Cena

Juliana Bordallo representa a Baixada em encontro nacional

03/11/2025 Isabela Marangoni
Divulgação

A produtora cultural, atriz e palhaça Juliana Bordallo vai representar a Baixada Santista na 4ª edição do Mercado das Indústrias Criativas do Brasil (MICBR) 2025, iniciativa do Ministério da Cultura que reúne gestores, empresários e produtores de todo o país. O evento acontece de 3 a 7 de dezembro, em Fortaleza, e inclui rodadas de negócios, showcases artísticos, oficinas, mentorias e conferências.

Juliana foi selecionada em 1º lugar na região Sudeste para representar o segmento do circo, sendo a única artista de Santos entre os cinco representantes nacionais. Com mais de 24 anos de trajetória nas artes e na cultura, ela é fundadora da Bordallo Cultural, coletivo que realiza projetos de arte, formação e impacto social em todo o país, integrando linguagem cênica, ativismo e políticas públicas de cultura. “Quando vi meu nome na lista, nem acreditei. Uma amiga me avisou e achei que fosse brincadeira”, conta Juliana.

Reconhecimento

A conquista tem um peso importante, especialmente por destacar uma produtora da Baixada Santista em um cenário dominado por polos culturais consolidados. “O Sudeste é a região mais difícil de entrar em um edital desses. São Paulo e Rio concentram muita produção. Estar entre os cinco representantes do circo — e ainda em primeiro lugar — é extremamente significativo”, afirma.

Juliana admite que quase não inscreveu o projeto. “Enviei de última hora, nem do jeito que gosto. Quase nunca selecionam propostas de cidades menores. Mas estamos no litoral, em Santos, e conseguimos esse espaço”.

Redes comunitárias

À frente da Bordallo Cultural, Juliana apresentará no MICBR os projetos de circo social que coordena na região, com destaque para o Circuito Circo no Jardim — iniciativa que há quatro anos leva espetáculos e oficinas circenses a 11 territórios da Baixada Santista. “O Circuito é nosso carro-chefe. Já contratamos mais de 80 profissionais por ano e atendemos cerca de 16 mil pessoas. Atuamos em comunidades como Vila dos Criadores, Jardim Castelo, Morro da Nova Cintra e São Manoel, ocupando praças que voltaram a ter arte”.

O projeto aposta na descentralização cultural e no fortalecimento das redes comunitárias. “Nos comunicamos com a cidade para além dos gestores. Conversamos com lideranças locais, que organizam o espaço, o horário e mobilizam os vizinhos. Cada evento puxa outro — as pessoas querem levar o circo para suas comunidades também. É uma rede viva”.

Inclusão

O Circuito Circo no Jardim também se destaca pelo compromisso com inclusão e acessibilidade: interpretação em Libras em todas as apresentações, tenda de autorregulação para pessoas neurodivergentes e materiais adaptados para pessoas com baixa visão.

Além do circuito, a Bordallo Cultural realiza desde 2021 a Mostra do Dia de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres, que chega à 3ª edição em 23 de novembro, com oito horas de atividades protagonizadas por mulheres, incluindo apresentações de circo, shows, contação de histórias e workshops. “Este ano, vamos descentralizar a mostra: parte na Vila dos Criadores, parte na Vila Gilda e parte na Vila Pantanal. É uma forma de espalhar a mensagem e tecer a rede”.

Próximos passos

Juliana participará do MICBR com dois olhares: o de quem representa o circo e o de produtora contratante. “Quero fazer conexões, conhecer artistas e produtores que possamos trazer para Santos”.

A expectativa também é buscar novas formas de financiamento: “O Circuito é realizado há quatro anos com emendas parlamentares. A cada ano pedimos apoio na Câmara e contamos com quem acredita no projeto. Mas meu sonho é garantir estabilidade — um patrocínio que permita planejar dois anos à frente”.

Resistência

O MICBR é uma das maiores vitrines da economia criativa do país, com o objetivo de ampliar a circulação de bens culturais, estimular parcerias e internacionalizar a produção artística brasileira.

Para Juliana, a seleção representa uma conquista coletiva. “O circo ainda está conquistando espaço. Em Santos, nem existe uma cadeira específica para o circo no Conselho Municipal de Cultura — é teatro e circo juntos. Ser selecionada mostra que o circo contemporâneo da Baixada existe, resiste e tem muito a dizer”.