Velho, eu?

Eu e meus botões

11/10/2025 Ivani Cardoso
Pexels/Reprodução

Sou uma pessoa que gosta de aprender e adoro escrever, mas não tenho habilidade alguma para cozinhar, bordar ou pintar. Na escola, era um fiasco nas aulas de Educação Artística. Minha mãe bem que tentou me colocar em cursos de corte e costura na adolescência, mas foi uma tragédia, para desespero da professora espanhola que não se conformava com as minhas bainhas tortas e feitas de qualquer jeito
só para me livrar da tarefa chata.

Meus filhos brincam até hoje que meus bolos de chocolate nunca davam certo. Eu caprichava, mas mesmo assim ficavam solados. Pelo menos os brigadeiros eu aprendi com a vizinha Cláudia, e esses fazem sucesso. Algo tem que sair direito, não é?

O problema maior são os botões. Vivo me atrapalhando com os controles das tevês, os cabos dos computadores, os aplicativos do celular e tudo o que envolva tecnologia.

Quando viajo, é sofrimento na certa. Nos hotéis, erro o controle do ar-condicionado, o segredo dos cofres, e até abrir a torneira de banheiros diferentes é um desafio.

Nos aviões, conseguir assistir ao filme com legenda certa ou acertar o botão da luz é um martírio. E ir ao banheiro é outro drama: fico ensaiando, com medo de ficar trancada — o que já aconteceu uma vez, numa escala, quando a aeromoça travou a porta sem saber que eu estava lá dentro.

Vocês não imaginam como sofre quem não tem competência emocional para lidar com botões e aparelhos que testam a paciência dos mais velhos.

Sorte a minha que o céu manda reforços. Tenho alguns universitários que me ajudam nessas horas.

Meu filho, por exemplo, é paciente, mas agora me faz tentar primeiro, dizendo que, se sou tão inteligente, não posso me render a um simples ajuste de computador.

Numa viagem recente, acordei de madrugada ensopada de calor: claro que eu tinha errado o controle do ar. No dia seguinte, um amigo foi até meu quarto para acertar. E a temperatura do chuveiro? Em cada hotel, o botão do quente e do frio muda de lugar. Por que dificultam nossa vida? Humildemente reconheço minha incapacidade.

Preciso aceitar os desafios e fuçar com mais paciência os tais botões para tentar vencer os mistérios tecnológicos. O mundo muda rápido, e eu também preciso me adaptar — de preferência, mantendo o bom humor sempre.