Esportes

Esporte Eletrônico ajuda jovem santista a buscar formação nos EUA

18/10/2025 Matheus Vieira
Arquivo Pessoal

Acompanhando a evolução da tecnologia, o esporte se modernizou de diversas maneiras e chegou, inclusive, aos games. Por mais que exista resistência, algumas empresas adotaram formatos competitivos em seus jogos e os players se transformaram em verdadeiros atletas para poder ter o melhor desempenho nas partidas e campeonatos.

É o caso de Enzo “loqqty” Varela, santista, que já figurou entre os melhores representantes do Brasil no Fortnite. Que, motivado pela ‘Copa do Mundo’ do jogo e pelas fartas premiações em dinheiro, decidiu dar uma chance ao game que é a sensação dos últimos anos. “A primeira vez que joguei, não me interessei muito. Não era meu estilo de jogo. Eu queria jogar Counter Strike de maneira competitiva, mas precisava ter dezoito anos. Foi quando o Fortnite anunciou a Copa do Mundo, com premiação em dinheiro, e eu pensei: ‘Por que não?’ Decidi dar uma chance e treinei até ficar bom”, relembra.

A motivação primária logo deu lugar à dedicação e ao estudo do jogo. “No início, eu não fazia treinamento físico. Apenas sentava e jogava. Explorava os modos do jogo: o battle royale, que é o modo principal, onde é preciso sobreviver contra outros 99 jogadores. Também tinham as arenas do modo criativo, onde aconteciam partidas 1 contra 1 ou 2 contra 2. E os simulados de campeonatos, as scrims, onde os próprios players se organizavam no Discord e criavam essas partidas customizadas para treinar”, conta.

Enzo já esteve na 2ª posição do ranking brasileiro, em 2019, e na 504ª posição do ranking mundial de melhores jogadores de Fortnite (2022), jogo que mantém uma comunidade ativa de cerca de 220 milhões de players cadastrados em todo o planeta.

ESPORTE OU NÃO?

Mas, apesar do formato competitivo e da dedicação dos jogadores, Enzo entende, entretanto, que mesmo com todo o empenho de um player, existe uma diferença intrínseca que separa os chamados e-sports dos esportes tradicionais “São coisas diferentes. A preparação para um player é mais dentro do jogo. Você tem de ficar bom no jogo. Eu acredito que a preparação de um atleta tradicional é algo mais árduo. Penso que, mesmo com as preparações, devem ser tratados como coisas diferentes”, diz.

Em 2023, essa polêmica reacendeu após a declaração da ex-ministra dos esportes Ana Moser. Na ocasião, a então ministra comparou a preparação física para os e-sports com a preparação física da cantora Ivete Sangalo e disse que ambos são apenas entretenimento. Por outro lado, o Comitê Olímpico Internacional (COI) aprovou a criação dos Jogos Olímpicos de E-Sports em 2024. A primeira edição do evento está prevista para 2027, na Arábia Saudita.

FORA DE CAMPO

Para além dos jogos, Enzo busca uma formação. Atualmente, formando em Ciência da Computação na Universidade Internacional da Flórida (FIU), carrega consigo o projeto de um dia poder fazer parte do time de grandes empresas como Google, Meta, Netflix etc. para poder realizar o sonho de criar a própria empresa. “Sempre gostei de ver as coisas que faço funcionando. A ironia é que eu não gosto de programar jogos, nunca fui bom em modificar mapas, customizar os jogos. Tenho o projeto de conseguir entrar em uma grande empresa e ver como elas funcionam por dentro e aprender o que fazer, o que não fazer. Penso nisso a todo momento”, afirma. “Mas, ao mesmo tempo, quero trabalhar também nos meus projetos. Minha grande meta é criar minha própria empresa com a experiência que vou pegar das grandes empresas”, completa.