
O segundo dia do Sudeste Export, evento promovido pelo Grupo Brasil Export, começou com um painel de forte impacto sobre um dos maiores desafios para o setor de transportes e logística no Brasil: o roubo de cargas. Realizado na manhã de ontem (02), o debate aprofundou as questões que afligem a segurança nas operações logísticas, com ênfase nos prejuízos financeiros e nas consequências humanas dessa realidade.
De acordo com dados do Sindicato das Empresas de Transportes de Carga de São Paulo (SETCESP), em 2024, 83% dos prejuízos causados por roubos de carga, ocorreram na região sudeste do país. A abordagem do tema no evento trouxe à tona não apenas o impacto econômico, mas também a urgência de ações mais efetivas para proteger tanto as operações logísticas quanto as vidas dos profissionais envolvidos.
A mediação do painel foi de Leopoldo Figueiredo, Diretor-Geral da Rede BE News, e contou com a participação de André de Seixas, presidente do Logística Brasil; Sérgio Vianna, diretor de Relações Institucionais da Fetranscarga e Francisco Martins, diretor-presidente da PortosRio.
Entre os números apresentados, especificamente, no Rio de Janeiro, o índice de roubos subiu de 19% em 2023, para 25% no ano passado. Em São Paulo, atingiu 45%. Cargas fracionadas e alimentos são os alvos mais comuns, com maior parte dos crimes ocorrendo nas rodovias BR-116 e BR-101, durante a madrugada e às segundas-feiras. A Polícia Rodoviária Federal relatou 11 ocorrências diárias apenas em agosto.
PERSPECTIVAS
O presidente do Logística Brasil, André de Seixas, destacou que a violência no Brasil está em ascensão, mas apesar disso, o setor logístico ainda mantém eficiência. “Mesmo com os roubos, ainda conseguimos ser eficientes. O problema afeta indústrias na cidade devido às condições de seguro e a relutância dos motoristas em operar em regiões de risco”, disse.
Ele ainda abordou o impacto nas operações logísticas, que foi tema de uma audiência pública recente no Senado, onde foram discutidos, entre outros temas, os efeitos do crime territorial em locais como os estados do Rio de Janeiro e Bahia.
IMPACTOS NOS TRANSPORTES
Para o diretor de Relações Institucionais da Fetranscarga, Sérgio Vianna, há um momento ímpar de crescimento do Rio de Janeiro como hub logístico. Ele alertou sobre a importância de aproveitar essa oportunidade, destacando desafios históricos, que acontecem desde os anos 90. Vianna mencionou que embora o número absoluto de roubos tenha sido reduzido, o valor econômico das cargas roubadas aumenta.
“Para se ter uma ideia, nos anos 90, em 1993, o índice de roubo de carga chegou a 3 mil roubos no ano. Em 2017, a gente chegou em quase 11 mil roubos no ano. E de lá para cá, a gente vem lutando para diminuir esses números. Diminuímos os números, mas em valores absolutos, a gente continua no mesmo patamar”, afirma Vianna.
FUTURO
De acordo com dados do estudo da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (FIRJAN), no estado, houve um aumento de 7% no roubo de cargas em 2024. O diretor-presidente da PortosRio, Francisco Martins, afirmou que o aumento ocorreu mesmo com a aplicação de medidas de proteção, como a Garantia da Lei e da Ordem (GLO), “obviamente a GLO foi destinada aos portos e aeroportos, mas houve, por exemplo, uma maior mobilização da Polícia Rodoviária Federal”, disse Martins. A estrutura de segurança portuária foi significativamente ampliada, incluindo monitoramento avançado e integração de dados com a Marinha.
INTEGRAÇÕES ESTRATÉGICAS
O setor logístico, conforme destacado pelos participantes, enfrenta desafios persistentes que demandam soluções integradas de segurança e tecnologia para garantir a operação segura das suas atividades. É complexo mapear o destino das cargas roubadas, mas é uma das ações fundamentais para que os números caiam. O diretor-presidente da PortosRio ressaltou a importância de rastrear materiais roubados, como prime matter (matérias primas). “Alguns tipos de cargas são roubados para um nicho específico de compradores finais”. Martins acrescentou que ter uma noção de para quem essas cargas são revendidas seria um dos melhores caminhos a seguir.


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