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Brasil precisa de vacina contra decisões erradas

05/12/2020 Da Redação
Brasil precisa de vacina contra decisões erradas | Jornal da Orla

Desde a confirmação do primeiro caso de covid-19 no Brasil (26 de fevereiro), de a Organização Mundial da Saúde (OMS) classificar a situação como pandemia (11 de março), a primeira morte pela doença no Brasil (12 de março) e a decretação de calamidade pública (20 de março), a esperança dos brasileiros era só uma: vacina! Vacina! Vacina! 

Cerca de nove meses após aquele cenário incerto e assustador, chegam excelentes notícias, de que a esperada vacina finalmente está pronta. Uma, não! Várias! Mas, inacreditavelmente, a imunização em massa dos brasileiros parece ameaçada por uma mistura de birra política, minimização do problema e incapacidade gerencial.

O presidente Jair Bolsonaro não esconde que quer deixar de lado a Coronav, vacina desenvolvida na China, por acreditar que isso beneficiaria o governador João Doria, seu desafeto político. Além disso, vê inimigos imaginários: acredita que a pandemia é um complô comunista para dominar o mundo.

No início da pandemia, Bolsonaro minimizou a gravidade da pandemia. Pensava ser apenas “uma gripezinha” e considerava exagerada a estimativa de o Brasil ter mais de 100 mil mortos pela doença. Não seguiu e desestimulou o necessário distanciamento social. Defendeu o uso de medicamentos comprovadamente ineficazes. Segundo a agência de verificação de informações Aos Fatos, em 700 dias de governo, Bolsonaro deu 2 mil declarações falsas ou distorcidas, boa parte relacionadas ao novo coronavírus. Twitter, Instagram e Facebook já apagaram diversas publicações de Bolsonaro, por conterem mentiras.

No recém-lançado livro “Um paciente chamado Brasil”, o ex-ministro Henrique Mandetta relata que Bolsonaro não demonstrava interesse em falar sobre o assunto: “Era sempre ‘agora não dá’, ‘outra hora você passa’.” Mandetta conta que, em diversas reuniões, Bolsonaro deixou claro que acreditava que a China tinha “inventado” a pandemia e o embaixador chinês Yang Wanming tinha a missão de tirá-lo do cargo.
 

Um general que dá tiros no pé

Escolhido para ser ministro da Saúde por suposta capacidade de lidar com questões de logística, o general Eduardo Pazuello comete vários erros no combate à pandemia. Ironicamente, ele próprio ficou internado por causa da doença, a qual classificou como “complicada”.

Além de deixar cerca de 7 milhões de testes sob risco de estragarem no Aeroporto do Rio de Janeiro, Pazuello até o momento não demonstrou ter um plano para compra e distribuição dos insumos para a vacinação em massa (seringas, por exemplo). 

Apesar da agora variedade de opções de vacina, cada uma com suas particularidades, o ministro já anunciou que trabalha com “no máximo, três opções de vacina”. 

Pazuello deixou claro que descarta a Coronav, por uma razão estritamente politiqueira, e a Pfizer/BioNTech, devido à necessidade de ser armazenada em baixíssima temperatura. Infelizmente, ele desconhece que o Brasil vai precisar comprar de vários fornecedores, e não de apenas um, devido à capacidade de produção dos laboratórios e também da grande procura pelas doses — o mundo inteiro quer a vacina.
 

 

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Mais de cem grupos de cientistas participaram de uma verdadeira corrida contra o tempo, na busca de uma solução para o problema. Cinco delas estão prontas para uso: 

 

1) Sputnik 5

Embora seja acusada pelos concorrentes de “queimar etapas” na pesquisa, a vacina desenvolvida pelo laboratório estatal russo, o Gamaleya, passou por todos os testes e é considerada segura e eficiente. Mais de 100 mil russos já foram vacinados e a imunização em massa começa neste sábado (5). Fundado em 1886, o Galameya é um dos maiores e mais modernos desenvolvedores de vacinas e antídotos: no auge da Guerra Fria, temendo ataques químicos ou biológicos, a então União Soviética investiu pesado neste centro de pesquisa. A virologia (ramo da ciência que se dedica a estudar vírus) nasceu a partir dos estudos de Nicolai Gamaleya.

 

2) Coronavac

O laboratório Sinovac chegou à vacina usando os métodos mais tradicionais de pesquisa, baseada no uso de uma versão inativada do vírus. Todas as etapas de testes foram concluídas. Na China, mais de 350 mil pessoas já foram imunizadas. A experiência da China é secular —não à toa, é chamada de Medicina Tradicional Chinesa. O país produz centenas de tipos de vacinas ou insumos para sua produção e os exporta para todo o mundo. Na quinta-feira (3), chegou a São Paulo um carregamento com 600 litros a granel da Coronav, o correspondente a um milhão de doses. No total, serão 46 milhões de doses, sendo 6 milhões já prontas para aplicação e 40 milhões em forma de matéria-prima para produção, envase e rotulagem do Instituto Butantan. O governador João Doria estima que a vacinação deve ser iniciada no mês que vem.

 

3) Moderna

A vacina desenvolvida pela empresa criada há apenas 10 anos utiliza métodos revolucionários, a partir do RNA mensageiro. A vacina para o Covid-19 será a primeira a ser comercializada pela empresa e a primeira a utilizar esta tecnologia. O governo dos Estados Unidos já investiu US$ 1 bilhão no desenvolvimento e testagem da Moderna. A empresa já foi criticada por não submeter suas pesquisas à análise de outros cientistas. 

 

4) Pfizer/BioNTech

A gigantesca empresa americana do setor farmacêutico se aliou à alemã para desenvolver uma vacina que já foi aprovada pelas autoridades de saúde do Reino Unido. Mas um ponto negativo é a necessidade de as doses serem armazenadas em superfreezers, capazes de manter a temperatura de 75 graus abaixo de zero. A Pfizer assegura que possui um plano logístico detalhado para o transporte e armazenamento necessários, acrescentando que já firmou acordos de compra com Chile, Peru, México, Panamá e Costa Rica, entre outros países.

 

5) AZD1222

Desenvolvida pela Universidade de Oxford, em parceria com o laboratório anglo-sueco AstraZeneca, esta vacina revelou-se segura, eficiente e bom custo. Por conta de um acordo de encomenda tecnológica com o governo federal, no valor de R$ 1,99 bilhão, as vacinas serão produzidas no Brasil, pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). A previsão é serem produzidas 210 milhões de doses até o fim de 2021.