
A arquiteta e professora Jaqueline Fernandez Alves, ao lado dos também arquitetos Demontier Meireles Vasconcelos e Amanda Guerra, fizeram uma grande descoberta na manhã desta quarta-feira (12), nas paredes do velho casarão sede do Instituto Histórico e Geográfico de Santos, situado à Avenida Conselheiro Nébias, 689, em Santos.
Utilizando técnicas estratigráficas, eles encontraram alguns resquícios de pintura artística no imóvel histórico, trazendo à luz as cores originais internas da casa.

O casarão sede do IHGS foi construído em 1886, ainda no tempo do Império Brasileiro, e é considerada a edificação mais antiga de Santos fora da área do velho Centro Histórico. "Não há nenhuma estrutura arquitetônica mais antiga do que a casa do Instituto Histórico e Geográfico de Santos na região da orla praiana. Este imóvel é o único remanescente das antigas chácaras da Barra, como era conhecida a região. Por isso sua importância cultural para a cidade. Nossa meta é restaurar integralmente este casarão, devolvendo o glamour que tinha quando foi construído, e torná-lo um pólo difusor das memórias da cidade, um Museu Histórico, moderno, interativo, espaço dedicado ao compartilhamento de conhecimentos históricos e culturais", explica entusiasmadamente o presidente da instituição, o jornalista Sergio Willians.
"A descoberta dessas pinturas artísticas só reforça o ideal para a recuperação do imóvel. Este lugar merece ser resgatado, para que todos os santistas e visitantes possam contemplá-lo, e ao mesmo tempo aprender tudo sobre nossa rica história”.
Diante da descoberta, o Instituto Histórico e Geográfico de Santos deve preparar um projeto executivo de restauro interno, com vistas a resgatar sua ambiência artística. Segundo Sergio Willians, entretanto, a idéia é ir além, promovendo o restauro completo do imóvel, incluindo a recuperação do telhado, a implantação de acessibilidade, recuperação de alvenarias, pisos, banheiros e do entorno.
Será ainda incluída no plano a criação de um espaço gastronômico no imóvel, que terá como missão servir de pólo atrativo para as ações educativo-culturais do Instituto. “Para levantarmos esses fundos, temos alguns caminhos, entre eles a venda do potencial construtivo do terreno, que é tombado pelo patrimônio histórico; a formatação de projetos em leis de incentivo e uma campanha de arrecadação que se lastreará na construção de um grande painel artístico em mosaico, que deverá levar a assinatura de um nome internacionalmente conhecido das artes plásticas. Estamos trabalhando firme para alcançar os nossos objetivos, todos no sentido de criarmos o nosso espaço dedicado à memória de Santos e região” .

A estratigrafia
A professora Jaqueline, que é voluntária neste trabalho de prospecção, disse que já desconfiava da existência de pintura artística no imóvel, muito parecida com a que existe no casarão da Pinacoteca Benedicto Calixto (que é de 1900), quatorze anos mais novo que o casarão do IHGS.
“O que fizemos aqui foi abrir algumas janelas, prospectando a possibilidade de encontrar a pintura artística. Em uma análise inicial podemos notar que existem algumas camadas de pintura sob a atual existente, e que há pintura artística no salão principal, justificando a possibilidade de descobrir e recuperar o original”, analisa. Os arquitetos que estiveram no trabalho abriram algumas “janelas didáticas”, expediente que denota o valor histórico dos registros temporais da casa. “Isso agrega valor cultural e provoca a memória afetiva desse lugar!”, enfatiza a arquiteta.

Fotos: Divulgação



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