Metrópole

Segunda fase do VLT só deve funcionar em dezembro de 2026

03/09/2025 Josi Castro
Fernando Yokota

 

BR Mobilidade, que assumiu a gestão em agosto, resolverá pendências em diversas áreas até lá

Mesmo com as obras da segunda linha do sistema de veículos sobre trilhos (VLT) entregues, os transtornos continuam. Após cinco anos de inconveniências com a implementação dos trilhos energizados e construção das 12 estações que compõem os oito quilômetros que ligam a avenida Conselheiro Nébias ao Valongo, moradores e comerciantes do entorno do trajeto sofrem com o modal que ainda não atende aquela população santista.

Com início das operações previsto para 2023, adiado para o primeiro semestre deste ano e novamente transferido para dezembro de 2026, a nova linha do VLT está sob responsabilidade da BR Mobilidade desde o início de agosto. O Governo do Estado, por meio da Secretaria de Parcerias em Investimentos (SPI), assinou um aditivo de contrato, em caráter de urgência, de R$ 395 milhões com a concessionária que opera nos modais intermunicipais da Baixada Santista, para cumprir com tarefas pendentes deixadas pela Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos (EMTU), estatal já extinta.

Até lá, as dores de cabeça com a estrutura, agora entregue, continuam. O mecânico de automóveis, Helio Alves, conta que tomou muito prejuízo com a obra. Perdeu movimento e clientes e, por isso, foi obrigado a trocar de endereço de sua oficina, saindo da rua Campos Melo e se instalando na rua Silva Jardim. Ele destaca que a falta de planejamento da obra prejudicou comerciantes da região.“Não tivemos tempo para nos adequar às mudanças na época. O VLT me afetou em 100%. Com o acesso restrito, perdi trabalho. O guincho chegava na porta e, como não tinha como descarregar, ele ia embora. E isso nos descredenciou de várias seguradoras”, conta.

O diretor da Associação de Moradores e Comerciantes da Campos Mello (Amoccan), José Santaella questiona o quanto de “dinheiro jogado fora” já foi dispendido nas obras do VLT. No contrato com a construtora Álya para a as obras de instalação estavam previstos custos de R$ 217 milhões. Com o novo aditivo, o investimento total poderá chegar a R$ 612 milhões. “Como contribuinte me sinto aviltado e desrespeitado. Foi um investimento mal gerido, mal calculado e mal aplicado. É uma obra que ainda não trouxe nenhum benefício para cidade, muito pelo contrário. Uma obra que era pra ser entregue em 2023 e agora teremos mais um ano e meio de dor de cabeça. Tem proprietário que não consegue dispor do imóvel nem para alugar”, comenta.

Moradores contam que costumam ver guardas civis municipais (GCMs) no trabalho de vigilância e proteção das estações do VLT ainda inoperantes. O Jornal da Orla procurou a prefeitura de Santos para saber sobre esta ação e, por nota, respondeu que “a segurança é responsabilidade do Estado, que tem total apoio do efetivo da Guarda Civil Municipal (GCM) e do videomonitoramento com mais de 3 mil câmeras da Cidade. A GCM segue fazendo rondas diuturnas em toda a Cidade e quando flagra atitudes suspeitas, os autores são conduzidos às autoridades policiais e/ou judiciais”.

Responsabilidade transferida
A segunda linha do VLT terá capacidade para transportar 35 mil pessoas por dia. De acordo com comunicado da SPI, a BR Mobilidade ficará com a responsabilidade de implantar a sinalização e comunicação semafórica, além de finalizar os sistemas de energia e telecomunicação e instalar os sistemas de incêndio e Wi-Fi – apontados como o único impeditivo para a circulação do modal na nova linha. A empresa também revisará os trabalhos feitos anteriormente pela EMTU, além de conduzir inspeções e testes. A verba será liberada pelo governo paulista conforme o avanço dos trabalhos. A fiscalização ficará a cargo da Agência Reguladora de Transportes de São Paulo (Artesp).

Uma terceira linha do equipamento está prevista para ligar as áreas Insular e Continental de São Vicente, que deve contar com mais 7,5 km de extensão e quatro estações. A nova linha deverá beneficiar cerca de 150 mil moradores da Área Continental que vêm para Santos todos os dias.

O Jornal da Orla procurou a Artesp e a BR Mobilidade em busca de mais informações e posicionamentos, mas não teve retorno até a finalização desta reportagem.