Dentista faz campanha de financiamento para produzir viseiras doadas aos profissionais da saúde

A pandemia de Covid-19 pode reduzir os estoques de equipamentos de proteção individual (EPIs) usados por profissionais da saúde de todo o mundo. No Brasil esta é uma realidade que já se avizinha. Em entrevista coletiva na quarta-feira (1º), o ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta alertou para o fato de que o país pode ficar, em breve, sem EPIs, devido a uma quebra de contrato por parte de empresários chineses, que deixaram de atender o governo brasileiro para atender outras nações. Será necessário, explicou Mandetta, criatividade.
Aqui em Santos, a dentista Rose Marques saiu na frente. A partir dos equipamentos que usa em seus atendimentos, junto com sua equipe criou uma viseira que protege o rosto contra gotículas – fundamental para os profissionais que precisam lidar diretamente com pacientes suspeitos ou infectados pelo novo coronavírus. Nesta entrevista, ela conta como surgiu a ideia de criar este EPI, o processo de fabricação e a campanha de financiamento para a produção novas viseiras – ela, sua equipe e um grupo de amigos já confeccionaram e distribuíram mais de 4 mil unidades para hospitais e UPAs da Baixada Santista.
Jornal da Orla – Como essa viseira é produzida e qual o tempo que a senhora levou para desenvolver este projeto?
Rose Marques – A ideia surgiu quando uma médica pediu a viseira que uso para trabalhar, que eu trouxe da Alemanha. É um protetor conjugado a um óculos. Eu perguntei quantos ela precisava, ela respondeu: "400". Eu só tinha um, mas lembrei que eu tinha refis do acetato e sugeri que ela os colasse no óculos de segurança com esparadrapo. Depois liguei para uma enfermeira, que é minha paciente, e perguntei se ela também precisava. Então, fui a uma loja de materiais e comprei 140 óculos e mais acetato em uma papelaria. O meu funcionário teve a ideia de fazer perfurações na lateral dos óculos e prender o acetado com uma fita Hellerman. Vários amigos se uniram para comprar o acetato em rolo, que deu pra fazer quase 4 mil óculos. Hoje já temos cinco "fábricas" e mandamos para vários hospitais e UPAs da Baixada Santista.
JO- Como ela ajudará os profissionais da saúde?
Rose Marques – Essa viseira é um escudo para ser usado por cima da máscara. Ele impede a gotícula. Por isso que nós, dentistas, trabalhamos com ela. Dá uma proteção 100% eficaz porque protege os olhos, nariz e a boca, mucosas de entrada do vírus no corpo humano.
JO – Quais hospitais a senhora distribuiu a viseira? Há previsão de produzir mais?
Rose Marques – Nossa previsão é atingir a meta de, pelo menos, 10 mil. Por isso, estamos fazendo uma vaquinha virtual. Cada óculos custa em torno de R$ 5,70. Os óculos estão em falta no mercado. A gente começou comprando a R$ 3,50 e o preço foi subindo. Ainda tem o custo do acetato e das fitas. Chega a quase R$ 7 por unidade. Então, criamos a vaquinha para atingir a meta de comprar e distribuir 10 mil protetores para os nossos profissionais da saúde.



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