Cena

Carrossel de Baco celebra 20 anos com show especial no Sesc

30/07/2025 Isabela Marangoni
Divulgação

Mistura de música, poesia, performance e raízes da cultura popular brasileira. Essa é a essência do Carrossel de Baco, grupo santista que completa 20 anos de trajetória em 2025 e celebra a data com uma turnê nacional, que inclui um show gratuito no Sesc Santos hoje (30), às 20 horas. A apresentação marca o retorno da banda ao palco onde lançou seu primeiro disco, em 2010, e simboliza uma história construída com originalidade, resistência artística e forte elo com a Baixada Santista. Os ingressos estarão disponíveis 1h antes para a retirada na bilheteria local.

O grupo nasceu da inquietação criativa do ator, cantor e compositor Danilo Nunes. “Surgiu há 20 anos, ainda com outra formação. Na época, eu participava do Teatro do Pé e, com outros músicos, começamos a experimentar a junção entre música e cena. Mas a banda se estruturou de verdade a partir do projeto Carrossel das Artes, no Torto MPBar, com o apoio fundamental dos produtores Michel Pereira e Laura Ribas”, relembra.

De lá para cá, o Carrossel de Baco lançou três discos — Carrossel de Baco (2010), Os Brasis da Minha Ilha (2015) e Barracos (em parceria com a Banda Querô, do Instituto Arte no Dique) — e consolidou uma proposta musical que transita por ritmos como samba de roda, xote, maracatu, axé, rock e Tropicália, com arranjos próprios e canções autorais ou de compositores da região.

Da cena ao som

O teatro sempre foi uma base forte na trajetória de Danilo, e essa herança cênica ainda reverbera nos palcos. “No início, era um ator que cantava com músicos. Com o tempo, a música se tornou o centro da minha vida. Fui estudar violão, me tornei compositor. A banda deixou de ser cênico-musical para se tornar musical-performática. E tudo que o teatro me ensinou — o gesto, a luz, a comunicação com o público — eu levo comigo até hoje”, afirma.

A formação atual reúne Danilo nos vocais, Paulo Faria no baixo, Anderson KB na bateria, Daniel Simonian na guitarra e backing vocal, Rei Vieira no teclado e Edson Kbeça na percussão.

Resistência e identidade

Mais do que entreter, o Carrossel de Baco surgiu com o propósito de valorizar a música autoral e as vozes do território. “Desde o início fazemos questão de tocar músicas nossas ou de compositores daqui. Já tocamos para meia dúzia de pessoas, já lotamos teatros, mas sempre com o nosso repertório. Essa é a nossa maior conquista: manter a essência, mesmo rompendo fronteiras, como quando nos apresentamos no Centro Cultural São Paulo ou na Virada Cultural”, pontua Danilo.

Nomes como Zéllus Machado, Edy Star, Márcio Pavesi, Conrado Pouza, Bruno De La Rosa e Ederson Santos — entre muitos outros — fazem parte da história da banda. “O Carrossel já não é só nosso. Ele carrega muitas histórias, vozes e esperanças”.

Ritmos e raízes

A inspiração na cultura caiçara está presente como homenagem e referência. “Não fazemos música caiçara no sentido tradicional, mas essa cultura nos atravessa. Estamos nesse território, e ele nos influencia. É uma forma de reconhecimento e de escuta dessas comunidades”, explica Danilo.

O processo criativo é coletivo. “Cada disco teve um processo diferente. Hoje a gente está muito mais junto. Às vezes eu componho uma música, o Paulo manda uma linha de baixo, outro coloca uma harmonia… tudo nasce ali, entre nós”.

Entre as canções mais marcantes estão Legado, O Tatu, Sonho Nordestino e Esperança. “Essa última nasceu de um momento cotidiano, quando um inseto esperança ficou dias em casa. Quando ele morreu, fiz a música pensando nas comunidades, no mangue, nas pessoas juntas. É sobre isso”.

Celebrar e seguir

Para Danilo, comemorar duas décadas de Carrossel de Baco no Sesc Santos tem um valor simbólico profundo. “O Sesc foi onde lançamos nosso primeiro disco. É um polo da cultura na Baixada e nos ajudou a entender a arte como trabalho. E o público também faz parte disso”.

A turnê inclui apresentações em outras unidades do Sesc, como Santo André, onde o grupo dividirá o palco com Daniel Gonzaga, Anastácia e outros convidados. E o futuro já está sendo escrito. “Temos músicas inéditas prontas para lançar. Os próximos passos são romper fronteiras e criar pontes ainda não criadas”.

Aos jovens músicos, Danilo deixa um conselho direto e inspirador. “Façam com o coração. Se tiver uma pessoa na plateia, cante como se fossem mil. Não deixem que os outros digam o que vocês são ou não. A arte é construção, é resistência. E o palco, se for verdadeiro, sempre vai acolher”.

 

SERVIÇO

  • Quando: hoje, 30 de julho
  • Horário: 20 horas
  • Onde: Rua Conselheiro Ribas, 136, Aparecida, Santos
  • Entrada: gratuita