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Não estamos vivendo um finalzinho de pandemia!

12/12/2020 Da Redação
Não estamos vivendo um finalzinho de pandemia! | Jornal da Orla

Acreditar em números não é uma questão de opinião. As estatísticas são implacáveis e elas indicam um aumento preocupante no número de casos (e mortes) do novo coronavírus. Apesar de muita gente torcer, não estamos vivendo um finalzinho de pandemia.

O anúncio das vacinas que protegem contra a doença tiveram um efeito colateral devastador: já cansadas de meses de restrições, as pessoas literalmente baixaram a guarda e adotaram um comportamento mais displicente. Basta caminhar pelas ruas para ver gente usando máscara de modo inadequado (quando não estão sem), aglomerações e minimização da gravidade da situação.

Apesar de o número de mortos não ser tão trágico quanto meses atrás (quando foram mais de mil óbitos por dia), a quantidade de vítimas é altíssimo. Os "feeds" das redes sociais continuam sendo registrando uma porção de notas de falecimento por covid-19, as fotos das pessoas deixaram de sair nas colunas sociais para serem publicadas nas páginas de obituário. Praticamente todo mundo conhece pessoalmente, e não de ouvir falar, alguém que contraiu o vírus, precisou ser internado ou até mesmo faleceu.

 

Responsabilidade do cidadão
O poder público, municipal ou estadual, intensificou algumas restrições, na tentativa de evitar aglomerações, e flexibilizou outras medidas, como a ampliação no horário de funcionamento do comércio. 

No entanto, a grande responsabilidade está nas mãos do cidadão comum. O professor universitário e infectologista Marcos Caseiro, uma das maiores autoridades brasileiras na área, vê com extrema preocupação o nível de descompromisso de parcela significativa da população. 

"Nós não podemos normalizar esse altíssimo número de mortes. Qual doença matou tanta gente em um intervalo de tempo tão curto? 170 mil mortes. A gente fica com dor no coração quando vê 40 pessoas mortas num acidente com um ônibus, então imagine 600 mortes, todos os dias!", afirma. 

Segundo ele, a estratégia mais eficiente para conter a pandemia é conter a transmissão do vírus. "Sair de casa somente o necessário, manter o distanciamento entre as pessoas, usar máscara. Não é hora de se aglomerar"", alerta.

Caseiro também destaca a necessidade de identificar quem está contaminado, o quanto antes, e promover seu isolamento. "Temos que tirar de circulação o transmissor. Fazer o exame PCR nos indivíduos sintomáticos respiratórios. Se estiver positivo, isola o indivíduo. Uma pessoa contaminada infecta três, essas três passam o vírus para outras três, já são nove. Essas nove contaminam outras e isso vai se espalhando, numa progressão geométrica, sem fim", explica.

Ele ressalta que os países que tiraram de circulação os indivíduos sintomáticos tiveram sucesso no combate à pandemia. 

O especialista alerta que a chegada da vacina deve ser feita com ressalvas. Segundo ele, será preciso vacinar uma grande parcela da população para conter o avanço da pandemia. Ele cita estudo feito por pesquisadores brasileiros publicado na revista "Science", que mostrou que a porcentagem de moradores de Manaus (AM) que tiveram contato com o vírus subiu de 44% para 76% e, ainda assim, a pandemia continua avançando. "Isso significa que talvez não seja preciso um imunização em massa de 70%, mas de 90%, para que a gente tenha uma segurança de não-transmissão". 

Marcos Caseiro também chama a atenção para a subnotificação, isto é, pessoas que contraíram Covid-19 mas não aparecem nas estatísticas oficiais. "Acho que já passamos dos 200 mil mortos por covid-19. Temos 60 mil mortes por síndrome respiratória aguda grave sem causa. Quem morre desta causa durante uma pandemia de coronavírus, morre de que? É coronavírus", argumenta.