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Ministro atribui índices de suicídio entre jovens à falta de propósitos

10/09/2020 Da Redação
Ministro atribui índices de suicídio entre jovens à falta de propósitos | Jornal da Orla

No Dia Mundial de Prevenção do Suicídio, lembrado nesta quinta-feira (10), o ministro da Educação, Milton Ribeiro, atribuiu o problema no Brasil ao fato dos adolescentes terem perdido “todas as certezas”. “A grande moda dos sociólogos e dos filósofos, e de algumas correntes políticas hoje, é destruir tudo, é desconstruir tudo. Mas o pior é que não se coloca nada no lugar, deixam um vazio”, criticou. 

 

A declaração foi dada durante o evento do Ministério da Saúde para lançar as Ações de Educação em Saúde em Defesa da Vida.

 

Ainda segundo Ribeiro, jovens e adolescentes perdem a motivação e vivem sem propósitos, o que os leva a tirar a própria vida. “Temos hoje no Brasil, no meu diagnóstico, por essa quebra de absolutos e certezas, verdadeiros zumbis existenciais, não acreditam mais em nada: Deus, política. Eles não têm nenhuma motivação”, disse, acrescentando que esse estado de coisas faz parte de “pedagogias equivocadas”.

 

Pandemia
O ministro interino da Saúde, Eduardo Pazuello, voltou a destacar as quatro ondas que estão ligadas à pandemia da covid-19. Além da primeira, ligada ao contágio da doença, ele lembrou que a segunda onda tem a ver com mortes causadas por doenças não tratadas, aumentando a possibilidade de mortes, seguida de outra, que tem a ver com o aumento da violência doméstica.

 

“A quarta onda está baseada no que estamos tratando hoje, depressão, automutilação e suicídio, já está acontecendo como resultado da pandemia. Se não tratarmos, perderemos mais pessoas para a pandemia”, alertou. 

 

O ministro interino reconheceu que muitas doenças foram “deixadas de lado” pelo fato dos recursos do ministério terem sido concentrados em ações para combater a pandemia do novo coronavírus (covid-19).

 

Setembro Amarelo
A partir da campanha Setembro Amarelo, voltada para conscientização e prevenção ao suicídio, uma série de atividades educativas, itinerantes e online contemplam a realização de quatro ciclos de promoção e prevenção em saúde. 

 

No primeiro ciclo, as ações estão voltadas à prevenção do suicídio e da automutilação. As atividades incluem cursos a distância, encontros, palestras e elaboração de materiais para ampliar o atendimento em saúde, a formação nas escolas e nas comunidades. O objetivo é qualificar o conhecimento de profissionais da área, conselheiros tutelares, professores, líderes sociais, religiosos e de entidades beneficentes, para que eles sejam multiplicadores da prevenção.

 

Nos próximos meses serão  abordados mais três assuntos de forma inédita: gravidez na adolescência; uso de drogas lícitas e ilícitas e ética da vida (relacionada à prevenção da violência contra crianças, mulheres e idosos). 

 

Os temas foram escolhidos por terem indicadores negativos no Brasil.