
Após anos de espera e reivindicações das mulheres e dos movimentos feministas da Baixada Santista, a Delegacia de Defesa da Mulher de Santos finalmente vai passar a funcionar 24 horas. O lançamento do novo horário acontece nesta terça-feira (26), na sede da DDM (Rua Assis Corrêa, 50, Gonzaga), com a presença do secretário estadual de Segurança Pública general João Camilo Pires de Campos.
Desde fevereiro, a SSP e a Prefeitura de Santos trabalhavam para a adaptação do atendimento. Com essa unidade, o estado de SP passa a contar com oito Delegacias de Defesa da Mulher funcionando 24 horas, sendo cinco na Capital.
Antiga reivindicação
A reivindicação das mulheres pelo funcionamento da DDM de Santos por 24h é tão antiga que chega a ser histórica. Para a coordenadora do grupo feminista Promotoras Legais Populares (PLPs), Eugenia Lisboa, a mudança de horário é positiva.
"Isso é extremamente importante, porque se uma mulher agredida, num final de semana ou mesmo durante a noite, deixa a denúncia para o dia seguinte, ela desanima, pode ser desestimulada pela família e pelo agressor. Mulheres são agredidas 24 horas e não só em horário comercial".
Eugenia ressalta que há despreparo no atendimento às mulheres vítimas de violência no momento em que elas chegam às delegacias para denunciar seus agressores. "Outras delegacias existem. Mas as mulheres são atendidas por homens, que questionam o que você fez para ser agredida e também o seu direito de fazer a denúncia", explica.
Para a doutora em Ciências Sociais, Dida Dias, em se tratando de violência contra a mulher, somente a ampliação do horário da delegacia não é suficiente.
"Nós precisamos de outros equipamentos, como uma Casa Abrigo, que não deveria ser na mesma cidade, e um local de acolhimento, onde a mulher possa chegar com calma e ser bem recebida por um conjunto interdisciplinar de profissionais, com assistentes sociais, psicólogas, terapeutas ocupacionais, advogadas. Todas em condições de atender essa mulher, porque, às vezes, ela só precisa saber que o que acontece com ela não é problema dela e, sim, dessa sociedade patriarcal machista e do companheiro que está a ameaçando".
Dida, que também atua no Coletivo Feminista Classista Maria vai com as outras, ressalta a importância do atendimento humanizado às vítimas. "Não adianta ter esses equipamentos se os profissionais não estiverem capacitados a contento. É importante que as profissionais sejam mulheres, mas só isso não basta. É necessário que haja empatia para receber as mulheres e saber que quem passa por situação de violência não é responsável por ser estuprada ou apanhar, e sim, é parte mais fragilizada nesta sociedade", conclui.



Deixe um comentário