Política

Caio França quer dobrar vagas do PSB em Brasília e mira reeleição

17/07/2025 Marco Santana
Caio França quer dobrar vagas do PSB em Brasília e mira reeleição | Jornal da Orla

O deputado estadual Caio França (PSB) vai disputar a reeleição para a Assembleia Legislativa de São Paulo, em 2026. Mas trabalha com a expectativa que seu partido consiga ampliar o número de deputados nos legislativos estadual e federal. França admite que pode não ser o único candidato da legenda, no entanto, não nega que negociará para evitar a diluição de votos.

“A expectativa do PSB é ter também candidatura à Câmara Federal na região e não há restrições, caso surjam candidatos à Assembleia. Mas a ideia não é ter vários candidatos, com nomes em todas as cidades, para não dividirmos votos em um espaço pequeno. Não vou inviabilizar a candidatura de ninguém, mas estamos conversando, porque a expectativa nossa é ampliar a bancada de deputados estaduais e federais”, afirmou Caio França, durante participação no programa Orla Notícias (Rádio Santos FM, 92.5), na manhã de ontem (16).

Obviamente, o deputado conta com o impulso que possa receber como reflexo da campanha do pai, o atual ministro do Empreendedorismo Márcio França, pré-candidato ao governo de São Paulo. “Ele tem baixa rejeição e esperamos juntar outros partidos nessa frente partidária”.

Durante cerca de uma hora, Caio França conversou com a jornalista e apresentadora Adriana Cutino e o editor de política do Jornal da Orla, Marco Santana. Aqui, alguns destaques da entrevista:

Novos pedágios
Não faz sentido termos 11 totens numa região litorânea que depende do turismo e onde a rodovia, a Padre Manoel da Nóbrega, é praticamente uma grande avenida para quem vem a Santos, São Vicente, Praia Grande. Então, há uma preocupação enorme. Não sou contra a modernidade. Se fosse a substituição dos pedágios, do modelo antigo para esse novo, sem cabines, para mim não teria problema. A grande questão é que não é substituição, são novos pedágios
Temos feito várias ações na tentativa de convencimento, de forma respeitosa, com o governador Tarcísio de Freitas, para que ele possa repensar. Sinceramente, não tenho visto vontade por parte do governo de rever essa posição. Também temos algumas ações do ponto vista jurídico – ingressamos com ação no Tribunal de Contas e no Tribunal de Justiça – e do ponto de vista legislativo – protocolamos, com outros deputados, um projeto de decreto legislativo, que suprime o decreto do governador que criou os pedágios.
Importante esclarecer que são pedágios no sistema ´free flow`. São pórticos instalados pela pista, como se fossem radares. Não tem a cabine. Você passou pelo pórtico, sua placa é registrada e será feita a cobrança do pedágio. Caso você não pague, vem a multa por evasão de pedágio. Esperamos que o governador faça uma revisão, pelo menos como fez em outras regiões: olha, não serão 11, mas seis, por exemplo. Não é como queremos, mas já é uma sinalização de que não dá para ser do jeito que ele está imaginando.
Passei, no último sábado, no trecho entre Itariri e Miracatu e os pórticos estão instalados. Está chegando, está avançando. Percebo que este é um assunto que incomoda o governador. E todas as vezes que é questionado, ele prefere falar dos investimentos que virão em contrapartida disso, mas que são muito pequenos perto do impacto que vai ter.

Falta investimentos
O governador tem um perfil de grandes obras. Ele se concentra nas obras de logística, que são importantes, claro. Mas se você olhar com profundidade, os convênios com os municípios estão muito aquém do necessário. Óbvio que prefeitos e lideranças acabam falando pouco sobre isso, porque ninguém quer se indispor com o governador. Mas se você for fazer uma análise regional, é importante lembrar que os principais projetos que estão sendo executados na região têm uma relação minimamente repartida. O túnel Santos-Guarujá é metade do governo federal, metade do governo do estado. O Tarcísio, sabiamente, meio que concentra as atenções para ele. Da mesma forma é a construção do aeroporto civil metropolitano no Guarujá: dos R$ 30 milhões, R$ 20 milhões são do governo federal e R$ 10 do Estado. Ainda assim, ele faz vídeo, repercute positivamente.

A grande obra que está acontecendo na Baixada Santista, hoje, ligada ao governo do Estado, é a do VLT, que tem causado muitos problemas aqui em Santos, porque teve problemas na obra, ainda não concluída. E a extensão para a área continental de São Vicente, que é muito importante. O restante é de coisas muito pontuais. Agora, com muito esforço, nós conseguimos convênio para dois hospitais que já estão construídos, um em Bertioga, outro em Peruíbe. E, na verdade, ele celebrou a manutenção do convênio com o Hospital dos Estivadores, que já existia e foi renovado, inclusive, ficando algumas parcelas para trás.

Sabesp privatizada
Para quem disse que iria universalizar o saneamento básico e entregar um serviço melhor, com mais qualidade, eu não vejo nada. Ontem mesmo, o vereador Adilson Jr. falou de uma obra da Sabesp na Zona Noroeste, onde foram fazer reparos em algumas ruas e simplesmente arrumaram metade da rua e a outra metade está com o asfalto antigo.
A Sabesp continua com os mesmos problemas que tinha antes, só que agora ela é privatizada, mas, durante esses dois primeiros anos, é subsidiado com dinheiro público. Então, muito em breve o valor vai aumentar na conta de água e de esgoto. E haverá um impacto negativo recaindo sobre o governador. A gente torce para o Estado ir bem, ainda que eu tenha uma postura de independência em relação a ele, eu torço para que as coisas vão bem. Mas acho que as coisas precisam ser olhadas com uma lupa, porque o governador consegue capitalizar em obras que têm custo dividido com o governo federal.

Segurança pública
A cobrança por mais segurança é praticamente permanente, porque as polícias Civil e Militar com efetivo defasado, poucas delegacias funcionam 24 horas. Inclusive, eu vi algumas ações do governo do Estado muito mais como marketing – do tipo ´tiro, porrada e bomba` –, mas do ponto de vista real, o sentimento de insegurança ainda permeia a região. Não houve uma mudança significativa em relação a isso, a não ser naquele período da Operação Verão, mas que já é algo corriqueiro: de dezembro até final de fevereiro, a gente tem mais policiais nas ruas.
Eu defendo basicamente todas essas ações. Vejo com bons olhos programas como o SmartSampa, em São Paulo. Só que: quais cidades têm capacidade para fazer investimentos como a capital tem? As cidades que têm orçamento menor ficam sempre para depois. Então, quem sabe o governo do Estado possa pensar em um modelo para contemplar a todos.

Ligação com o planalto
O governo apresentou projeto de terceira pista que está em fase de licenciamento e tem nosso apoio. Confesso que eu não entendo por que aquela ligação Itanhaém-Parelheiros não pode ser uma ligação. Considero que é uma alternativa pouco falada, mas deve ser pensada. Parece que a distância Itanhaém-Parelheiros é muito pequena. Gostaria que esse assunto voltasse à tona, mas não vejo muita perspectiva. Claro, são obras caríssimas e demoradas (cinco, seis anos).