
A cannabis medicinal ganha cada vez mais espaço no cenário nacional. Famílias descobrem alternativas terapêuticas, médicos ampliam conhecimentos sobre prescrições e os municípios criam políticas públicas para garantir acesso pelo SUS. Diante desse cenário, a cidade de Santos recebeu neste sábado (13), o primeiro festival canábico da região, o Crema Cultural, que já está na segunda edição. O evento, que acontece até domingo (14), é realizado no Parque Valongo (Av. Antonio Prado, s/nº), das 10 às 22 horas.
Para quem visitar o local, encontrará música, arte, gastronomia e conhecimento científico. As palestras sobre medicina canábica dividem espaço com apresentações culturais e feira de produtos. É necessário adquirir o convite por meio do site oficial, https://www.e-inscricao.com/cremacultural/cremacultural2025.
Para a organizadora do evento, Larissa Gonçalves, o Crema nasce da demanda por tratamentos complementares na região. O festival divide sua programação em quatro eixos: medicinal, comercial, cultural e justiça social.
“É muito importante que a gente consiga reconhecer como um espaço legítimo para discutir uma necessidade da população em saúde”, declara Larissa.
Ela ainda complementa com a programação de domingo. “Para amanhã, nós temos mesas principalmente voltadas para a qualidade de vida, para distúrbios do sono e para as doenças neurodegenerativas. Então, nós trouxemos especialistas de Minas Gerais, do Rio de Janeiro, de Santa Catarina, para abordarem a temática do uso medicinal na qualidade de vida. Então, a meu ver, domingo é um dia que promete, justamente pelos grandes nomes que nós trouxemos de todo o Brasil”, explica.
POLÍTICA PÚBLICA
O primeiro painel discutiu sobre a política pública. O deputado estadual Caio França (PSB), autor da lei que garante o fornecimento da cannabis medicinal no SUS, esteve no ato e atualizou sobre os avanços e desafios da legislação.
Segundo ele, atualmente, apenas as patologias contempladas na 1ª fase da lei são a Síndrome de Lennox Gastaut, Síndrome de Dravet e Esclerose Tuberosa. “Minha expectativa é que a gente inclua mais patologias. Estamos trabalhando para isso. Inclusive, essa foi a pauta da nossa última reunião da frente parlamentar na Alesp, a gente cobrou o secretário de Estado para que ele possa ter um olhar mais empático por esse tema”, declarou Caio.
O parlamentar também destacou que eventos como o Crema Cultural permitem ecoar o movimento e compartilhar experiências municipais, para que outras cidades repliquem iniciativas similares.
MEDICINA CANÁBICA
A primeira mulher prescritora da cannabis medicinal no Brasil e psiquiatra, Dra. Eliane Nunes, também participou do festival. Em 2015, ela prescreveu para uma criança autista do país com aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
A médica atua como diretora-geral da Sociedade Brasileira de Estudos da Cannabis Ativa, primeira entidade multiprofissional que busca pesquisa acadêmica na área. A organização mantém uma revista científica internacional para formação profissional e desmistificação do tema.
“Ainda hoje tem muito preconceito, especialmente contra os médicos prescritores de óleos artesanais”, observa a Dra. Eliane.


Deixe um comentário