
Delegados e especialistas defendem mais inteligência e maior estrutura para o combate
No segundo painel, que debateu sobre as “Estratégias para o combate ao crime na Baixada Santista”, foram destacados os desafios da Segurança Pública na região. A diretora da Associação dos Delegados de Polícia do Brasil, delegada Raquel Gallinati, defendeu a necessidade de mais estrutura nas forças de segurança. “A região tem um alto fluxo de pessoas principalmente na alta temporada, sem contar o movimento do maior porto da América Latina. Para que a gente possa combater os crimes com maior eficiencia, temos que ter adequação no contingente de policiais, tecnologia, armamento, doutrina e legislação. Sem isso, nossa guerra se torna e permanece assimétrica contra o crime”, aponta.
O delegado Marcelo Gonçalves, titular do 2º DP de Santos, concorda. “Ainda carecemos de desenvolver mais o serviço de inteligência policial. E esta deveria ser uma preparação do agente que vai trabalhar nas ruas desde a academia. Pois o crime organizado está sempre um passo a nossa frente. E falo isso como professor de investigação policial, com especialização nos Estados Unidos”, constata. “Se o policial não tiver condições de acompanhar esse raciocínio, essa forma como os criminosos se organizam, a gente sempre vai correr atrás do caso. Essa é a verdade. E isto é uma questão de priorização, de investimento e de cooperação entre as instituições”.
Para o advogado criminalista Emerson Tauyl, o assunto “segurança” é o “calcanhar de Aquiles” nacional. “Por exemplo, no tráfico, 66% das drogas negociadas dentro do país são comercializadas e liberadas através do Porto de Santos. Atado a isso, o poder aquisitivo no crime organizado é muito potente, e, logo, o assédio a pessoas de baixa renda, infelizmente se perdem por conta do caráter, acabam sendo angariadas. Temos agentes competentes, considerados como melhores no mundo neste combate, mas falta vontade política para aprimorar. Exportamos qualificação profissional, mas o respaldo jurídico é zero. Então, são coisas como essas que a gente se viu perder ao longo do tempo e precisamos ter um resgate”, avalia.


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