Esportes

Nathan Torquato: O paratleta que desafiou seus limites e conquistou o mundo

23/07/2025 Eduardo Silva
Thiago Apolinário

Em 2014, Nathan Torquato tinha 13 anos. Era um garoto cheio de sonhos, que conquistou a vaga para o Campeonato Mundial, no Azerbaijão. Depois de garantir a vaga, ele e a família enfrentaram uma verdadeira maratona para arrecadar dinheiro para aquela viagem.

Com a mãe Rose, a irmã Nicole e os avós maternos, Maria e Sílvio, eles foram para a rua e fizeram muitos “pedágios” nos semáforos da vida. Enquanto os avós seguravam a faixa, Natan e a irmã Nicole faziam apresentações pelas esquinas de ruas e avenidas. Um esforço coletivo que iria servir para o menino mostrar ao mundo todo o seu talento no esporte.

Já era uma façanha o Nathan ter garantido a vaga, porque ele disputava as lutas no taekwondo convencional, mesmo tendo nascido sem o antebraço esquerdo. Só que, depois da pesagem, pouco antes de entrar em combate, tudo aquilo que Nathan e a família idealizaram foi destruído em segundos por dirigentes que o proibiram de competir por ser uma pessoa com deficiência.

“Ninguém imaginava que isso pudesse acontecer. De uma pessoa com deficiência se classificar. Hoje eu sei que aquele momento é que me tornou campeão paralímpico e não foi só o treinamento antes de Tóquio. Foi um divisor de águas na minha carreira. Foi bem difícil, mas hoje eu vejo com bons olhos”, disse Nathan em entrevista ao Orla Esportes, na Rádio Santos.

O garotinho cresceu, foi de vez para o taekwondo paralímpico, ganhou títulos e teve um encontro que mudou de vez a sua vida: com o Mestre Rodney Saraiva.

“A mudança maior, quando eu comecei no esporte paralímpico, foi quando eu conheci o Mestre Rodney. Ele me fez entender que eu era uma pessoa capaz de alcançar grandes resultados, não só de ser um bom atleta. Ele colocou na minha cabeça que eu poderia ser o principal atleta do mundo e foi o que aconteceu”.

Daí em diante, Nathan sempre frequentou as primeiras posições do ranking mundial. Foi o primeiro brasileiro a ganhar uma medalha de ouro no taekwondo paralímpico, em Tóquio-2020. Três anos depois, tinha tudo para buscar o bicampeonato dos jogos em Paris, mas na reta final teve uma contusão grave no joelho esquerdo que o tirou da Paralimpíada.

Já são 11 meses entre cirurgia, recuperação e o início dos treinamentos. Sempre com o apoio da Rose, Nicole e da noiva Marcela.

Nada tira o foco deste grande para-atleta, que vai voltar a competir no Mundial de novembro, que ainda não tem local definido.

E não duvide do Nathan, porque ele tem muita técnica, força física e mental e determinação.

“Vai ser a minha primeira competição, vai ter um frio na barriga a mais, uma tensão a mais, só que eu não posso deixar de entrar lá com a medalha de ouro em mente. Não tem jeito”.

E você lembra do início desta reportagem, quando Nathan foi proibido de lutar no Mundial do Azerbaijão porque era um atleta com deficiência num campeonato de taekwondo convencional?

Pois bem: em 2023, nove anos depois daquela frustração, ele recebeu um convite especial.

“Eu fui convidado para retornar ao Azerbaijão na comemoração dos 50 anos da Federação Mundial de Taekwondo. Era numa arena de eventos maravilhosa e eu fui chamado com os melhores atletas de todas as edições dos Jogos Olímpicos para receber o prêmio de melhor atleta paralímpico de Tóquio. Justamente naquele país em que fui proibido de lutar”.

Nada acontece por acaso na vida de ninguém, ainda mais de um grande campeão.

Aquele menino sabia muito bem o que pretendia fazer na vida. Seguiu os conselhos do Mestre Rodney e, depois de um momento difícil, encarou a vida e levou adiante um ensinamento que recebeu do próprio mestre:

“Os nossos dias ruins têm que ser melhores do que os dias bons dos nossos adversários. E a gente tem que treinar para isso. Treinar bastante”.

Foi assim que se tornou campeão paralímpico.

E pode anotar: virão muitos outros títulos importantes pela frente.