
Transformar o gostoso sanduíche de pão francês recheado com carne moída temperada em patrimônio imaterial do Estado de São Paulo é o objetivo do projeto de lei apresentado pelo deputado estadual Paulo Correa Jr. (PSD).
Protocolada no dia 21, a proposta agora tramita pelas comissões da Assembleia Legislativa, para depois ser votado em plenário. Caso o PL 604/2025 seja aprovado, o Estado de São Paulo passará a reconhecer o sanduíche como parte do patrimônio cultural imaterial, protegendo sua receita tradicional e incentivando ações de valorização.
“Reconhecer oficialmente o buraco quente como prato típico significa fortalecer a identidade cultural, incentivar o turismo gastronômico e promover a divulgação das tradições locais, contribuindo para a valorização da cultura alimentar do Vale do Ribeira”, justifica o parlamentar.
“Ao longo dos anos, o buraco quente consolidou-se como uma iguaria presente em reuniões familiares, festas comunitárias, eventos escolares, quermesses e festividades tradicionais da cidade (de Pariquera-Açu), tornando-se parte do cotidiano e da memória afetiva dos munícipes.”

Saborosa tradição
Hoje um sanduíche popular em várias partes do país, o buraco quente foi criado na cidade de Pariquera-Açu, no Vale do Ribeira. O lanche consiste em preparar um pão francês recheado com carne moída temperada. Mas o pão não é cortado, e sim é feito um buraco no pão.
O lanche surgiu na década de 1960, quando o proprietário de uma lanchonete, Benedito Gauglitz, inventou o sanduíche de preparo rápido, nutritivo e saboroso. Era um lanche popular entre as pessoas que transitavam pelas estradas do Vale do Ribeira, como caminhoneiros, romeiros da Festa de Bom Jesus de Iguape, pescadores e turistas.
A família Nascimento adquiriu há 40 anos a lanchonete onde foi criado o sanduíche e mantém a tradição até hoje.
O prefeito de Pariquera-Açu, Wagner Costa (PL), está entusiasmado com o projeto. “O Buraco Quente é muito mais do que um lanche para o povo de Pariquera-Açu. Ele representa a nossa história, a nossa identidade e movimenta a economia local, gerando renda para comerciantes, ambulantes e pequenos empreendedores que, há décadas, fazem desse prato um símbolo da nossa cidade. Uma iniciativa que valoriza não apenas a nossa tradição, mas também a força dos trabalhadores que vivem desse comércio”, afirma.
Reconhecimento do valor do pão de cará
Outro pão muito familiar na Baixada Santista também é tema de projeto na Assembleia Legislativa, para reconhecer sua importância cultural e gastronômica: o delicioso e tipicamente santista pão de cará.
A deputada estadual Solange Freitas (União) apresentou projetos de lei para reconhecer o pão de cará como patrimônio cultural imaterial do Estado de São Paul e instituir o Dia do Pão de Cará no Calendário Oficial do Estado. O pão de cará é um ícone da gastronomia de Santos, com profundas raízes na cultura alimentar da cidade.
O Projeto de Lei nº 575/2025 busca valorizar a importância histórica e cultural do pão de cará para a região, enquanto o Projeto de Lei nº 576/2025 visa promover sua celebração e reconhecimento através da inclusão da data comemorativa.
Em sua justificativa, a deputada ressalta que o pão de cará transcende o simples alimento, sendo um símbolo da memória e criatividade do povo santista. Sua origem remonta ao início do século XX, por volta de 1910, quando padeiros de Santos, diante da escassez de farinha de trigo causada pelas Guerras Mundiais, inovaram ao adaptar suas receitas com tubérculos como cará, mandioca e batata. Essa adaptação resultou em um pão macio, de casca dourada e sabor levemente adocicado, que rapidamente conquistou a população.
Para a parlamentar, a criação de uma data específica para o pão de cará pode impulsionar o empreendedorismo local, fomentar feiras gastronômicas, fortalecer o setor de panificação e desenvolver o turismo regional. Freitas compara a iniciativa ao reconhecimento de outros pratos típicos, como a pizza e a feijoada, afirmando que o pão de cará merece ser celebrado como parte da história e do paladar paulista. “A instituição desta data comemorativa é um ato de valorização histórica, cultural e econômica de um produto que atravessa gerações e traz afetos”, concluiu a deputada.
O projeto agora está sendo analisado pelas comissões da Assembleia Legislativa. n


Deixe um comentário