
Grandes obras como a construção do túnel Santos-Guarujá e da terceira pista da Imigrantes ainda estão no papel, mas têm gerado grandes expectativas. Não é para menos: apenas esses dois projetos preveem investimentos de mais de R$ 6 bilhões, cada; e estima-se que somente o túnel gere em torno de 9 mil empregos.
Os anúncios ultrapassam os R$ 20 bilhões, para os próximos anos (recursos federal, estadual e da iniciativa privada). Por isso, prefeituras da região se movimentam para garantir obras locais e evitar que o futuro promissor traga mais problemas logísticos. Essa questão foi tema do BS Debate, que discutiu mobilidade urbana, dia 14, numa promoção do Jornal da Orla e Record TV Litoral e Vale, com apoio da Associação Comercial de Santos (ACS).
“Os anúncios causaram euforia, sim, mas temos que nos planejar, para não serem um tiro no pé. São obras que precisam estar conectadas. O túnel e a segunda fase da perimetral na margem esquerda do Porto, por exemplo, têm confluências. Cabe à municipalidade acompanhar de perto e discutir adequações, pensando nas nossas necessidades”, afirma Thaís Margarido, secretária de Desenvolvimento Econômico e Portuário do Guarujá.
Para Fabrício Lopes, secretário de Indústria, Porto, Emprego e Empreendedorismo de Cubatão, é preciso pensar em mobilidade para além da questão urbanística. “O gargalo logístico que a gente tem na região não afeta apenas a economia, mas a qualidade de vida das pessoas. Temos cidades contíguas, ligadas por rodovias e precisamos garantir que os munícipes transitem entre uma cidade e outra; no caso do nosso município, até mesmo de um bairro para outro”.
Lopes reconhece que a região vive “bom momento”, mas alerta que esta é a “hora dos municípios se unirem” e garantir que suas reivindicações sejam ouvidas e atendidas, com base no diálogo. “Aproveitar a grande onda de mais de R$ 20 bi. de investimentos para, de uma vez por todas, também sanar as fissuras sociais que temos”.
No caso do túnel Santos-Guarujá, enquanto não se inicia a etapa principal, as prefeituras dos dois municípios discutem questões locais para mitigar possíveis impactos negativos.
“Temos feitos contatos com o Governo do Estado para discutir como os veículos vão chegar na entrada do túnel. Hoje, 22 mil veículos/dia passam pelas balsas. Há mais de 10 mil caminhões que descem a Serra, diariamente, para o Porto (nas duas margens). No caso de Santos, discutimos a maneira como esses veículos chegarão ao túnel sem impactar muito a região que já recebe o VLT. Os veículos pesados têm a perimetral. O grande desafio é trazer para a região intermediária (av. Rodrigues Alves) um fluxo que hoje vai para a região da Orla, Ponta da Praia, com vias mais largas”, declara Antônio Carlos Gonçalves, presidente da Companhia de Engenharia de Trânsito (CET) de Santos.
Ele destaca que 66% das vias da cidade têm de 6 metros de largura para menos, sem opções de alargamento. “Temos que pensar maneiras de impactar o mínimo possível o viário urbano”.
GUARUJÁ
A secretária Thaís Margarido afirma que o Guarujá sofre com tráfego pesado dentro do Distrito de Vicente de Carvalho há muito tempo. “Os caminhões vêm pela Rodovia Cônego Domênico Rangoni, entram na Rua do Adubo e, para chegar ao cais molhado, atravessam a Avenida Santos Dumond, que é a principal via do Distrito. Sem planejamento prévio, os caminhões ficam parados desde a perimetral 1 (alça de acesso para os terminais) e na própria avenida. Isso atravanca o trânsito”.
Ela ressalta que a Prefeitura está otimista com a segunda fase da perimetral, “porque vai pegar o tráfego que virá pelo túnel e o que vem do Planalto”. Com novas pista e alça de acesso, por cima da Santos Dumond, diretamente para o terminal, as vias ficarão livres para o munícipe. O projeto é da APS e a obra terá recursos do Governo Federal. “A gente imagina que as obras comecem no início de 2026”, conclui.
Em Cubatão, uma das apostas de Fabrício Lopes é o projeto do corredor Porto-Indústria, que prevê ligação direta das rodovias com o Porto de Santos, “uma via formatada para o trânsito pesado”.
Expansão do VLT gera expectativas também em S. Vicente e Praia Grande
Apesar dos atrasos que empurraram o início da operação para o final do ano, a segunda etapa do VLT, em Santos, ligando ao Centro, está gerando interesses de setores comerciais e imobiliários. A afirmação é de Glaucus Farinello, secretário municipal de Meio Ambiente, Desenvolvimento Urbano e Sustentabilidade.
“O traçado do VLT foi alterado para levar desenvolvimento a regiões específicas, como a do Mercado. O Centro vive um momento interessante de investimentos portuários, logísticos e turístico. O VLT vai aumentar o fluxo de pessoas, o comércio voltará a respirar. Há representantes do setor imobiliário e de restaurantes, por exemplo, que demonstram interesse”, diz. “Os investimento no Centro estão em um movimento sem volta.”
No caso de São Vicente, a previsão de operação está mais distante, mas a expansão do VLT para a Área Continental também gera expectativas. Serão mais 7,5 km, atravessando a Ponte dos Barreiros, até Samaritá, ampliando o trajeto do Porto até a Estação Barreiros.
“A previsão é que a operação comece no final de 2028. Temos conversado com Artesp/BR Mobilidade para evitar atrasos. A reforma da ponte, em andamento, é fundamental para que o VLT atravesse para a área, onde vivem cerca de 150 mil pessoas”, afirma Alexandre Martins, secretário de Transportes.
A ampliação deveria ter sido realizada na primeira etapa do VLT. Mas ele está otimista: “Vai reduzir o tempo de deslocamento, reformular o sistema de transportes, melhorar a vida das pessoas”.
Mesmo sem projeto de sequência da linha até a Praia Grande, o secretário municipal de Transportes, Leandro Avelino, também se anima com a chegada do VLT à Área Continental de São Vicente. “Estamos conversando para que, na sequência, se inicie o projeto para chegar até ao Tude Bastos”.


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