relações sociais e ambientais. “Os curtas trazem um recorte muito forte sobre ocupação do território, sobrevivência, desigualdades e modos de vida na América Latina. É uma oportunidade de ver o que está sendo produzido em outros países e perceber como nossas realidades se conectam”, comenta.

Ao refletir sobre o panorama do cinema latino-americano, o cineasta destaca a importância de olhar para os vizinhos do continente. “O Brasil parece estar de costas para a América Latina, mas estamos muito próximos. O cinema argentino e o chileno ganharam projeção mundial falando de suas dores — ditaduras, desigualdades, memórias. O nosso cinema também lida com essas feridas, e o mundo quer ouvir essas histórias”.

Eduardo reconhece os desafios de quem faz cinema independente no país, mas acredita na persistência como força criadora. “O maior desafio é seguir com vontade de fazer cinema. Você é testado o tempo todo, enfrenta portas fechadas, silêncios, desinteresse. Mas quando o desejo de contar histórias é maior que tudo isso, o cinema continua pulsando”.

Ao fim, ele resume o propósito dos encontros. “O que eu espero é que o público venha, traga sua bagagem, troque, perceba que aqui é um lugar de construção coletiva. Que saia daqui com algo novo — uma ideia, uma inspiração, uma vontade de criar”.