
A definição do uso do colégio Escolástica Rosa deixou de ser apenas uma defesa do patrimônio histórico e está se transformando em uma disputa política. De um lado, lideranças com perfil conservador defendem que o local sedie uma escola cívico-militar; do outro, políticos mais à esquerda querem que o Instituto Federal anunciado pelo presidente Lula (PT) seja instalado no local.
Desocupado desde 2018, por conta de seu péssimo estado de conservação, o prédio histórico pertencente à Santa Casa de Santos foi apontado como ideal para a implantação de uma unidade de ensino cívico-militar pelo deputado estadual Matheus Coimbra e pela federal Rosana Valle (ambos do PL).
A ideia foi levada ao secretário estadual de Segurança Pública, Guilherme Derrite, mentor do projeto, mas acabou não avançando.
Além da resistência da comunidade pedagógica, que é contra o conceito do ensino cívico-militar, a proposta esbarrou na necessidade de fazer as obras de recuperação, orçadas em cerca de R$ 70 milhões. Ainda assim, os parlamentares ainda apostam na viabildiade da proposta.
Ao mesmo tempo, lideranças da esquerda passaram a traçar alternativas para a ocupação do edifício histórico (foi inaugurado em 1908).
Em reunião recente com o reitor do Instituto Federal de São Paulo (IFSP), Silmario Batista, e o secretário Nacional de Educação Profissional e Tecnológica, Marcelo Bregagnoli, a ex-vereadora Telma de Souza, que foi prefeita de Santos e deputada federal, ofereceu o complexo educacional do Escolástica Rosa para sediar o Instituto Federal de São Paulo (IFSP).
Ela explica que a ideia inicial é instalar o Instituto Federal na Zona Noroeste, e o Escolástica seria um “plano B”. Telma de Souza sugere que a ocupação do imóvel seja negociada em troca de dívidas que a Santa Casa tem com a União – aproximadamente R$ 127 milhões.
“Estamos abertos a qualquer conversa”, diz vice-provedor
O vice-provedor da Santa Casa, Carlos Teixeira Filho, explica que a entidade não tem condições de arcar com os custos da recuperação do imóvel (cerca de R$ 70 milhões), uma vez que a missão dela é oferecer serviços de saúde. “Estamos abertos a qualquer conversa”, explica.
Teixeira Filho revela que a direção da Santa Casa deve se reunir esta semana com o secretário estadual de Ciência e Tecnologia, Vahan Agopyan, para tratar de uma proposta da Polícia Militar, de instalar no local uma escola para filhos de militares e crianças carentes. Para isso, o Estado pagaria o restauro, em troca do direito de usar o espaço por determinado tempo – 40 ou 50 anos, por exemplo.
“Queremos resolver essa situação. Já fizemos a reforma do telhado, a dedetização e descupinização. Colocamos seguranças. Mas a Santa Casa não tem condições de bancar a recuperação”, diz Teixeira, que lembra que o imóvel foi utilizado pelo Governo do Estado durante 86 anos (de 1933 a 2019), mas a devida manutenção deixou de ser feita nos últimos anos. “Por isso que o Escolástica está assim”.


Deixem esse problema com o grupo peralta ou armênio Mendes. Eles saberão o que fazer. O poder público é uma merda para gerir esse tipo de problema.
É simples. É só atender o desejo do doador do prédio, João Octávio, e trazer de volta o ensino profissionalizante dedicado aos mais carentes. É praticamente um testamento que ele deixou, não respeitar isso é revoltante.
É simples. É só atender o desejo do doador do prédio, João Octávio, e trazer de volta o ensino profissionalizante dedicado aos mais carentes. É praticamente um testamento que ele deixou, não respeitar isso é revoltante.
Instituto Federal de São Paulo (IFSP). Jamais escola de milicos, para doutrinação e lavagem cerebral. Tive a honra de frequentar esta escola de arquitetura ímpar, estudar e me formar com mestres dos quais jamais me esqueci, diante da grandeza dos seus currículos e competências. Conheci jovens brilhantes, dos quais, mantenho até hoje amizade com alguns. Espero ver estes valores resgatados, não perdidos.