
Com mais de duas décadas de experiência em grandes eventos de moda no Brasil e no exterior, o produtor cultural Gabriel Del Corso realiza a 2ª edição do Festival Transformar. Com o tema ‘Quando Te Vejo…’, o evento gratuito integra cultura, economia criativa, consumo consciente e sustentabilidade em uma programação diversa e repleta de experiências.
De 26 de setembro a 5 de outubro, a agenda se concentra às sextas, sábados e domingos, a partir das 11 horas, com atividades na Casa da Frontaria Azulejada e no Museu do Café. O público poderá conferir mercado de pequenos produtores autorais, exposições de arte, design e fotografia, rodas de conversa, oficinas, workshops, música e gastronomia.
Sustentabilidade
A primeira edição, em 2024, já nasceu com a proposta de neutralizar sua pegada de carbono. “Trabalhei mais de 15 anos em semanas de moda, como São Paulo, Londres e Paris. Nesse percurso, me apaixonei pela sustentabilidade, especialmente dentro da moda, uma das indústrias mais poluentes do planeta”, lembra.
O interesse por práticas sustentáveis começou ainda quando termos como ‘economia circular’ mal eram usados. “Na época, se falava em ecologia, mas não havia clareza de como aplicar isso numa cadeia produtiva. Mesmo assim, já existiam marcas preocupadas em reduzir impactos ambientais, e eu buscava trabalhar com elas”.
O retorno ao Brasil e a mudança para Santos foram decisivos para a criação do festival. Na cidade, Gabriel se reencontrou com Selley Storino, titular na Secretaria Municipal de Comunicação e Economia Criativa (Secom), que o incentivou a desenvolver um projeto voltado para o cenário local. “Percebi uma cena criativa forte, com empreendedores autorais e pequenos produtores, mas ainda desorganizada. O Transformar nasceu para preencher essa lacuna, com foco em sustentabilidade, inclusão social e consumo consciente”.
Um dos diferenciais do festival é a compensação das emissões de carbono. “No primeiro ano, o evento gerou quase cinco toneladas de carbono. Todo esse impacto foi calculado por uma certificadora e compensado com o plantio de árvores, garantindo que o Transformar já nasça carbono zero”, explica.
Cultura e propósito
Mais do que uma feira, o festival busca construir diálogo e fortalecer a economia local. “Não é só vender e ir embora. Queremos promover transformação coletiva. O evento só faz sentido se todos estiverem envolvidos e se beneficiarem igualmente dos resultados”.
A edição 2025 amplia o alcance com gestão de resíduos sólidos e recicláveis, em parceria com o Instituto Supereco. “Percebemos que os expositores precisavam se alinhar ao processo. Faremos sensibilização e treinamento no primeiro dia para que cada marca seja porta-voz do descarte correto”, explica o produtor.
A curadoria ficou a cargo de Fernanda Sales, do coletivo Villarejo Art, com foco em coletivos locais e marcas sustentáveis. “Não posso ter no festival uma distribuidora da China ou uma revenda. Nossos parceiros, como o Senac, educam o país há mais de 60 anos, e precisamos estar alinhados a essa missão”, reforça Gabriel.
Um exemplo de transformação é a marca Feltro para Presente, que antes trabalhava apenas com reaproveitamento de tecidos. Após participar do festival, desenvolveu uma coleção de bonecos educacionais de animais em risco de extinção, cada um com certificado e código de barras contando a história do animal e como ajudar na preservação. “É emocionante ver uma marca local mudar totalmente seu perfil de produto em apenas um ano”, celebra.
Programação
Com mais de 70 expositores, o Transformar se conecta a outras iniciativas culturais da cidade, como a Primavera Criativa 2025, Feito em Santos e Mercado Coffee. “Não estou criando um festival para ganhar dinheiro, mas para mudar a cena local e a forma como se pensa sustentabilidade. Cabe todo mundo, cada um fazendo seu trabalho e se juntando. Isso cria potência e reverbera melhor”, conclui.
A programação combina debates, oficinas, gastronomia, música e reflexões sobre consumo consciente. Entre os destaques, o Painel Eventos Sustentáveis – Do Planejamento à Entrega de Impactos Positivos, pré-COP, no dia 3 de outubro, em parceria com a OBME e o HUB ManaMov, fará o pré-lançamento do Manual de Boas Práticas de Eventos Sustentáveis, apresentado simultaneamente na Espanha, Argentina e Uruguai. “Estar na Bolsa, nesse espaço histórico, trazendo um debate internacional, é extremamente significativo”, afirma.
Conscientização
O festival recebeu a Certificação de Evento Livre de Carbono, em parceria com o Instituto Brasileiro de Defesa da Natureza (IBDN), garantindo a compensação das emissões por meio do plantio de árvores nativas da Serra do Mar. Além disso, o Instituto Supereco, com o projeto Tecendo as Águas, conduzirá oficinas e ações educativas sobre consumo consciente, descarte correto e valorização de recursos naturais.
O conceito de sustentabilidade permeia toda a cenografia, construída com materiais descartados e destinados a ecofábricas e projetos sociais após o evento. “Cada detalhe traz uma mensagem: o que parece resto pode se transformar em berço para uma criança. É descarte zero”, explica.
Entre os parceiros confirmados estão o Fashion Revolution, Senac Santos, Instituto Supereco e Rádio Saudade FM, responsável pela trilha sonora com clássicos dos anos 80 e 90. “Mais que uma feira, o festival é uma experiência. O imperdível não é só consumir produtos, mas compreender o propósito de cada detalhe, observar a cenografia e refletir sobre as mensagens. Queremos que o público perceba que não é apenas comércio, mas cultura e transformação”, conclui Gabriel.
No fim, a proposta é simples e poderosa: unir cultura, consumo e consciência. “Vivemos um momento de caos emocional. Precisamos tratar o tema com delicadeza, beleza e amor. Este projeto nasceu para dar coisas boas, trocar experiências e devolver à cidade parte do que a vida me deu. Santos tem tanto potencial criativo que merece receber esse conhecimento coletivo”, encerra.


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