Metrópole

Dengue cresce e acende sinal de alerta na Baixada

17/07/2025 Josi Castro
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Números mostram que cinco das nove cidades estão em estado de epidemia

Os números de registros casos confirmados de Dengue aumentaram exponencialmente na primeira metade de julho em todas as cidades da Baixada Santista. Levantamento feito pelo Jornal da Orla junto às prefeituras das nove cidades da região detectou aumento de 28,9% no total de casos confirmados nestes primeiros 16 dias do mês, passando de 8.098 casos no final de junho, para 10.513 casos confirmados até quarta-feira (16). Desde o início do ano, a região acumulou 17 óbitos pela doença (0,16% de letalidade).

Em números absolutos de casos, Santos lidera com 1.015 novos casos confirmados registrados em julho, seguido por São Vicente (406) e Guarujá (402). Em porcentagem de aumento de casos, Mongaguá está na frente da estatística, com um aumento de 144%, passando de 120 confirmações para 293. Na sequência vem Praia Grande (59,29%), embora a doença só tenha atingido 0,20% da população. A seguir, praticamente empatadas estão São Vicente (35,99%), Santos (35,56%) e Cubatão (35,22%). A cidade com menor incidência da região é Bertioga com 46 casos registrados (0,06%) da população.

No entanto, segundo o Núcleo de Informações Estratégicas em Saúde do Estado de São Paulo (Nies), cinco das nove cidades da região ainda estão em estado de epidemia (classificação adotada quando a taxa de incidência ultrapassa 300 casos por 100 mil habitantes). Considerando esta tabela, a situação mais grave está em Guarujá (959,81), seguida por Santos (925,33), Itanhaém (661,20), Peruíbe (575,16) e São Vicente (464,74). Segundo o Nies, os sorotipos que circulam na região são os dos tipos 1, 2 e 3. Não há registro de casos confirmados do tipo 4 em nenhum município da metrópole.

Cidades fazem o que podem:

A Prefeitura do Guarujá informou que a cidade registrou baixa de 69% nos casos de dengue de janeiro a junho de 2025, em comparação com o mesmo período do ano passado – 2.623 contra 8.450. Em nota, o poder público informa que há na cidade um trabalho contínuo com foco na eliminação de criadouros do Aedes aegypti e no controle do mosquito transmissor. “Atualmente, 128 pontos da Cidade são monitorados com a estratégia de introdução de peixes barrigudinhos em locais com acúmulo de água parada, como piscinas desativadas, obras e poços de elevador”, aponta o comunicado.

A Prefeitura de Santos divulgou que, nesta semana, cerca de 130 agentes de combate a endemias estão nas ruas visitando imóveis e eliminando larvas do mosquito para a terceira etapa do ano da Avaliação de Densidade Larvária (atividade que identifica locais com maior infestação para direcionar ações de prevenção e controle vetorial). Além da visita, estes estão voltados à entrega de material educativo e conscientização sobre a dengue, zika e chikungunya, além do monitoramento das 481 armadilhas distribuídas na cidade. A prefeitura também informa que a vacinação contra a dengue segue disponível nas policlínicas, para crianças e jovens de 10 a 14 anos, de segunda a sexta-feira, das 9 às 16 horas. O esquema vacinal é composto por duas doses, sendo a segunda aplicada 90 dias após a primeira.

Também por meio de nota, a Secretaria de Saúde de São Vicente (Sesau) destaca que “vem realizando diversas ações para o controle e a redução dos casos na Cidade”. Estas incluem vacinação, campanha de conscientização junto à população para a prevenção de focos do mosquito transmissor e mutirão dos agentes de combate a endemias que vistoriam residências e endereços comerciais a cada três meses em todos os bairros do município e, quando há casos detectados, a cada 15 ou 30 dias. “De janeiro a junho deste ano, foram eliminados mais de 27 mil focos de Aedes aegypti”, diz o comunicado.

O Serviço de Vigilância Epidemiológica de Cubatão (SVE) apontou que desde o início da vacinação contra dengue em crianças e adolescentes de 10 a 14 anos foram aplicadas na cidade 5.729 doses do imunizante. “A cobertura está em 50,63% para a primeira dose e 22,60% para a segunda dose. A população alvo é formada por 7.822 pessoas”, informa.

A Prefeitura de Itanhaém disse que “segue intensificando as ações de combate à dengue com diversas medidas preventivas, como visitas pelos agentes de saúde, bloqueios em áreas estratégicas, atividades educativas em escolas e eventos, além do monitoramento de imóveis especiais e pontos de risco na cidade”. A nota também informa que desde o início de julho, implementou o 3º ciclo da Avaliação de Densidade Larvária.

A Secretaria de Saúde de Peruíbe reitera que continua com as ações preventivas, disseminando informações para a população, realizando bloqueio de criadouros de Aedes aegypti. “Mais de 5 mil residências foram trabalhadas no primeiro semestre, com eliminação de foco e nebulização intradomiciliar. Foram visitados 20 mil imóveis residenciais, além das atividades em prédios especiais (espaços com grande circulação de pessoas, como as escolas, por exemplo) e pontos estratégicos (locais com grande probabilidade de proliferação do vetor, como borracharias e postos de reciclagem)”.

A Secretaria de Saúde Pública de Praia Grande (Sesap) informa que os dados registrados no primeiro semestre de 2025 indicam queda em relação aos números apontados no mesmo período do ano passado. “Em 2024, foram registrados 2231 casos e 6 óbitos. Isso mostra uma forte redução”, aponta. A pasta destaca ainda que, “em maio, o índice larvário realizado apresentou uma redução de 70% em relação aos dados levantados em janeiro, fruto de diversas ações desencadeadas pela Sesap nos últimos meses”.