
Encontrar animais silvestres nas praias e mesmo em áreas bastante urbanizadas tem se tornado algo comum, pelo menos em Santos e São Vicente. Cobras, gaviões e saruês, por exemplo, são resgatados com frequência.
“Tem sido corriqueiro ver cobras e gaviões. Faço caminhadas na praia pela manhã e, na região do Canal 2, costumo ver muitos pombos. Há dias em que percebo que não estão por ali. Acho estranho, mas é olhar para os lados e, certamente, tem gaviões na areia. Associei as coisas, porque no meu prédio, quando aparece gavião nas entradas de ar-condicionado, eles matam os pombos. Durante as caminhadas, com frequência vejo cobras mortas. Às vezes, as pessoas param para olhar. Acho que são cobras-d`água. Mas nunca presenciei, ou soube de pessoas que tenham sido atacadas por esses bichos”, conta o auxiliar-administrativo Iraí Batista, de 58 anos.
Já a servidora pública Janaína Gomes Andria, de 62 anos, afirma que nunca viu cobra na praia. No entanto, gavião – diz ela – “tem um monte, vejo desde quando costumava fazer caminhadas pela manhã”. Janaína afirma que há, inclusive, um ninho dessa ave em um chapéu de sol no Canal 5, próximo à Avenida Pedro Lessa. “Moro no bairro Aparecida, não muito distante do Porto, mas em uma área bem urbanizada. Frequentemente, vejo gaviões nas lajes de prédios mais baixos que o meu”.
Analista ambiental do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), em Santos, Fábio Zucherato, explica que o órgão federal não atua nesses casos e não tem estudos científicos sobre esse fato. Porém, ele apresenta hipóteses: “Não há uma invasão de animais silvestres à cidade. É uma adaptação. A cidade pressiona as manchas vegetais cada vez mais e os animais têm que migrar. Para onde vão? Para o espaço urbano. Em Santos, por exemplo, há duas situações que convergem: a cidade pressionando maciços naturais e um ambiente urbano propício, pois, em razão do Porto, os grãos atraem ratos e pombos, que são presas de gaviões e cobras”.

INTEGRADOS
Em São Vicente, no final de setembro, a Inspetoria Ambiental da Guarda Civil Municipal resgatou um macaco-prego e saruê. Mas há registro de resgate de cobras-d`água e de caninana, ambas não venenosas, mas que assustam. O inspetor Valter Santos garante que são “inofensivas e chegam à praia pelos canais”. O que não é o caso da uma jararaca que, de acordo com ele, foi encontrada há cerca de um mês, em uma rua ao pé do Morro do Itararé.
Para o especialista, vários fatores estão relacionados ao aparecimento desses animais: questões climáticas, oferta de alimentos, especulação imobiliária, urbanização e invasão em áreas de mata. A demanda é maior na primavera, até meados do verão, porque é período de procriação dos saruês. “É importante lembrar que, em São Vicente, temos um parque municipal (o antigo horto), o parque estadual Xixová-Japuí e o parque estadual da Serra do Mar”.
Valter complementa: “Saruês estão praticamente integrados ao meio urbano. Em setembro, resgatamos 25 deles. É um animal importante, porque é predador de cobra, escorpião e caramujo. Mas como é um animal feio, o pessoal se assusta e mata”. Neste ano, a Inspetoria Ambiental da GCM de São Vicente registrou cerca de 100 ocorrências, entre 50 e 60% de resgates.
RECOMENDAÇÕES
Em agosto ganhou destaque o caso de um gavião que estava atacando transeuntes, na região do Canal 4, em Santos. O inspetor da GCM de São Vicente recomenda: “O animal silvestre traz benefícios, mas se torna agressivo quando se sente acuado. Por esse motivo, é importante que, nessas situações, a pessoa não mexa com o bicho e acione os serviços especializados”.
Valter Santos alerta, ainda, que muitos animais parecem inofensivos, mas é preciso cuidado: “A garça, por exemplo, com uma bicada, pode causar traumatismo craniano, ou perfurar um olho”.
Fábio Zucherato conta que o Ibama em Santos tem recebido ligações solicitando a retirada de ninhos de gavião em prédios. “Não podemos fazer isso. Primeiramente, o Ibama atua em áreas federais, ou em caso de crime ambiental. Mas o mais importe é saber que o gavião é protegido por lei, se eu retirar o ninho, mato a prole, é um crime”.
O Centro de Triagem e Reabilitação de Animais Silvestres (Cetras) do Orquidário de Santos recebeu um gavião para tratamento. O animal segue sob cuidados, após passar por cirurgia.
Com relação às ‘cobras’ na faixa de areia, a Secretaria de Meio Ambiente de Santos informou que se tratam de “animais aquáticos muitos semelhantes” e o “Aquário Municipal não recebeu nenhuma cobra nos últimos meses”.
TELEFONES ÚTEIS
- Guardas Civis Municipais – 153 (em qualquer município)
- Corpo de Bombeiros – 193
- Polícia Militar Ambiental – 190
- SAMU – 192


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