Velho, eu?

A vida é feita de bons reencontros

01/11/2025 Ivani Cardoso
Arquivo pessoal

Minha primeira reação foi: não vou, vai ser um mico, mas repensei. Afinal, um encontro para rever pessoas com quem você estudou depois de 50 anos não acontece todo dia. Nesse último domingo, participei com alguns alunos da turma de 1975 da Faculdade Católica de Direito de Santos de um almoço marcado no grupo de WhatsApp com antecedência.

Como eu optei por Jornalismo e não frequentei os corredores do Fórum, lembrava de poucos. A sorte que eu tenho minha amiga e vizinha Verinha, que organizou o almoço com todo carinho e não perdoaria a minha ausência, bem sei.

Claro que as conversas no grupo tiveram muitas piadas sobre a necessidade de crachás, as mudanças que chegaram com a idade e outras tantas. Alguns não puderam vir e outros desistiram em cima da hora por problemas que apareceram; mesmo assim, cerca de 30 pessoas (alguns acompanhados) se animaram. E até a Iraci, companheira do tênis de mesa em que representamos a faculdade nos Jogos Universitários da época, veio especialmente de Salvador e foi recebida com festa.

Se você passa cinco anos de sua vida convivendo com um grupo, deveria ser mais comum continuar pelo menos de tempos em tempos convivendo para manter esse relacionamento tão próximo. É difícil, cada um segue seu rumo, os destinos são diferentes e o ambiente profissional, casamentos e novos amigos mudam a rota.

Talvez até por nem imaginar como poderia ser esse reencontro, se eu tivesse cedido ao primeiro impulso teria perdido a chance de valorizar e celebrar as nossas histórias. Ainda bem que eu fui. Estava uma delícia, descontraído, divertido. Todos foram com muitas memórias dos bons tempos, levaram fotos antigas, amizades perdidas reatadas pelo abraço, pelas conversas, pelas recordações dos que já partiram, dos que sumiram de vista, dos professores, dos melhores aos piores.

Alguns continuam casados; outros se separaram, casaram-se de novo ou estão sozinhos; alguns perderam cabelos, outros ganharam peso, rugas, algumas limitações trazidas pela idade. As diferenças e a aparência não tiveram a menor importância. Como disse o Arthur, depois de tantos anos houve liga entre os participantes. As fotos na mesa, em volta do bolo e dos docinhos, mostram pessoas felizes.

Depois dessa experiência, podem surgir novas afinidades. Lucinha, por exemplo, já convocou companhia para aulas de dança de salão, cafezinhos mais frequentes vão surgir naturalmente. Quem não foi e acompanhou pelo grupo as imagens, certamente ficou com uma pontinha de tristeza por não compartilhar aqueles momentos. Logo a Verinha já postou que devemos marcar outros encontros anuais, inclusive para quem não conseguiu dessa vez. Muitos aceitaram a ideia na hora.

Talvez o ano que vem o grupo seja menor, mas é o que temos para hoje, certo?