Política

“Deputado da bala” participa de evento em Santos sobre segurança pública

22/09/2025 Marco Santana
Bruno Spada/Câmara dos Deputados

Figura controversa e vista com reservas até mesmo dentro da Polícia Civil, o deputado federal Paulo Bilynskyj (PL) é aguardado em Santos amanhã, para participar do seminário Segurança Pública em Foco. O evento acontece às 9h30, na sede da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de Santos (Praça José Bonifácio, 55).

A participação de Bilynskyj é resultado de convite do deputado estadual Paulo Mansur (PL). Além de ter votado a favor da PEC da Blindagem, o deputado tem uma trajetória marcada por investigações e processos.

Bilynskyj é delegado da Polícia Civil licenciado. A Delegacia Geral da corporação pediu sua demissão em 2022, por conta de um caso de apologia ao estupro e o racismo. O processo de demissão foi suspenso quando ele assumiu o mandato na Câmara Federal, já que ela precisa ser efetivada pelo governador. Então no cargo, Rodrigo Garcia não homologou a demissão. Tarcísio de Freitas também não.

FICHA CORRIDA

Bilynskyj acumula mais de 12 processos disciplinares desde o estágio probatório na Polícia Civil, iniciado em 2012. Na época, já havia recomendação para que ele não fosse aprovado na corporação. Entre os casos em que se envolveu está o processo por falsidade ideológica após tentar manipular a cena de um acidente envolvendo uma viatura e outro veículo, em 2015.

O episódio mais marcante, que resultou em seu pedido de demissão, foi o compartilhamento de um conteúdo na internet, que, na avaliação do Ministério Público, se tratava de apologia ao estupro e racismo. Na Justiça, Bilynskyj e os demais envolvidos fizeram um acordo de não persecução penal – dispositivo para que o processo não seguisse adiante.

Outro caso com ampla repercussão foi o que resultou na morte da namorada, em 2020. A Justiça conclui que, em uma discussão do casal, Priscilla Barrios atirou seis vezes contra o então delegado e em seguida cometeu suicídio.

Já como deputado federal, Paulo Bilynskyj usou a verba parlamentar para pagar a empresa do irmão de seu chefe de gabinete, Adriano Casagrande. Foram R$ 261 mil para “divulgação da atividade parlamentar”.

Em nota, o deputado afirmou que “entre as entregas contratadas e devidamente prestadas está a produção de conteúdo digital, com vídeos e cards, para as redes sociais do deputado, que contam com conteúdo robusto, alto engajamento evidenciado pela audiência de mais de milhão de seguidores e que cresce continuamente”.

Na Câmara, ele integra a chamada “bancada da bala”. Atualmente, é presidente da Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado e tem muitos posicionamentos questionados por especialistas do segmento.