Política

Candidato da direita não virá da família Bolsonaro

22/07/2025 Marco Santana
Candidato da direita não virá da família Bolsonaro | Jornal da Orla

Os crimes que tornaram o ex-presidente Jair Bolsonaro réu em ação penal e a atuação do filho dele, Eduardo, nos Estados Unidos, estão minando as possibilidades dos partidos da direita e extrema-direita apoiarem um candidato oriundo da família Bolsonaro para as eleições à Presidência, em 2026.

“Acredito que o nome da direita não virá mais da família Bolsonaro”, afirmou a cientista política Christiane Disconsi, durante participação no programa Orla Notícias (Rádio Santos FM, 95.5), ontem (21). Ela ressaltou que “não há clima”, pois o ex-presidente está sendo acusado de cinco crimes diferentes: tentativa de golpe de estado, abolição violenta do Estado democrático de direito, associação criminosa, coação no curso do processo, falsificação ideológica e uso indevido de documentos.

“Com essa ficha e o filho dele, atuando nos Estados Unidas, e todo esse imbróglio que começou em 9 de julho, com a carta do Trump. São desdobramentos. O Bolsonaro era só uma peça para taxar o Brasil, por conta das big techs, dos BRICS. Foi colocado no caldeirão para que o Trump tivesse um apoio aqui no país. Para muitos pode parecer exagero, mas se olharmos a questão legal, está tudo dentro da lei. A Justiça brasileira está vendo uma possibilidade de ele fugir”, disse.

Porém, Christiane reconhece que a situação é delicada, porque “há uma sucessão de fatos acontecendo” e o cenário muda rapidamente. “Há um mês, estávamos falando de IOF e, agora, acabou esse assunto. O Brasil não está priorizando a negociação com os Estados Unidos e temos dependência comercial, são nosso segundo maior parceiro comercial. A gente precisa botar os pés no chão, porque é uma questão que vai prejudicar todos, todo o setor produtivo. Não estou defendendo que o Brasil deve anistiar Bolsonaro para agradar Trump, mas deve haver uma atitude da diplomacia brasileira, pois o 1 de agosto está aí.”

Processo legal

Também convidado do Orla Notícias de ontem (21), o cientista político Ronaldo Ferreira ratificou que as medidas cautelares contra o ex-presidente estão dentro do que a legislação brasileira prevê, uma vez que se trata de réu em ação penal. E lembrou, ainda, o caso da ex-deputada Carla Zambilli que, condenada, fugiu do país. “Todo desdobramento do processo nos leva a uma condenação. Mas há sinalização de que Jair Messias Bolsonaro, de alguma maneira, não pretende cumprir a pena que lhe será aplicada, porque o que ele e seu filhos fazem hoje é desafiar as instituições democrática nos seus limites. Vale dizer que as medidas são decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), mas foi a Polícia Federal (PF), a pedido da Procuradoria Geral da República (PGR), que solicitou ao judiciário as medidas cautelares, pois o réu estava comprometendo o processo.”

Capital político

Apesar dos últimos acontecimentos, nenhum dos analistas arriscam pisa firma neste cenário escorregadio. “O Brasil, hoje, tem dois nomes que são carismáticos, gostem ou não: Lula e Bolsonaro. São os grandes eleitores de 2026 e tudo vai passar por eles. Bolsonaro tem suas restrições – está inelegível, por decisão do Tribunal Superior Eleitoral (YSE) –, mas será muito importante no processo”, diz Ronaldo Ferreira.

“O Lula estava com popularidade em baixa e os índices caindo a cada minuto. Com essa virada da carta do Trump, de 9 de julho para cá, muita coisa mudou. E até 2026, muita coisa pode acontecer. Acho que não tem mais clima para uma candidatura da família Bolsonado, mas tudo pode acontecer”, complementa Disconsi.

Ronaldo lembra que até a situação nos Estados Unidos pode mudar, pois, de acordo com ele, com seis meses de governo, Donald Trump tem 46% de aprovação e 53% de desaprovação. “O governo Lula tem problemas políticos sérios, mas manteve os ministérios na mão.