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Operação Paraguai

29/12/2018 Jornal da Orla
Operação Paraguai | Jornal da Orla

As explicações do motorista Fabrício Queiroz, em entrevista ao SBT, lembram a Operação Uruguai, o esquema elaborado para tentar livrar o então presidente Fernando Collor do impeachment. Em 1992, o secretário particular dele, Cláudio Vieira, bolou uma operação mirabolante que envia um empréstimo no Uruguai, ouro e dólares na tentativa de explicar a origem do dinheiro que Collor usava para pagar despesas pessoais. 

Agora, o Queiroz quer convencer a todos que “fez dinheiro” comprando e vendendo carros —num volume e velocidade de dar inveja ao mais competente vendedor de concessionária. 

 

Sob pressão
Do ponto de vista formal, os Bolsonaro (o pai presidente e o filho senador) não poderão ser investigados por fatos ocorridos por fatos anteriores ao mandato que assumem em 2019 (Jair, na terça-feira (1º); Flávio em 1º de feveireiro).

Mas politicamente, Jair Bolsonaro já começa o governo sob pressão —da oposição, dos parlamentares e até mesmo pela ala militar do governo. Existe a desconfiança de que Bolsonaro, que pautou a campanha no combate à corrupção, seja mais do mesmo: um político tradicional, que mete a mão até onde o braço alcança.

 

Início decisivo
Os primeiros seis meses serão decisivos para Bolsonaro. Ele precisa dar sinalizações importantes em temas como reforma da Previdência, equilíbrio das contas públicas e combate ao crime (principalmente corrupção). Neste desafio, dois super-ministros serão fundamentais: Paulo Guedes, da Economia, e Sérgio Moro, da Justiça. Ambos gozam de expectativas positivas de boa parte da população. Mas jogo é jogo, e treino é treino. Se decepcionarem, o baque no governo será gigantesco.