Economia

Esquadra da Força Marítima do Japão chega ao Porto de Santos

24/08/2025 Gustavo Klein
Fenando Yokota/Jornal da Orla

Os navios permanecem no Porto de Santos até quinta-feira e haverá programação de visitação

Na manha deste domingo (24), o Porto de Santos foi palco de uma cerimônia de forte simbolismo diplomático. A Esquadra de Treinamento da Força Marítima de Autodefesa do Japão chegou ao Brasil trazendo o navio-escola JS Kashima e o destróier JS Shimakaze. Os navios permanecem no Porto de Santos até quinta-feira e haverá programação de visitação nesta segunda-feira (25), das 14 às 16 horas no Cais da Marinha. A entrada é gratuita.

A recepção teve início com uma salva de 21 tiros de canhão trocados entre os navios japoneses e o navio-patrulha Maracanã, da Marinha do Brasil, nas proximidades da Ilha das Palmas.

Em seguida, as embarcações atracaram no Cais da Marinha, onde ocorreu a solenidade oficial de boas-vindas. A visita, que se estende até o dia 28, faz parte do tradicional cruzeiro de treinamento japonês realizado anualmente desde 1957 e integra as comemorações dos 130 anos do Tratado de Amizade, Comércio e Navegação entre Brasil e Japão.

O Kashima é o navio-chefe de treinamento da frota japonesa e foi construído especialmente para a formação de cadetes. Com 143 metros de comprimento e capacidade para receber cerca de 370 militares, entre tripulação e alunos, é equipado com sistemas de propulsão combinando motores a diesel e turbinas a gás e dispõe de armamento leve, como canhão de 76 mm e tubos de torpedo.

Seu convés de popa pode ser usado para formações ou pousos ocasionais de helicópteros, reforçando sua versatilidade. Desde o início da década de 1990, tem servido como principal embarcação do comando de treinamento japonês, participando de diversas viagens internacionais e exercendo papel importante na diplomacia naval.

O Shimakaze, por sua vez, foi incorporado originalmente como destróier da classe Hatakaze nos anos 1980 e reclassificado em 2021 como navio de treinamento. Projetado para operar com mísseis, teve papel ativo em exercícios conjuntos e missões de apoio, incluindo operações de busca e salvamento.

Também protagonizou episódios recentes de destaque, como o resgate de tripulantes em um acidente aéreo da Marinha dos Estados Unidos no Pacífico e a colisão com um barco de pesca chinês em 2020. Hoje, adaptado para a instrução de cadetes, integra a esquadra de treinamento japonesa que mantém o costume de visitar portos ao redor do mundo.

A presença da frota no Brasil vai muito além da diplomacia naval e inclui intensa programação aberta à comunidade, especialmente em Santos. Já nesta segunda-feira, o Kashima abre suas portas ao público das 14h às 16h, no Cais da Marinha, com entrada gratuita. A expectativa é de grande procura, já que será uma rara oportunidade de conhecer de perto a embarcação símbolo da formação militar japonesa.

Antes disso, pela manhã, militares japoneses participarão de um mutirão de limpeza de praia, em parceria com a prefeitura, no Emissário Submarino. Ainda no período da tarde, haverá um amistoso de futebol entre cadetes da esquadra e jogadores da Portuguesa Santista, no estádio da equipe, reforçando o caráter cultural e esportivo da visita.

 

As atividades continuam durante a semana, com destaque para São Paulo. Na terça-feira, as bandas da Marinha do Japão e da Marinha do Brasil se apresentam em concerto gratuito no Museu do Ipiranga. No mesmo dia, haverá intercâmbio esportivo de judô, em São Bernardo do Campo, e de kendô, na capital.

Na quarta-feira, marinheiros japoneses depositarão flores no Monumento aos Pioneiros da Imigração Japonesa, no Parque do Ibirapuera, e participarão de uma cerimônia de boas-vindas no Bunkyo, na Liberdade. A despedida da esquadra acontece na quinta-feira, com a partida dos navios do Porto de Santos.

A visita da frota japonesa não só fortalece a cooperação entre as marinhas do Brasil e do Japão, mas também aproxima a população da tradição naval nipônica. A abertura para visitação pública em Santos e os eventos culturais previstos oferecem uma oportunidade inédita de contato direto com a diplomacia marítima que há décadas conecta as duas nações.