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Com número de casos em alta, combate à pandemia no Brasil fica entregue à mão divina

13/06/2020 Da Redação
Com número de casos em alta, combate à pandemia no Brasil fica entregue à mão divina | Jornal da Orla

Ao mesmo tempo em que os números de infectados e mortos pela Covid-19 no Brasil aceleram em velocidade de Fórmula 1, ultrapassando os resultados de outros países, governadores e prefeitos anunciam medidas de flexibilização do distanciamento social. 

A medida, diga-se a verdade, vem ao encontro do que desejam empresários, trabalhadores e boa parte da população —que não aguenta mais ficar em casa. 

Para embasar esta decisão de permitir o retorno parcial da atividade econômica, os gestores públicos recorrem a dados concretos: velocidade do aumento no número de casos, oferta de leitos hospitalares etc. No entanto, há uma variável praticamente impossível de ser medida, mas que é decisiva para definir se o avanço da pandemia será contido ou se estabelecerá o caos: o comprometimento dos cidadãos em adotar um comportamento responsável. 

As notícias que chegam são as piores possíveis: aglomerações em ruas, transporte coletivo, estabelecimentos comerciais…

Caso este comportamento persista, o número de vítimas será assustador e as medidas de restrição deverão ser retomadas. Entre reabrir e fechar de novo, mil cairão ao teu lado e dez mil à tua direita. Mas tu não serás atingido?

 

Prefeito de Santos pede consciência à população
Em entrevista ao programa Marco Zero, do Orla TV (o canal online do Jornal da Orla na internet), o prefeito de Santos, Paulo Alexandre Barbosa, garante que a flexibilização das atividades em Santos está sendo feita de maneira extremamente responsável, até mais rigorosamente do que em outras cidades. “Os shoppings permanecem fechados”, exemplificou. “Sempre fomos mais restritivos e rigorosos do que outros municípios. Hotéis e igrejas ficaram fechados, interditamos as praias”, completou.

Barbosa afirmou que as restrições foram feitas para permitir que o poder público se preparasse para não deixar ninguém sem atendimento. “Santos fez a lição de casa, abrimos novos leitos, fiscalizamos o fechamento das atividades, estamos testando a população. Um teste para cada 10 habitantes, 10% da população, poucas cidades no mundo fizeram isso. O índice de testagem é maior do que o da Alemanha, da Espanha e Estados Unidos”, explicou. “A pandemia está sendo tratada com muita seriedade e responsabilidade”.

 

Flexibilização responsável
O prefeito argumentou que a economia não pode ficar paralisada eternamente, mas o que vai definir o ritmo da retomada são os índices de saúde. “A vida é prioridade”.

Estamos há 5 semanas com indicadores estável ou em queda, Esta retomada vai muito lenta. “Eu não quero ver em Santos o mesmo que aconteceu na reabertura de um shopping center em São Vicente. Está fora de cogitação. Vamos discutir protocolos com os responsáveis para que os shoppings possam reabrir. A segurança tem que ser para os clientes, os lojistas e com prioridade para quem vai ficar com a barriga no balcão, que são os funcionários”.

A responsabilidade é compartilhada, entre o poder público e a sociedade. A população tem que fazer a sua lição de casa. Barbosa pondera que não haverá fiscalização capaz de conter os abusos se não houver comprometimento da população. “O maior fiscal é o cidadão, não vamos ter um guarda municipal por habitante para explicar que precisa usar máscara”, disse. O prefeito acrescentou que aumentou as multas para cidadão que não usar máscara e para o estabelecimento que não exibir seu uso em suas dependências, para, respectivamente, R$ 200 e R$ 3 mil. 

“Não dá para pensar que é a Prefeitura que vai colocar a cidade na fase amarela, essa responsabilidade é também da população, é uma lição de casa conjunta. A maioria está respeitando, mas que não respeita prejudica a todos. 

 

Ano letivo
Em relação ao retorno das aulas, o prefeito afirma diz estar adotando todas as medidas para salvar o ano letivo. “Estamos usando plataformas digitais e vamos fazer materiais impressos. Nossa previsão é de que a partir do mês que vem teremos novidades. Não dá para cravar, vai depender se os números da pandemia ficarem estáveis. Temos que ter prudência neste retorno”. 

Incentivos fiscais
Barbosa afirmou que os pequenos empreendedores receberão incentivos nos tributos municipais. “Estamos aguardando o comportamento da arrecadação para saber o tamanho destes incentivos. A retomada da economia não será imediata, mas esperamos que as receitas municipais, pelo menos, parem de cair. Se isso acontecer, já é um bom sinal. Temos 30% de queda na arrecadação e, ao mesmo tempo, um aumento exponencial de despesas, UTIs, testes, remuneração de pessoal”.

 

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