
Comprar a casa própria continua sendo um dos maiores desafios financeiros dos brasileiros. Entre prestações que consomem grande parte do salário, valores de entrada cada vez mais altos e juros em constante oscilação, o sonho da chave na mão muitas vezes fica apenas no planejamento. Um balanço do Instituto Datafolha, 93% da população que vive de aluguel quer adquirir a casa própria. O levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PnadC) mostra que o Brasil registra déficit habitacional de 6.215.313 domicílios.
Em geral, o déficit resulta de três fatores: ônus com aluguel quando famílias comprometem mais de 30% da renda com moradia; habitações precárias, inseguras e insalubres e coabitação com mais de uma família por domicílio sem espaço ou privacidade.
A predominância desse déficit ainda ocorre em famílias com até dois salários-mínimos de renda domiciliar.
Uma das saídas para a aquisição do próprio imóvel, tem sido o Programa Minha Casa, Minha (MCMV), do Governo Federal, que no ano passado fechou com 1,26 milhão de unidades contratadas. Com o lançamento da quarta faixa do MCMV, o programa foi relançado com aumento de limite de renda, taxas de juros mais baixas e aumento de subsídios, atendendo famílias com renda de até R$ 8 mil mensais.
Em São Paulo, o programa Casa Paulista disponibilizou, no ano passado, 12.349 moradias para famílias com renda de até três salários-mínimos. O financiamento dos imóveis ainda prevê juros zeros para famílias com renda mensal de até cinco salários-mínimos, com parcelas corrigidas apenas pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) durante 30 anos.
RENDA INSUFICIENTE
A jornalista Mariana Garrido, integra o grupo de brasileiros sem casa própria. “Ainda estou juntando dinheiro. Vou aos poucos, pois o salário tem que dar também para as demais despesas. Estou na luta como a maioria dos jovens”, afirma a moradora do Guarujá.
E não é diferente para a bióloga marinha, Giovanna Archidiacono. Ambas representam a grande parte da população que adiam a aquisição devido as limitações financeiras.
“Pretendo comprar, mas estou procurando a melhor oferta”, afirma Giovanna, que analisa diferentes regiões para avaliar preços menores. Ela ainda diz, “esse é meu grande sonho e do meu marido. Temos muito apoio familiar, mas eu não tenho dúvidas de que teremos muito desafios”, diz
A SORTE A FAVOR
Trata-se de uma exceção, mas há casos de sorte à favor. É o caso do mecânico aposentado, de 48 anos, residente de Vicente de Carvalho, no Guarujá, Rosemberg Estevão da Silva.
Durante anos, ele residiu com a esposa e as duas filhas na casa do sogro. Conseguiu adquirir a casa própria após ser contemplado com prêmio de R$ 250 mil, por meio de um título de capitalização. Ele conta que há cinco anos comprava o “HiperCap” em nome de familiares, incluindo a filha Maria Beatriz, que foi a sorteada.
“Quando me ligaram, no momento, não acreditei. Ligaram novamente e avisaram que iriam à minha casa, e eu falei, ‘pode vir’. Achei que era trote”, relembra o mecânico. A confirmação veio quando Maria Beatriz avisou sobre a presença da equipe na residência. A família adquiriu o imóvel pelo valor exato da premiação, encerrando anos de dependência habitacional.


Deixe um comentário