
Com o talento no sangue, uma dupla de irmãos vem conquistando as pistas de patinação ao redor de todo o mundo. Erik e Kevin Koel Medziukevicius, já medalharam em competições importantíssimas como Pan-Americanos, Campeonatos Brasileiros e Mundiais.
“Eu sempre os incentivei a fazer um esporte. Não precisava ser a patinação, nem em alto nível, só um esporte e eles tinham que se esforçar”, conta a mãe, Soraya Medziukevicius, que é professora de patinação artística. “Quando eles decidiram que queriam seguir na patinação e em alto nível, a rotina inteira se transformou. São muitas horas de treino, esforço, estudos. Tem anos que eu não viajo”, finaliza em bom humor.
Vitoriosos, os Irmãos Medziu, como ficaram conhecidos os atletas da Fupes, lutam para se manter em destaque no esporte. O mais novo, Kevin, aos 17 anos, apesar de mais tímido, tem seu objetivo bem definido. “Quero ser campeão mundial. Essa vontade começou quando eu vi meu irmão viajando, ganhando medalhas e conquistando seu lugar no esporte”, diz. “Eu comecei a patinar com uns três anos, mas por volta dos sete eu parei. Queria jogar bola. Fiquei sem patinar até os dez, mais ou menos, foi bem na época que meu irmão começou a se destacar ainda mais e então eu voltei para os patins”.
Kevin lembra com carinho da sua primeira medalha no Pan-Americano. “A primeira medalha é a mais importante da sua carreira. Foi ali que vi a atmosfera da torcida e tive vontade de ser um patinador de verdade”, relembra. “Apesar disso, minha medalha mais memorável foi o bronze do Mundial do ano passado. Me comoveu muito, foi uma grande felicidade para mim e para os meus técnicos”.

No momento, Kevin se recupera de uma lesão no joelho, uma osteocondrite secante, e também de um acidente de trânsito, que resultou em um osso do braço quebrado. “Estou fazendo fisioterapia há quatro meses já, me recuperando para voltar a competir em julho. Se todos os testes derem certo, eu volto para disputar o Troféu Brasil, buscando uma classificação para o Mundial”.
Por outro lado, o irmão mais velho, Erik, sonha em transformar a realidade da patinação artística, trabalhando mais fora das quadras do que dentro. Apesar da carreira vitoriosa de atleta, ele sonha em ser o melhor treinador do Brasil. “Eu estou há muito tempo na modalidade e conforme a gente vai avançando, vão surgindo as oportunidades de corrigir os mais novos também. Com uns 13 anos, eu comecei a fazer as primeiras correções e percebi que eu gostaria muito de fazer aquilo, passou a ser um objetivo meu”, diz o atleta.
Jurado e Treinador
Hoje, aos 21, Erik atua em todas as áreas da patinação: é atleta de altíssimo nível, treinador promissor e também trabalha no júri. “Já tem uns quatro anos que eu atuo como jurado nas categorias em que eu não tenho atletas. É uma posição muito importante, ali tem pessoas que treinaram a vida inteira para esse momento, então é preciso ser justo, coerente e atencioso”, afirma. “Ter essa experiência potencializa meu desempenho como atleta e como treinador também, porque dessa forma eu consigo pensar no que dar mais atenção tanto na hora da minha própria execução quanto na hora da correção dos meus atletas. Às vezes a gente fica pensando em certas coisas que para o jurado não têm tanta importância, ou acaba negligenciando partes levadas em consideração. Ter essa noção é um diferencial”.

Erik visa impactar na vida dos atletas além das medalhas. Segundo ele, seu objetivo é criar apaixonados pelo esporte. “Quero que tenham pessoas patinando porque gostam. É muito importante os títulos, claro, mas existem muitos campeões vazios por aí. Outra questão é que ainda há muitas pessoas que deixam de patinar devido ao preconceito. Muitos meninos ainda têm que enfrentar as pessoas dizendo que é um esporte de menina, ou de gays, meu irmão passou um pouco por isso. É só uma forma diferente de se expressar, sabe? Então, eu acredito que a melhor forma de lidar com isso é criando apaixonados pelo esporte”, finaliza.
Enquanto atleta, Erik tem um grande desafio para os próximos dias: as finais da Copa do Mundo, na Itália. A competição envolve apenas os oito melhores patinadores do planeta e é o segundo campeonato mais difícil de todo o globo, atrás apenas do Mundial, que acontece em setembro, na China.
O mais velho também tem seus destaques na carreira, dos quais lembra com bastante carinho. Coincidentemente, sua vitória favorita também é no Pan-Americano, assim como Kevin. “O Pan é uma competição diferente. Normalmente, nós bancamos tudo, todas as despesas saem do nosso bolso, no Pan é tudo arrumadinho. Recebemos uma bolsa com roupa nova, hospedagem impecável, tudo pago pelo Comitê Olímpico Brasileiro. E ali você vê os melhores de cada modalidade, todos pensando em se doar ao máximo”, diz. “Um dos melhores momentos da minha carreira é justamente ali, depois da minha apresentação do curto, onde eu sabia que tinha acertado tudo e só precisava de mais um movimento que eu tenho facilidade. E em seguida, mantive a liderança no longo e me sagrei campeão dos jogos Pan-Americanos”.
A mãe, Soraya, destaca que as vitórias dos filhos são resultados de muita dedicação e treinamento. “Tudo na patinação é por mérito. Eles treinam, evoluem com o restante do mundo, é muito estudo da parte dos treinadores e dos atletas. Cada movimento novo, cada evolução nova exige que o mundo inteiro se adapte. Houve um ano em que o Kevin estava no top-10 mundial de todas as modalidades que ele disputava. É um orgulho. E todo esse sucesso deles eu também atribuo aos técnicos, Kadu, Gustavo, Felipe, Gabriele Vieira, enfim, eles se dedicam todos os dias para preparar os atletas para poderem dar o melhor na quadra”, ressalta.


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