
Eleito prefeito de São Vicente no segundo turno com 90.876 votos (56,30% do total de válidos), Kayo Amado (Podemos) afirma que pretende tirar projetos do papel para a cidade começar a respirar outros ares. Em visita ao Jornal da Orla, ele explicou que quer administrar o município com os apoios dos governos estadual e federal e dos vereadores. Confira:
Como tem sido a transição de governo?
Kayo Amado- Os primeiros gestos têm sido bastante positivos. O prefeito já havia feito uma ligação, parabenizando pela eleição e ontem tivemos a oportunidade de se encontrar no gabinete da Prefeitura. As portas estão abertas, as equipes já têm se encontrado para colher todas as informações que permitam que a gente tenha um início de ano ciente de todos os problemas, contratos a vencer, todas as situações emergenciais da cidade. Neste primeiro momento, os primeiros gestos, tem sido tranquilo, mas existe todo um trabalho de alguns dias úteis. O desafio maior é que o calendário eleitoral mudou (o primeiro turno foi transferido de 3 de outubro para 15 de novembro, por causa da pandemia), a eleição foi para o segundo turno. Uma transição que teria três meses para fazer estamos tendo um mês corrido. Estamos falando de 20 dias úteis, menos que isso.
Quais serão suas primeiras medidas a partir de 1º de janeiro?
Kayo Amado- Janeiro é um mês que a Baixada Santista sofre muito. São Vicente sofre muito com as chuvas e a falta de infraestrutura. Precisamos de uma força tarefa, ficar em vigilância, para encarar de frente os desafios das enchentes. E isso é algoque vai precisar fazer, limpeza, manutenção. Isso não é simples, mas é este é um dos desafios. Outro é começar dar uma organizada e dar uma cara de gestão profissional para a cidade. Isso começa fazendo uma organização da Prefeitura, uma organização dos serviços públicos, buscando fazer uma central de inteligência com os dados da cidade, para que a possamos atender melhor o cidadão. O foco de uma prefeitura tem que ser sempre atender o cidadão. Atender bem a pessoa que chega ali buscando um apoio. O nosso foco vai ser uma mudança da gestão para ser voltada às pessoas.
São Vicente sofre com problemas crônicos e históricos, e também com a falta de recursos para fazer investimentos. Como o senhor espera aumentar a arrecadação do município e também reduzir a inadimplência, que chegou a ser de 60% no IPTU, por exemplo?
Kayo Amado- Temos um plano de desenvolvimento para a cidade, que tem um olhar de curto, médio e longo prazo. Não é simples, principalmente em plena pandemia, incentivar cada vez mais o desenvolvimento econômico. Mas a gente entende que a cidade tem alguns caminhos, alguns gatilhos, que a gente pode explorar, seja no comércio ou no turismo. E, numa perspectiva de médio e longo prazo, a atração de mais empresas para a cidade, num espaço que a gente precisa organizar, regularizar. Dentro de um cenário como esse, a cidade se desenvolve. Paralelo a tudo isso, a gente precisa ter uma melhoria na gestão da cidade para permitir que as empresas que já estão na cidade se interessem em ficar. Desafios como, por exemplo, emitir nota fiscal. Isso não pode ser um impeditivo, senão você afasta o empresário e o microempresário e ele vai para outros cantos. Tornar São Vicente mais segura, mais atrativa, mais iluminada, mais bem cuidada faz com que o comerciante, o empresário se interesse em investir na cidade. Ele investe na cidade, ele gera emprego, gera renda, gera arrecadação e a cidade consegue se construir melhor. Isso é algo que se constrói um dia após o outro, não são soluções que surge do dia para a noite. Paralelo a isso, a gente quer ter sempre um bom diálogo com o governo estadual e o federal. Foi algo que eu falei durante toda a eleição. O prefeito tem que ter uma postura institucional, de bom diálogo com os outros entes federativos. Sempre com o objetivo de tirar os bons projetos que a gente tem do papel.
Quais os pleitos que o senhor pretende encaminhar ao governo estadual e ao governo federal?
Kayo Amado- A cidade tem grandes desafios na área de infraestrutura. A questão das enchentes é um dos problemas que mais mexem com o orgulho do vicentino, com a dignidade dele. Este é um desafio que eu trouxe para minha vida, um desafio de uma década. Quem disser que resolve em quatro anos… é surreal, pois são problemas de infraestrutura, de conscientização, de drenagem, que não se resolve de forma simples. Mas se dá o “start”, se começa a resolver. A gente pode conseguir por exemplo as comportas. Só na área insular, a gente está falando de 13 comportas. Esse desafio a gente precisa do governo estadual e do federal. E o ponto positivo é que cada vez mais a política de saneamento tem entrado em pauta. Esgoto e água são questões de dignidade e isso acaba complementando um plano que a gente tem, de avançar no plano de macro e microdrenagem para São Vicente e tirá-lo do papel. Tem que atualizar este plano, tirá-lo do papel, para que a pessoa comece a respirar outros ares, comece a ver a mudança de fato acontecendo. Não é algo simples, mas é algo que precisamos enfrentar na próxima década.
Como vai ser a relação com o Poder Legislativo? Apenas quatro dos vereadores eleitos foram por sua coligação, os demais apoiaram outros candidatos. Vai ser possível fazer uma negociação sem que isso implique no loteamento de cargos no governo?
Kayo Amado– Eu entendo que Executivo e Legislativo precisam ter, até porque a própria Constituição diz, uma relação autônoma, independente, mas sempre com harmonia. O Legislativo tem um papel importante, de representar os interesses do cidadão, e a gente espera que os vereadores sejam ativos ao ponto de nos ajudar, por todos os cantos da cidade, sendo os olhos do governo. Vendo o que está funcionando e o que não está. Isso é muito importante. A nossa relação tem que ser de parceria pelo bem da cidade, de diálogo. Eu respeito muito o Legislativo, elegemos quatro vereadores da nossa base mas todos são vereadores da cidade. A gente precisa construir juntos as maiorias necessárias em torno dos bons projetos. Eu tenho certeza que, com essa Câmara renovada, com todas as oportunidades de apresentar uma proposta boa para a cidade, os vereadores vão estar interessados em construir esse cenário de desenvolvimento para São Vicente.
Daqui a quatro anos, que resultado o senhor espera ter alcançado e apresentar ao morador de São Vicente?
Kayo Amado- O povo vicentino precisa ter o seu orgulho recuperado, precisa ter um sentimento de que a cidade está avançando. Nosso desafio é justamente esse, de estar oferecendo um serviço bom para as pessoas, recuperar a credibilidade do governo ao ponto que elas falem: “Poxa, as coisas estão começando a melhorar, está funcionando”. Esse é o principal desafio. Quero ver a saúde mais perto da casa das pessoas, uma cidade mais segura, bem iluminada, que faça com que o cidadão se sinta bem quando sair de casa, uma creche atendendo bem, as escolas das crianças em boa qualidade, a merenda boa no prato da criança, o uniforme chegando no prazo certo. No final da contas, o que todos nós queremos é poder sair de casa e ter uma oportunidade de trabalhar, cuidar bem da nossa família, ter uma creche boa e se ficar doente ter um bom atendimento. O que as pessoas querem é muito simples. Cabe a nós, enquanto governo, cuidar bem da nossa cidade para entregar daqui a quatro anos e inspirar as pessoas a voltarem a acreditar no governo de São Vicente.



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