Cena

11ª edição do Santos Film Fest celebra diversidade temática

07/07/2025 Isabela Marangoni
ludmila mafra/divulgação

A 11ª edição do Santos Film Fest consolidou, mais uma vez, seu lugar de destaque no calendário cultural da cidade. Com o tema ‘Histórias que ecoam, lições que permanecem’, o festival reafirmou sua missão de ser um espaço democrático e de resistência cultural. Ao todo, foram nove dias de exibições lotadas – todas gratuitas e abertas ao público –, 96 filmes exibidos, representando todas as regiões do Brasil, cerca de 50 mil pessoas e 33 troféus entregues aos vencedores.

André Azenha, cineasta e idealizador do festival, destacou a excelente recepção do público. “O balanço é 100% positivo, tanto pela participação do público quanto pela diversidade de filmes e ações promovidas ao longo do evento. As sessões estavam lotadas em todos os espaços”, afirma. A experiência foi especialmente marcante no Cinearte, onde, segundo os funcionários, a semana do festival sempre registra a maior média de público do ano.

Para Azenha, a chave do sucesso do evento é a inclusão do público. “O Santos Film Fest rompe a bolha do circuito tradicional de cinema. Não é só esse público que comparece. Conseguimos atrair crianças, idosos e pessoas de todas as classes sociais, de várias partes de Santos. Isso nos enche de orgulho”, diz. Muitas das crianças que participaram do evento assistiram a um filme pela primeira vez, tornando a experiência ainda mais especial.

O sucesso de público superou até as expectativas do organizador. “Sabemos que o público comparecerá, porque temos um trabalho de divulgação forte nos bairros, e as pessoas já estão ansiosas para ir ao cinema durante o festival”, explica.

Entre os 96 filmes selecionados, um documentário sobre o Cazuza se destacou como um dos grandes sucessos. A produção, que ainda está por estrear nos cinemas, gerou tanto impacto que foi necessário adicionar cadeiras extras para acomodar a demanda do público. “O filme também conquistou o voto popular na Mostra Nacional de Longas-Metragens”, acrescenta.

Outro ponto alto do evento foi a presença de cineastas de todo o Brasil. “Eles vêm de diversas regiões, abrem as sessões e falam sobre seus filmes. Isso demonstra o reconhecimento do Santos Film Fest como uma vitrine importante para seus trabalhos”, comenta Azenha, ressaltando também o impacto positivo na economia local, com o aumento da demanda por serviços de hospedagem e alimentação.

O festival enfrentou, no entanto, um desafio climático inusitado. “Foi o primeiro ano em que choveu durante o evento, mas, mesmo assim, a sessão na tenda estava lotada”, lembra Azenha, destacando a lealdade do público ao festival, independentemente das condições meteorológicas.

A acessibilidade e a inclusão foram pilares importantes da edição. Vários filmes contaram com recursos como audiodescrição, legendas em português, e sessões adaptadas para o público com deficiência, autismo e síndrome de Down. A apresentação do Coral TAMTAM também contribuiu para tornar o festival mais inclusivo. Além disso, a diversidade temática dos filmes abordou questões como a luta das populações indígenas, o papel da mulher no cinema e as representações negras, refletindo a proposta de um evento “democrático e plural”.

A participação das produções audiovisuais locais também foi um sucesso. “A sessão regional lotou, e os ingressos se esgotaram rapidamente”, revelou Azenha. Ele ressaltou, ainda, o crescimento do nível das produções da região, incentivado pelo próprio festival. “A cada ano, a qualidade só melhora.”

O evento também foi marcado pelas homenagens aos artistas. Chico Gomes recebeu uma estrela na Calçada da Fama, e o centenário de Maurice Legeard, fundador da Cinemateca, foi celebrado com grande emoção. “É muito gratificante prestar homenagens em vida aos artistas”, diz Azenha. Outros homenageados incluíram Imara Reis, Rodiney Assunção, Guilherme de Almeida Prado e Wanderley Augusto Camargo, o Leyzão, que expressaram sua gratidão pelo reconhecimento.

A parceria com a Universidade Católica de Santos (Unisantos) também foi um sucesso. A universidade ofereceu duas bolsas integrais para cursos de cinema e audiovisual: uma para o vencedor da Mostra Regional e outra para o vencedor da Mostra Periférica. “Esse prêmio oferece uma oportunidade valiosa para jovens talentos conseguirem uma formação acadêmica e entrar na universidade”, destaca Azenha.

Quanto à viabilidade do evento, ele reconheceu a importância do apoio financeiro. “Este ano, contamos com o apoio de oito vereadores e da Secretaria de Cultura. Sem as emendas parlamentares, o festival não teria acontecido da forma como foi”, explica. A edição exigiu uma estrutura complexa e de alto custo, incluindo tendas, geradores, projeção em LED e uma equipe de 50 pessoas trabalhando diretamente.

O festival não só contribui para o fortalecimento da economia criativa, mas também gera um impacto significativo na economia local, com bares, restaurantes e hotéis de Santos se beneficiando da grande movimentação de público. “É um investimento com retorno certo, que divulga a cidade e atrai visitantes de todo o Brasil”, conclui Azenha.

E a 12ª edição já está em planejamento, com uma itinerância de filmes infantis prevista para o segundo semestre. O objetivo é levar o cinema para diversos locais da cidade, mas por enquanto, a equipe saboreia o sucesso da 11ª edição, com a certeza de que o festival segue crescendo. “São 11 anos de evolução contínua, com um impacto cada vez maior”, finaliza Azenha.