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Não há ambiente para flexibilizar restrições

02/05/2020 Da Redação
Não há ambiente para flexibilizar restrições | Jornal da Orla

É natural que as pessoas se sintam incomodadas pelas mudanças na rotina provocadas pela necessidade de se manter em isolamento social. No entanto, insistir em se rebelar contra a realidade é um raciocínio infantil, típico de criança birrenta que não quer ser contrariada.

Pesquisas indicam que a população santista é favorável ao isolamento social: 53,8% apoiam a manutenção da quarentena, segundo levantamento da Enfoque; e 52,5% dos santistas concordam que a população deve ficar em casa, de acordo com o Instituto de Pesquisas A Tribuna (IPAT). Porém, ao que tudo indica, as pessoas não praticam o que falam. Prova disso é o aumento do número de pessoas e veículos nas ruas da cidade. Domingo passado (26), por exemplo, imperou o clima de férias. O calçadão da Nova Ponta da Praia, por exemplo, ficou lotado. Na terça-feira, o Índice de isolamento Social, medido pelo Governo do Estado, era de 47%, quando o desejável é ao menos 70%.

Apesar da pressão de diversos segmentos da sociedade, principalmente comerciantes, a Prefeitura anunciou que não vai flexibilizar as medidas de isolamento social.  “80% dos leitos de UTI na Baixada Santista estão ocupados, em algumas cidades estão 100%”, argumenta o prefeito Paulo alexandre Barbosa. 

O governador do Estado, João Doria, já avisou que, caso os índices de isolamento não reduzam, as medidas de restrição serão ampliadas, como a proibição do trânsito em determinadas vidas das cidades—a tendência é os municípios da Baixada Santista adotarem medidas similares.

A conta é muito simples de entender: Santos possui 320 vagas de UTI (218 pelo Sistema Único de Saúde e 102 particulares). Em condições normais, sem a pandemia do novo coronavírus, a taxa de ocupação destes leitos é quase que total: vítimas de acidentes de trânsito, ataques cardíacos, AVCs etc. 

Caso uma grande quantidade de pessoas contraiam o Covid-19 e necessitem de atendimento intensivo, não haverá vaga para todos e os pacientes simplesmente vão morrer. 

 

Esta semana, o número de internações de pacientes com síndromes respiratórias agudas graves teve pequena redução, de 2,7%, e a taxa de ocupação de UTI também caiu, de 63 para 61. No entanto, o resultado positivo deve ser observado com reservas, pois ele reflete o comportamento da população diante da doença duas semanas atrás. Assim, os reflexos deste relaxamento das pessoas só serão revelados daqui a duas semanas. 

Máscaras
O uso de máscaras, mesmo as produzidas caseiramente, é uma medida eficaz para evitar a contaminação pelo novo coronavírus; Só ela não basta pois o vírus pode ser transmitido no contato com superfícies como balcões, botões de elevadore e maçanetas. Desde sexta-feira (1º) está em vigor um decreto que obriga as pessoas a usarem máscaras, sob pena de multa. Mas as pessoas precisam ter responsabilidade social e usá-la, para evitar que elas mesmas fiquem doentes, ou que transmitam o vírus para as pessoas de seu círculo de relacionamentos ou mesmo desconhecidos.

 

Mortos

 

 

Confirmados

 

Leitos de UTI ocupados (em %)

 

Eles subestimaram a ameaça do coronavírus

Em 26 de fevereiro, começou na Itália a campanha #Milão não para, com apoio do prefeito local. Exatamente um mês depois, diante da explosão de mortes por Covid19, o mesmo prefeito, Giuseppe Sala, veio a público pedir perdão e suplicou: “fiquem em casa”.

 

No início de março, o primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, minimizou o perigo do novo coronavírus e até trocou apertos de mão em visita a um hospital. Uma semana depois, já falava que a pandemia era a pior crise de saúde pública em uma geração”. No dia 6 de abril, ele próprio foi parar na UTI, com Covid-19, e quase morreu. Entre ele esnobar o perigo e determinar medidas governamentais contra a doença, 1960 pessoas ficaram doentes. 

 


Em 2 de março, quando foi confirmado o primeiro caso de covid-19 em Nova York, o governador Andrew Cuomo não deu muita importância e disse que a cidade possuía “o melhor sistema de saúde do planeta”. Até 29 de abril, foram registrados 165 mil casos (12.744 destes resultaram em mortes). O número de corpos era tão grande que foram abertas valas comuns.

 


Em 12 de março, o apresentador de TV Sikera, do Amazonas, falou que pedir para as pessoas ficarem em casa era “hipocrisia” e coisa de “Maria vai com as outras”. No dia 23 de abril, ele reapareceu em seu programa, de casa, informando que estava com Covid-19 e pediu aos telespectadores: “Fiquem em casa”. Entre uma transmissão e outra, morreram em Manaus 350 pessoas vítimas do novo coronavírus.

 

No dia 20 de abril, a primeira-ministra da Alemanha, Angela Merkel, decide flexibilizar as regras de isolamento social, mas após uma semana, devido ao aumento do número de casos de Covid-19, resolve retomar (e em alguns casos acentuar) as restrições à circulação de pessoas e funcionamento de comércios. 

6. No domingo passado (26), algumas dezenas de pessoas participam de uma carreata pela avenida da orla reivindicando a reabertura do comércio. Muitas delas estavam sem máscaras.