Esportes

Bruna Libório expande seus horizontes conciliando estudos e canoagem

17/08/2025 Matheus Vieira
Neto Ilhabela

A canoísta Bruna Libório, multicampeã e destaque da canoagem santista, está enfrentando novos desafios. Desta vez, fora das águas: a faculdade de fisioterapia. Segundo a atleta, este novo momento da sua jornada lhe ajuda tanto a expandir seus horizontes dentro da sua modalidade, para si e seus companheiros.

“Todo conhecimento, de manobras e conceitos, oferecido pela faculdade é muito válido. Eu acabo encaixando muitas coisas na minha própria rotina, porque agora entendi que são coisas benéficas. Acontece que, às vezes, nós, atletas, acabamos fazendo coisas que achamos ser corretas ou deixando de fazer coisas benéficas por não saber. Conhecimento é tudo e eu acho que isso vem transformando minha visão como atleta e até mesmo para ajudar outros atletas. Acredito que tudo se alinha e uma coisa completa a outra”, diz Bruna.

Aos 20 anos, ela conta que não é fácil conciliar a vida de atleta de alto nível com a de universitária. Logo quando ingressou na faculdade, Bruna treinava em São Bernardo do Campo e subia e descia a serra todos os dias, um período bastante difícil de sua trajetória. “Era conturbado, eu subia para treinar, passava o dia todo em São Bernardo e depois descia para estudar. Não me adaptei muito a essa correria e então decidi voltar a treinar em Santos e estou bem mais adaptada. Agora eu treino às 5h, vou para a faculdade, depois faço mais um treino, aí vou para o estágio e então mais um treino. Continua corrido, mas faz parte”.

Foto: Divulgação/Meta Va’a

Bruna atribui esse esforço ao amor que sente, tanto pela canoagem quanto pela fisioterapia. “Estou apaixonada pela área que escolhi na faculdade e pelo esporte. Não consigo me desvencilhar. É muito amor pelo esporte. Eu acredito que quando a gente busca algo, devemos fazer tudo para conquistar”, reflete.

De pai para filha

Antes de ser a atleta vitoriosa que conhecemos, ela era apenas uma criança acompanhando o pai e se aventurando. Ela afirma que se apaixonou pela modalidade graças aos “passeios” que fazia enquanto o pai, Jefferson Libório, praticava o esporte. “Eu remava com ele desde pequena, mas era algo lúdico, para conhecer as ilhas, o mar… Eu era atleta de natação, minha mãe dá aulas de natação, mas quando eu saí da piscina, fui conhecer a ONG do meu pai de maneira despretensiosa e gostei muito. Conforme o tempo foi passando, remar começou a fazer parte da minha rotina e foi ficando cada vez mais sério”, relembra.

Foi em 2019 que, com o apoio familiar, Bruna virou a chave. Ao saberem de uma convocação para a seleção brasileira através do campeonato brasileiro, decidiram que iriam se preparar para buscar a classificação. “Na época, meu pai era meu técnico, então a gente sentou, pensou como encaixaríamos a rotina de treinos junto aos estudos e deu tudo certo. Eu fiz um bom ciclo de treinamentos e acabei ganhando a vaga. Foi nesse momento que se tornou uma coisa profissional para mim”, conta.

Foto: Arquivo Pessoal

Desde então, a jovem atleta vem colecionando conquistas, dentre as mais notáveis estão o heptacampeonato brasileiro, o bicampeonato pan-americano e o campeonato brasileiro de velocidade. E, mesmo com tantas vitórias e o desafio da faculdade, Bruna ainda busca novos triunfos. “Sempre estamos em preparação e buscando mais. Eu gostaria muito de ganhar uma medalha em um Mundial. Existe um ranking que nos garante uma convocação para o mundial conforme a posição e eu consegui classificar para o próximo, que acontece na África do Sul, uma competição oceânica. Esse é meu foco. No entanto, esta modalidade não é olímpica, portanto, não é custeada pela seleção brasileira”, diz.

Plural, Bruna também está de olho em competições de canoa havaiana e caiaque K1, modalidade olímpica para provas de velocidade, embora encontre algumas limitações devido à geografia da cidade. “Aqui é difícil treinar o K1 porque é um barco mais voltado para rios e lagos, mas nada impede que eu viaje para praticar em outras cidades. As olimpíadas são muito importantes, é o sonho de todo atleta.”, finaliza.