Baixada Santista

Por ajustes nos pagamentos, entregadores iniciam paralisação nesta 2ª

31/03/2025 Da Redação
Reprodução

Motoboys, motogirls, bikeboys e bikegirls da Baixada Santista dão início nesta segunda-feira (31) à paralisação dos entregadores de comida por aplicativo, diante de uma pauta de reivindicações levada à plataforma IFood. O movimento terá continuidade amanhã. A categoria tem perto de 30 mil trabalhadores e a expectativa é que, pelo menos, seis mil (20%) fiquem parados nos dois dias.

Hoje, às 10 horas, as manifestações começam no estacionamento do Litoral Plaza Shopping, em Praia Grande. Às 18 horas a movimentação será na Praça da Matriz, no Guarujá. Amanhã haverá um ato na Praça das Bandeiras, Gonzaga, a partir das 12h.

Os rumos do movimento foram definidos na semana passada, quando representantes das cidades receberam os adesivos referentes à paralisação. “Distribuímos 1,5 mil adesivos e já estão nas ruas. As lideranças que compareceram aderiram e está tudo certo”, disse Eddie Torres, secretário do Sindicato dos Mensageiros Motociclistas, Ciclistas e Mototaxistas da Baixada Santista (Sindimoto/Baixada) e presidente da Associação dos Motoboys e Motogirls da Baixada Santista (Ambasa).

A greve está sendo organizada pelas redes sociais, por perfis como @brequenacionaldosapps. A mobilização já conta com a adesão de 20 estados. As maiores concentrações de entregadores (motos e bikes) da região estão em Santos, Guarujá, Cubatão, São Vicente e Praia Grande. “Nossa expectativa é que parem seis mil entregadores. Queremos fazer que toda a categoria que usa o aplicativo não venha trabalhar, afirmou Torres.

REIVINDICAÇÃO

O movimento reivindica o estabelecimento de uma taxa mínima de R$ 10 por entrega; o aumento do valor pago por quilômetro rodado de R$ 1,50 para R$ 2,50; a limitação do raio de atuação das bicicletas a três quilômetros; e a remuneração integral de cada pedido quando múltiplas entregas são agrupadas em uma mesma rota. Os trabalhadores também pretendem denunciar práticas que consideram antissindicais, como incentivos financeiros dados por algumas empresas para desencorajar a participação dos entregadores no protesto.
Torres lembrou que o repasse aos profissionais não sairia dos estabelecimentos, nem dos clientes. “Sai do lucro do IFood. A plataforma já cobra a taxa dos clientes e não nos repassa o valor devido. São mais de três anos sem aumento. Para donos de estabelecimentos e clientes não iria mudar nada”.

IFOOD

Em nota enviada à redação do Jornal da Orla, a Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia (Amobitec) afirmou que respeita o direito de manifestação e informa que suas empresas associadas mantêm canais de diálogo contínuo com os entregadores.

Sobre a remuneração dos profissionais, de acordo com o último levantamento do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), a renda média de um entregador do setor cresceu 5% acima da inflação entre 2023 e 2024, chegando a R$ 31,33 por hora trabalhada.

As empresas associadas da Amobitec apoiam a regulação do trabalho intermediado por plataformas digitais, visando a garantia de proteção social dos trabalhadores e segurança jurídica das atividades. Além disso, atuam dentro de modelos de negócio que buscam equilibrar as demandas dos entregadores, que geram renda com os aplicativos, e a situação econômica dos usuários, que buscam formas acessíveis para utilizar serviços de delivery.