Metrópole

Construção de casas flutuantes em Cubatão começa no segundo semestre de 2026

05/11/2025 Marcos A. Ferreira
FOTOS THIAGO CUNHA/PMC

A Prefeitura de Cubatão apresentou, na semana passada (dia 30), dois protótipos das 80 casas flutuantes previstas para serem construídas no Rio Casqueiro, junto ao Parque Linear do bairro: uma delas mobiliada para moradia; outra, adaptada para funcionar como restaurante e/ou café. A proposta é pioneira, exigirá investimentos de cerca de R$ 14 milhões (recursos municipais) e terá papel importante dentro na urbanização da Vila dos Pescadores, mas devem começar a ser erguidas somente no final de 2026.

O Jornal da Orla conversou com a vice-prefeita e secretária de Habitação de Cubatão, Andrea Castro, e com a arquiteta Karla Roncete, idealizadora das casas flutuantes, que expuseram o andamento do processo.

A URBANIZAÇÃO
Andrea Castro, vice-prefeita e secretária de Habitação, explica as etapas do projeto de urbanização da Vila dos Pescadores:
“Inicialmente, essas casas flutuantes vão servir como áreas de transbordo. Nós temos aproximadamente 800 lotes que serão urbanizados, com “casa embrião”. Então, as pessoas saem das palafitas e vão para as casas flutuantes. A gente faz a urbanização dos lotes, entrega a casa embrião e as pessoas voltam. Assim, sucessivamente. Entretanto, no fim desse processo, uma parte das casas flutuantes a gente pretende destinar para moradia, principalmente para a comunidade pesqueira; para as pessoas que já têm essa integração com o rio e a natureza”.

A vice-prefeita prossegue: “Mas a gente pretende utilizar algumas unidades como centro de pesquisa ambiental, restaurante, porque o projeto da Vila dos Pescadores prevê a reforma do portinho que tem lá, garagem ou oficina de barcos, centro de beneficiamento de pescado, ou um mercado de peixe. Ter um restaurante flutuante integra todas essas atividades e faz com que sejam geridas pela própria comunidade, gerando emprego e renda, fazendo com que a Vila dos Pescadores se torne polo turístico. Isso é extremamente importante, porque, muitas vezes, a gente urbaniza uma área e essa área continua sendo um gueto. É importante que haja integração da cidade com a comunidade”.

Andrea lembra que o projeto de urbanização está completamente interligado. “Tenho que terminar as obras de infraestrutura, na etapa 1, fazer a construção das unidades habitacionais, para começar a construção das casas flutuantes. O projeto de urbanização não está só nas casas flutuantes e nos 817 lotes a serem urbanizados. Eu tenho 1.339 unidades habitacionais, tenho uma via de borda, a via intermediária, tenho que abrir ruas para levar esgoto, saneamento. É complexo. As casas flutuantes são uma etapa. Mas essas casas já possuem licenciamento ambiental, autorização da Marinha e a gente consegue dar titulação, o que é um avanço”.

A previsão de término das obras, segundo Andrea, é no final do ano que vem. “Aí começam as obras das unidades habitacionais. A construção das casas flutuantes pode acontecer paralelamente. Neste momento estão acontecendo as obras de infraestrutura da avenida principal do bairro. A gente tem um viaduto pronto. A partir do momento em que a avenida receber os veículos, começa o restante das obras”.

AS CASAS NO RIO
A arquiteta Karla Roncete diz que a ideia é construir as casas flutuantes em duas seções e quer “tentar começar a primeira seção de 40 casas” no segundo semestre de 2026. Por enquanto, os dois protótipos apresentados dia 30 de outubro ficam para as pessoas conhecerem:

“A balsa é de aço naval, a estrutura da casa é de wood frame [sistema construtivo que utiliza madeira e peças estruturais]. A nossa intenção é criar um estaleiro ali na Vila dos Pescadores, para que os próprios moradores da comunidade possam fazer parte da construção das casas e, ao mesmo tempo, gerarmos emprego, porque é tudo modulado. A construção dos protótipos demorou, justamente por se tratar de um protótipo. Mas, no geral, a gente tem uma estimativa de que possamos montar cada duas casas em dois, três meses. Só que você vai construindo tudo junto, no estaleiro, não é de duas em duas. Estamos colocando uma média de oito meses para a gente construir a seção de 40 casas”.

Karla diz que a casa flutuante não balança. “O sistema de esgoto é um sistema inédito. Por isso, o protótipo demorou, porque a gente precisava ter um balão de ensaio, saber o que daria certo. O nosso projeto foca muito em consolidar as pessoas no bairro. Tem moradores distintos, há uma população que tem ainda a característica da pesca, por isso, foi muito pensado em um projeto diferenciado”.

RECURSOS
Andrea Castro fala dos recursos dessa primeira etapa do projeto da Vila dos Pescadores: “Os R$ 250 milhões anunciados pelo governador Tarcísio de Freitas referem-se à construção de quase 1,4 mil unidades habitacionais. Vão se juntar aos quase R$ 140 milhões do tesouro municipal. Somado a isso, o Município de Cubatão teve selecionados R$ 242 milhões, um financiamento (empréstimo) do PAC Periferia, do Governo Federal. As casas flutuantes serão construídas com recursos municipais, em torno de R$ 14 milhões”.