
Farid Madi voltou à Prefeitura de Guarujá depois de duas décadas. Encontrou uma cidade diferente em problemas e desafios, mas é sabedor de que o futuro do Município é promissor. Nesta entrevista exclusiva para o Jornal da Orla, o chefe do Executivo revela o que pensa para a Cidade em termos de desenvolvimento. Nesta segunda-feira (30) a Cidade completa 91 anos de emancipação político-administrativa.
Como o sr avalia os primeiros seis meses de sua segunda gestão à frente de Guarujá? E como foram os primeiros dias de trabalho?
Nós encontramos uma série de dificuldades financeiras e administrativas, o que só nos mostrou a necessidade de uma reforma administrativa. Dizer para você que, apesar de já termos seis meses, a gente ainda não conseguiu ainda avançar em tudo aquilo que a gente gostaria em termos de domínio da máquina, sabe, por uma série de razões que a gente não estava esperando. A cidade, como um todo, é uma cidade diferente de quando eu estive na frente da prefeitura há 20 anos, com problemas diferentes, com desafios diferentes daqueles que haviam quando eu fui prefeito, enfim, uma situação um pouco mais complicada. Mas, assim, estou bastante otimista.
Dentre os avanços, o Aeroporto Civil Metropolitano é um dos principais pontos. A pista foi entregue em abril. Como estão as obras para a construção do terminal de passageiros?
Estamos na fase de implantação do terminal e falta uma última etapa que é o PBZPA (Conjunto de superfícies limitadoras de obstáculos que estabelece restrições ao aproveitamento das propriedades no entorno de um aeroporto). Isso já está sendo feito, estamos providenciando a licitação, que é a última etapa para que nós possamos definitivamente partir para a concessão desse aeroporto para a iniciativa privada, o que é um grande avanço, que vai ser importantíssimo para nós, que no primeiro momento vai ser focado no turismo, mas que gradativamente isso vai gerar muitas e muitas outras oportunidades que vão surgir.
E com relação ao túnel entre Santos e Guarujá?
O túnel, logicamente, vai mexer de uma forma mais efetiva com a vida, com o cotidiano nosso, porque vai ter um acesso viário, vão passar caminhões, logicamente de uma forma segregada, mas vai aumentar o fluxo de veículos em Vicente de Carvalho. Mas, acima de tudo, vai gerar oportunidades. E a gente sabe que o progresso vem com desenvolvimento econômico, mas também traz desafios sociais, traz desafios ambientais. Tudo isso a gente está atento a isso, preocupado em como fazer com que tudo isso possa repercutir de forma positiva para a nossa gente, para a nossa população, buscar qualificação profissional para os nossos jovens. Estamos trazendo já aqui um Instituto Federal, que vai ajudar muito nisso. O canteiro de obras do túnel vai ser na nossa margem. A previsão é de 5 mil empregos. Será que nós temos essa mão de obra aqui? Provavelmente não. Então, nós estamos já falando com a Autoridade Portuária para patrocinar cursos para o nosso jovem aqui, para que eles possam estar nesse mercado de trabalho. A gente está muito feliz com o que (o túnel) vai trazer de positivo e a gente está querendo amenizar o máximo possível qualquer tipo de impacto negativo.
E isso engloba obras viárias e até desapropriações. Como está essa questão?
Existem algumas áreas que já estão previstas de serem removidas, que fazem a questão exatamente na área da expansão do Porto. Já estamos construindo unidades habitacionais para a remoção dessas famílias. A gente imagina que possa haver algum tipo de impacto nessa questão de desapropriações. Nós vamos ter uma reunião para discutir isso no dia 8 de julho, com a Autoridade Portuária. Vamos lá junto com os nossos secretários buscar uma mais clareza nisso tudo porque eu não quero falar nada se eu não tiver a certeza do que está sendo proposto, o que vai acontecer e passado isso, logicamente a gente vai estar conversando e estudando melhor e se tiver que a gente divulgar uma informação mais precisa. Todas as áreas de desapropriação estão na área da Prainha.
E aí entramos na questão da habitação…
Sim. Sim. Olha só, já na minha gestão nós fizemos o projeto Parque da Montanha, que está sendo desenvolvido até hoje. Para habitação, exatamente para essas famílias que especialmente moram na área de expansão portuária, estamos em boa relação com o Governo do Estado e teremos 340 novas unidades sendo assinadas. Vamos assinar mais durante esse ano. Eu acredito que nós vamos, junto com o Governo Federal, buscar a construção de casas, moradias, exatamente para atender pessoas que moram em palafitas. Então, acredito que durante o nosso mandato, essa é a nossa expectativa, que nós tenhamos, em média, 2 mil a 2.400 unidades habitacionais sendo construídas justamente para essa finalidade. Nós vamos entregar, no mês que vem, mais 200 unidades, temos 600 para ser entregues até o final do ano. Sem dizer que nós também estamos com o processo avançado de buscar, de ter recurso para recuperação de encostas. O morro da Vila Baiana está muito próximo de a gente assinar com o Governo Federal para a gente poder fazer a recuperação daquela encosta, daquela área de risco. Em Santa Cruz dos Navegantes nós temos já recurso para 180 unidades. Estamos já trabalhando com local para a gente poder construir e fazer a remoção das famílias que estão morando em palafitas lá.
Guarujá, que já teve números elevados de violência, conseguiu uma redução nos últimos meses. Como isso se deu?
Nós religamos todas as câmeras que existiam. Estavam todas elas desativadas há anos, aliás, uma central de monitoramento que foi montada na minha gestão, em 2006 e que foi sendo desativada. Estamos trabalhando para criar um COE, que é o Centro de Operações Integradas, com câmeras de última geração, com reconhecimento facial, com inteligência artificial. Nós já aderimos ao Muralha Paulista, conseguimos adesão de praticamente todos os condomínios e comércios da cidade para compartilhar mais com a nossa central. Enfim, estamos investindo, vamos fazer concurso para a contratação de mais guardas municipais. Essa operação, que é a Operação Ocupação, está sendo um grande sucesso. Nós vamos gradativamente ampliar essa operação para outros bairros. E além da gente ter diminuído, reduzido muito todos os índices, nós fomos a única cidade da Baixada que reduziu todos os índices. Não foi só roubo, não foi só homicídio, não. Reduzimos todos. Apesar disso, a gente sabe da importância da sensação de segurança. Por isso a gente fez a operação de ocupação e nós, nas últimas quatro semanas, não tivemos nenhuma ocorrência na orla.
Redução de criminalidade acaba contribuindo com o turismo. Porém, a Cidade fica “travada” em feriados e fins de semana no verão, sobretudo por não ter rotas alternativas para chegar ou sair. O que está sendo planejado nesta questão?
Nós queremos, em alguns lugares, criar rotatórias para a gente evitar o semáforo, em alguns casos, como o acesso à entrada aqui na Cidade, para quem chega pela Piaçaguera, passando pelo Ginásio Guaibê. Estamos tentando recursos para criar uma outra via para quem chega aqui. Uma solução seria uma saída ao lado da Prefeitura para quem vai para Vicente de Carvalho. Nós conversamos com a Ecovias para que eles possam fazer essa intervenção de uma entrada antes da Prefeitura E também uma nova passagem atrás do Guaibê, que só tem o projeto antigo lá. E a gente está trabalhando recursos para isso. Na entrada pelo túnel existe aquela rotatória da Cachoeira, que é um transtorno, principalmente pelos faróis que estão ali depois do túnel na Avenida da Saudade, inclusive o farol da própria Avenida Dom Pedro. Nós estamos pensando em algumas alternativas para eliminar o farol, para fazer uma intervenção, onde as pessoas não precisam mais parar ali. E também, na Dom Pedro, nós estamos criando isso, criar um trecho maior da Dom Pedro, onde as pessoas possam acessar um outro acesso para chegar à Praia do Pernambuco. Isso já está sendo trabalhado, para que as pessoas possam entrar ou pela Dom Pedro ou pela Avenida Acre, e no final da Acre ter um acesso até a Praia do Pernambuco. Isso também vai desafogar. E também ter a gente trabalhar um pouco essa questão de, no dia que nós tivermos feriado prolongado, ou na chegada ou na saída, a gente inverter mão do túnel, por exemplo, para que haja uma mão só. Então, nós estamos trabalhando isso. Eu não vou dizer da gente criar uma CET, porque isso tudo também tem custo e tal, mas trabalhar um pouco mais essa coisa de logística para esse fluxo livre.
Voltando à formação dos jovens, como o sr mencionou, como está o andamento para a retomada do curso de Manutenção de Aeronaves?
Eu trouxe de volta esse curso em 2006 e hoje está desativado. Nós estamos brigando para trazer de volta. Tem tudo a ver com a nossa cidade Ainda mais agora, com o aeroporto. As companhias aéreas estão se queixando da falta dessa mão de obra, porque é difícil mesmo, e nós formamos muitos jovens aqui, e nós estamos falando com o Instituto Federal para trazer esse curso de volta. Também estamos conversando para trazer o curso de manutenção de embarcações. Nós somos uma das cidades que mais tem embarcações no Brasil e não temos nem curso aqui para preparar essa nossa mão de obra.
Diante de tantos projetos, com qual orçamento a Prefeitura trabalha hoje? Como investir?
Olha, para gastar, para gastar nós não temos muito, porque nosso orçamento é muito engessado. Uma coisa é a previsão e outra o que acontece, mas a previsão mesmo é de R$ 2 bilhões e 800 milhões. Mas aí você sabe, a Prefeitura paga, por ano, aproximadamente R$ 100 milhões em precatórios. A Prefeitura é obrigada a deixar 5% da sua corrente líquida em uma conta todos os meses. Entrou X, 5% disso vai para uma conta destinada para pagar precatórios. Então, você imagina que é um dinheiro que poderia estar sendo usado para investimentos.
E quanto poderá arrecadar com aeroporto, túnel, ampliação da margem esquerda etc?
A gente não fez uma projeção, mas vamos aumentar muito a nossa receita de ISS e vamos aumentar a nossa receita de IPTU porque muita coisa vai ser construída aqui. Nossa preocupação é que isso aconteça de forma sustentável e que possa melhorar socialmente a vida das nossas pessoas, ou seja, dar oportunidade de trabalho para o nosso jovem, formar essa nossa mão de obra.
Na questão do transporte, houve uma intervenção na City, empresa que presta o serviço na cidade. Como está esse andamento?
Nós fizemos a intervenção, entendi necessária, porque a gente não conseguia informações, a empresa dificultava informações, a gente pagava aproximadamente R$ 8 milhões por mês em subsídio. Hoje, para você ter uma ideia, está em torno de R$ 3 milhões. Nós economizamos neste ano de aproximadamente R$ 20 milhões. A nossa intervenção terminou, mas o nosso trabalho não. Nós fizemos um levantamento, apuramos lá uma série de coisas, temos um relatório, e agora nós estamos apurando detalhadamente tudo, todos os números. A relação com a empresa hoje, eu diria para você, está mais normal, porque antes a Prefeitura não tinha tudo que era solicitado, era negado, ou seja, a empresa trabalhava como queria, não prestava, não dava satisfação. Hoje, o quadro mudou bastante.
Com relação às praias, há a ideia de ampliar a Bandeira Azul, que hoje está na Praia do Tombo?
Pegamos o selo de bandeira azul no meu governo, em 2006 e, de lá para cá, eu acho que é importante a gente avançar, buscar ser uma cidade mais sustentada, uma cidade mais responsável pelo meio ambiente. Uma ideia é trabalhar para que a Praia do Guaiúba obtenha esse selo.
Que mensagem o sr deixa para a população de Guarujá nesse aniversário?
Olha, as pessoas podem esperar muito trabalho, muito empenho, muita dedicação nossa. Acho que as pessoas já perceberam que nós estamos voltando à normalidade. Quando eu digo normalidade, a cidade realmente estava com menos controle total, falta de comando, falta de ordem. E a gente já conseguiu restabelecer, não 100% isso, mas já estamos restabelecendo a ordem. Enfim, as pessoas podem ter a certeza de que o Guarujá vai voltar a ser uma cidade em que todo mundo tem orgulho de viver nela. Os desafios são enormes, mas nós vamos voltar a ser uma cidade mais justa, uma cidade mais igual.


O prefeito Farid Madi é extremamente exigente.
Sua capacidade de liderança está sendo determinante para o resgate do sentimento de orgulho e pertencimento para os moradores da cidade.
Acreditamos que só com muito trabalho e amor a nossa cidade, teremos uma cidade mais justa e igualitária.
Obrigado Farid Madi.