Esportes

Eduardo Leonel: “O esporte me deu a chance de mudar vidas”, diz treinador

02/07/2025 Eduardo Silva
Divulgação/CPB

É muito fácil perceber quando um profissional trabalha com amor e satisfação. A forma de se expressar, a convivência com os colegas e o prazer de estar sempre disposto a aprender e orientar. Essa poderia ser uma maneira de apresentar vários professores de educação física. As pessoas que nasceram com o dom de ensinar são aquelas que também transformam vidas com suas lições, com as dicas, toques, e principalmente, exemplos. Esses mestres têm a preocupação de formar grandes atletas e paratletas, mas acima de tudo homens e mulheres preparados para enfrentar os desafios da vida. Essa definição serve muito bem para Eduardo Leonel, de 46 anos de idade, formado em Educação física pela Fefesp, da Unisanta, em 2001, especialista em esportes para Pessoas com deficiência (PCD) pela Uni Federal de Juiz de Fora, Minas Gerais, e técnico de atletismo paralímpico nível 3. Vai fazer 20 anos que ele trabalha com a equipe FastWheels, uma das mais vitoriosas do Brasil. A base da equipe treina no Centro Esportivo Rebouças, mas ele tem uma visão abrangente, que se preocupa com os atletas locais, e com o futuro do paratletismo do Brasil inteiro. “O legado que eu quero deixar hoje é formar novos transformadores de vida, que a gente possa espalhar essa sementinha, que surjam novos treinadores”.

Edu Leonel foi o convidado de ontem (dia 1 de julho) do Programa Orla Esportes, apresentado de segunda a sexta, das 8 às 9 horas da manhã na Santos Fm (92,5 mhz). “É emocionante estar aqui. O rádio traz uma forma mais descontraída, mais tempo para conversar e isso é fundamental”.

Durante 45 minutos deu uma verdadeira aula sobre o esporte paralímpico, principalmente, a especialidade dele o treinamento e a formação de cadeirantes que disputam as provas pelo Brasil e pelo mundo. Ele formou a Vanessa Cristina, que acaba de vencer a Maratona de Duluth, Minnesota, nos Estados Unidos, com o melhor tempo da carreira. Vanessa perdeu a perna esquerda num acidente de moto quando tinha 24 anos e se tornou um dos principais nomes do Brasil, com duas Paralimpíadas no currículo (Tóquio, 2021 e Paris, 2024).

“A Vanessa Cristina já deixou um legado para o esporte paralímpico. Do começo tímido até realizar o sonho dela. Já disputou duas paralimpíadas. Em Paris competiu contundida, mas não abriu mão de estar lá. Uma menina que nunca tinha saído do Brasil e agora vai viajar para a Austrália, e conhecer o último continente que falta pra ela”.

Leonel não se cansa de exaltar nossas referências, como a própria Vanessa e a bicampeã paralímpica no lançamento de disco, Beth Gomes. E não só pelo talento, mas pelo carisma e a generosidade. “Ter pessoas com deficiência que crianças PCD possam se espelhar é muito importante. A Beth Gomes e a Vanessa Cristina são campeãs generosíssimas. Doam material, incentivam e ajudam a todos os jovens”.

Leonel fala com amor pelo trabalho e se preocupa com o futuro. “Hoje temos um lugar legal no mercado, o maior prazer que a gente tem é ver os resultados deste trabalho, mas que não se perca a essência”. Conversar com Eduardo Leonel é relembrar toda a trajetória de um profissional dedicado e apaixonado pelo paratletismo e pelo esporte em geral que não se esquece quem estava com ele há 20 anos. “O Jaciel Paulino e o Carlão venceram provas em Santos até conquistarem a São Silvestre. Eles e mais o Heitor, a Fá foram muito importantes”. Leonel e os parceiros também iniciaram aqui um Festival de esporte adaptado, em 2014, que foi um precursor do Festival Paralímpico nacional, realizado pelo Comitê Olímpico do Brasil. São 20 anos de um trabalho que virou uma referência. Um trabalho que Eduardo Leonel não deixa a apenas para a cidade, mas para a sociedade de uma forma geral. “Eu sou um cara realizado. Eu fiz dois jogos paralimpicos, viajei o mundo, conheci pessoas incríveis e o que o esporte mais me deu foi a possibilidade de transformar vidas. Quantas vidas o esporte transformou. Eu só posso agradecer”.