
Um passeio de amigos religiosos pela orla de Praia Grande, em 2017, representou os primeiros passos para o trajeto de 201 km que o Grupo Caminhada da Fé percorre a pé, desde então, para celebrar e homenagear Nossa Senhora de Aparecida. Só que o plano de viagem é completamente diferente da quase totalidade de pessoas que participam da romaria. O grupo inicia a rota assim que acaba o dia da Padroeira do Brasil.
Na madrugada desta segunda (13), 18 caminhantes e o motorista de apoio partem, mais uma vez, da Paróquia Nossa Senhora das Graças, no bairro Ocian, rumo ao Santuário Nacional, em Aparecida, no Vale do Paraíba.
Às 2h, seguem em uma van até a estação ferroviária Estudantes (da CPTM), em Mogi das Cruzes. Lá, ainda na madrugada, iniciam a caminhada pela Rota da Luz, um trajeto que permite contemplar paisagens bucólicas, pisando estradas de terra, além de evitar os riscos do itinerário pela Via Dutra. Com cerca de 201 km este roteiro inclui: Mogi das Cruzes, Guararema, Santa Branca, Paraibuna, Redenção da Serra, Taubaté, Pindamonhangaba, Roseira e Aparecida, onde devem chegar no próximo domingo (19).
“Normalmente, chegamos por volta das 4h, 4h30, na Estação Estudantes, em Mogi. É o tempo de tomar um café, carimbar o passaporte de peregrinos e iniciar a caminhada”, conta o zelador José Elias Alves Marinho, um dos que topou a ideia da romaria, em 2017, e hoje coordena o Grupo Caminha da Fé, ao lado da esposa Francisca de Almeira – aliás, união alcançada durante a romaria.
“O ´passaporte` receberá carimbo e assinatura em todas as paradas. Quando chegamos no Santuário, vamos ao serviço de apoio aos romeiros. Eles conferem e trocam pelo Certificado de Conclusão da Rota da Luz”, explica.
BENÇÃO
Neste domingo (12), Dia da Padroeira e véspera da partida, o Grupo Caminhada da Fé participa da missa na igreja Nossa Senhora das Graças, às 18h30, quando recebe a benção do padre Joseph Thomas para a romaria.
“No primeiro ano, 2017, com a decisão repentina, nos organizamos para sair antes e chegar em Aparecida no dia da Padroeira. Além de termos ido pela Via Dutra, sem preparo algum – dormimos ao relento, corremos riscos caminhando na beira da rodovia –, chegamos na Basílica e era tanta gente que foi difícil até para assistir a uma missa. Por esse motivo, além de optarmos pela Rota da Luz, decidimos partir sempre no dia 13”, afirma José Elias.

O grupo, em 2024, recebendo a benção do padre Joseph Thomas, e na Rota da Luz
De acordo com ele, o grupo percorre, por dia, a distância entre uma cidade a outra: pela Rota da Luz os maiores percursos são Santa Branca-Paraibuna e Redenção da Serra-Taubaté (cerca de 40 km, cada trecho); os menores são Taubaté-Pindamonhangaba e Roseira-Aparecida (cerca de 12 km, cada).
“Descansamos, nos alimentamos e dormimos em cada cidade. Retomamos a caminhada sempre na madrugada. São sete dias de romaria. Chegamos ao Santuário no domingo, por volta das 7h30, 8h. Assistimos à missa das 9h, normalmente, e depois as pessoas ficam livres para fazer o passeio que desejarem. Só combinamos o local e horário de reencontro, para o embarque na van e o retorno à Praia Grande. Quando chegamos, recebemos nova benção na nossa paróquia”.
De acordo com José Elias, o grupo, que já chegou a reunir mais de 30 pessoas, este ano seguirá com 18 caminhantes, com idades entre 30 e 64 anos, sendo que metade deles é “peregrino de primeira caminhada”. Ele lembra, que na primeira vez, eram em 17 romeiros: “sou um dos poucos remanescentes”.
Este ano, uma das estreantes, que prefere não se identificar, vai a Aparecida para agradecer pela sua recuperação. Após uma cirurgia, a princípio simples, de vesícula, teve complicações médicas e foi parar na UTI. Passou momentos difíceis. Logo que saiu do hospital, ainda fraca, disse que iria na peregrinação. “Não acreditamos. Mas começou a se exercitar, com a certeza de que vai a pé a Aparecida”, conta José Elias. “É assim. A gente vai pela fé, para agradecer. Tudo o que pedi, consegui. Só tenho que agradecer”.
Os fiéis gastam, em médica, cerca de R$ 1,8 mil, valor que inclui transporte, hospedagem e almoço. Para os interessados, as inscrições podem ser feitas entre fevereiro e agosto. Há entrevista e solicitação de atestado médico. José Elias diz que o grupo realiza caminhadas na orla e recomenda que os inscritos se exercitem.
Fé aproxima pessoas e resolve contratempos

Francisca e José Elias, coordenadores do Grupo Caminhada da Fé O zelador José Elias e Francisca Gonçalves de Almeida, que trabalha na lojinha da paróquia de Nossa Senhora das Graças, se conheceram na igreja. Mas foi o Grupo Caminhada da Fé que os aproximou e, com isso, a união foi consumada há sete anos. Em 2018 ela estreou como caminhante. “Naquele ano foi para pagar uma promessa. De lá para cá, não parei mais. Cada vez é uma sensação diferente, de gratidão, dever cumprido. A emoção toma conta”, diz.
Hoje coordenadora, ao lado do companheiro, Francisca afirma que nem mesmo os perrengues a fazem desistir. Aliás, logo na sua ´estreia` no trajeto, teve que resolver problemas. Naquele ano, havia mais pessoas na coordenação da caminhada, então, cada um cuidava da sua tarefa. “Mas chegamos ao local que iria nos receber, em Redenção da Serra, e tudo estava fechado. Era no Centro Pastoral da igreja e o que parecia estar acertado (dormida e comida) não estava. Nem o padre que nos atendeu sabia. Imagina, você com 35 peregrinos, incluindo idoso. O que fazer? Tive que tomar a frente e negociar com ele, pagar um valor por pessoa”.
Em 2020, do total de 35 integrantes, 20 passaram mal, acometidos por uma espécie de alergia. Estavam em Santa Branca. Foram atendidos no pronto-socorro local e, medicados, seguiram o caminho.
Mas em 2022, o problema foi mais sério. Um dos integrantes do grupo teve um Acidente Vascular Cerebral (AVC) e precisou ser internado em Santa Branca, a cerca de 160 km de Praia Grande. “Foi o maior perrengue. Tive de ficar com ele, sete horas, dentro de um hospital, até a família ir buscar. Quando não é uma coisa, é outra. Fazemos atendimentos no carro de apoio, coisas simples, como bolhas nos pés. Mas vale a pena”, afirma Francisca. “Olha estou muito ansiosa, correndo atrás de tudo, para não faltar nada. O coração está a mil”. (MAF)


Boa noite. Gostaria de saber de grupo que irá na caminhada da fe em 2026 de Praia grande sp