
“O poder público deve investir cada vez mais em mobilidade, para que haja um crescimento consolidado na Baixada Santista, não só na construção civil, mas na economia como um todo”. A frase do CEO da Credilar Construtora, Sérgio Leal, marcou a segunda edição do BS Debate, uma iniciativa do Jornal da Orla e da Record Litoral e Vale, em parceria com a Associação Comercial de Santos (ACS), que aconteceu na sede da associação e debateu sobre questões de Urbanismo – Mercado Imobiliário na Baixada Santista e Arquitetura Inclusiva.
Além de Leal, no painel sobre Mercado Imobiliário, participaram o vice-presidente da Associação dos Empresários da Construção Civil da Baixada Santista (Assecob), Lucas Teixeira; a diretora-geral da Âncora Construtora, Angela Creg; o coordenador institucional da Sobloco Construtora, Paulo Velzi; e o coordenador da Câmara Setorial de Construção Civil da ACS, José Ramón Crego.
No painel sobre Arquitetura Inclusiva, debateram a especialista em Arquitetura Humanizada e membro do Instituto dos Arquitetos do Brasil, Shirley Vedovate; a membro do Conselho de Arquitetura e Urbanismo, Mel Godoy; Daisy Gonçalves, arquiteta da Secretaria de Meio Ambiente de Santos; além da especialista em Arquitetura Sensorial, Ana Paula Charcur, que falou por videoconferência.
No primeiro segmento, os participantes destacaram pontos importantes, como a necessidade de criar mais capacitações de mão de obra, a falta de profissionais de nível técnico no mercado local, a desburocratização de processos nos lançamentos de edificações, questões sobre verticalização de empreendimentos, além do desenvolvimento sustentável e preservação ambiental. Também foram apontados os atuais desafios do setor, como a queda do movimento na comercialização de imóveis e os altos índices de juros no crédito, tanto na construção civil quanto para quem financia a compra de seu novo lar.
“Pelo construtor, haveria muitas mudanças. As regras atuais, independentemente se forem de ente federal, estadual ou municipal, não são ideais, porque não atingem todos os aspectos que gostaríamos que todo potencial construtivo dos terrenos alcançasse. Mas a gente entende que o que temos faz parte de um equilíbrio, que é necessário para o interesse da sociedade dentro do posicionamento urbano. Em Santos, por exemplo, existe uma escassez de terrenos e uma alta demanda de consumo, o que interfere no preço dos imóveis e afasta os interessados”, relatou Angela Creg. “Acredito que debates como este trazem pontos importantes para serem discutidos e que essa mensagem consiga alcançar o poder público”, avaliou.
Para Paulo Velzi, iniciativas como o BS Debate são importantes. “Reunir pessoas que possam pensar e ajudar o setor, que se unam e troquem ideias para que as coisas funcionem. Precisamos levar ao poder público às nossas necessidades. Eventos assim ajudam a ampliar nossa voz, além da troca de saberes e conhecimentos, já que nossa região é plural em suas características. Há cidades adensadas, outras nem tanto, algumas muito ricas, outras sem muita verba para investimento. Acho que deveria haver outros debates iguais a este”, pontuou.
Lucas Teixeira concordou. “O evento reuniu empresários com trajetórias e experiências distintas em seus empreendimentos. Apesar das diferenças, temas como a escassez de mão de obra qualificada, a burocracia e os desafios relacionados a crédito e financiamento impactam a todos de forma semelhante. Discutir o setor é sempre relevante, além de promover a troca de informações e visões entre os participantes. Essas conversas também ajudam a conscientizar a sociedade sobre a importância da construção civil para a economia do país”.
SENSIBILIDADE E ACESSIBILIDADE
No painel que discutiu a Arquitetura Inclusiva, as participantes apontaram a falta de sensibilidade de alguns setores do comércio e de serviços em adequar seus estabelecimentos de forma acessível a quem possui algum tipo de necessidade especial.
“Existe uma questão de legislação, de realizar leis que obriguem esses estabelecimentos a regularizarem nossa acessibilidade. E nós temos um problema, tanto no setor público quanto na indústria, de seguir essa obrigatoriedade. E isso, na verdade, deveria ser uma iniciativa própria e não uma obrigação. Mas foi uma discussão muito importante. Houve esse debate, que abordou um tema muito significativo, em que poucos locais oferecem essa abertura”, destacou Daisy Gonçalves, que é cadeirante.
Shirley Vedovate alertou para os desafios que Santos pode enfrentar nas próximas décadas. “Sabemos que, hoje, a Cidade conta com um terço da população composta por idosos. É um público muito grande. Daqui a aproximadamente 30 anos, esse índice pode aumentar para 47%, já que muita gente está deixando de ter filhos. E como vai ser nosso município quanto à acessibilidade dessas pessoas, que, por questões naturais e degenerativas, já têm uma certa dificuldade de se locomover? A gente precisa pensar em ambientes que atendam a todos, desde aquele que tem uma deficiência temporária até a quem se utiliza de tecnologia assistiva para conseguir se locomover”, explicou. “Questões de acessibilidade precisam ser divulgadas para conscientizar cada vez mais pessoas”.
Os painéis da segunda edição foram acompanhados por cerca de 80 pessoas presencialmente. Já a audiência pelo Orlaplay chegou a picos de cerca de 720 pessoas. O próximo BS Debate já tem data marcada. Será no dia 26 de agosto, também na ACS e o tema das discussões será sobre Segurança Pública.


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