Cena

‘Casas Estranhas’, um fenômeno literário: 30 mil exemplares no Brasil

10/07/2025 Da Redação
Reprodução

Fenômeno do terror japonês, Casas Estranhas, do misterioso Uketsu, chegou ao Brasil pela Intrínseca em maio de 2025 e já conquistou quem gosta de sentir o frio subir pela espinha. Com mais de 1,5 milhão de exemplares vendidos no mundo, o livro mistura arquitetura, ocultismo e aquela estranheza típica dos kaidan japoneses.

A história começa num bairro tranquilo de Tóquio, onde um casal prestes a ter o primeiro filho encontra uma casa aparentemente perfeita: moderna, iluminada, perto da estação de trem. Só que, no meio da planta baixa, surge um espaço misterioso entre a cozinha e a sala, um vazio arquitetônico que faz todo mundo coçar a cabeça.

Em vez de recuar, o casal chama um escritor fascinado por ocultismo — um sujeito curioso, acostumado a fuçar histórias de fantasmas — e um amigo arquiteto. Eles começam a explorar a planta, descobrindo armadilhas: portas duplas, cômodos sem janelas, passagens que não levam a lugar nenhum. Cada detalhe revela um degrau a mais no abismo de segredos da casa, que vira quase uma criatura viva, cheia de vontades próprias.

O que poderia ser só um erro de projeto vira um labirinto psicológico. Quem morava lá? Por que sumiram? O escritor e o arquiteto mergulham na investigação, mas quanto mais avançam, mais percebem que talvez estejam prestes a abrir uma porta que deveria permanecer trancada para sempre. Uketsu é uma figura quase mitológica.

Nunca mostrou o rosto, aparece mascarado no YouTube, voz distorcida, roupa preta dos pés à cabeça. Essa persona misteriosa virou um imã para leitores e ajudou a espalhar o burburinho. Aqui no Brasil, a edição tem tradução de Jefferson José Teixeira, cheia de plantas baixas e diagramas que criam uma sensação sufocante. Dá para sentir a casa ganhando vida página após página.

Uketsu não aposta no gore nem na violência gráfica. Ele prefere o terror psicológico, aquele que se instala devagar e transforma o leitor em refém da própria imaginação. Não é à toa que o comparam a Junji Ito, mas com uma pegada mais arquitetônica. Casas Estranhas foi pensado para ser lido rápido, mas o estrago mental ecoa por dias.

Em dois meses, já vendeu mais de 30 mil exemplares por aqui. A Intrínseca confirmou a sequência, Casas Estranhas 2: O mistério das onze plantas baixas, para outubro de 2025. Para quem gosta de suspense, terror psicológico ou simplesmente de uma boa história que brinque com os limites entre o real e o sobrenatural, é um prato cheio. E um aviso: depois de ler, talvez você passe a olhar com desconfiança aquele quartinho sem janela ou o corredor esquisito que parece mais frio à noite. Porque, no fim, a casa pode não estar vazia — ela só está esperando você notar.