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Bruno Covas na cadeira do avô

25/08/2018 Jornal da Orla
Bruno Covas na cadeira do avô | Jornal da Orla

Aos 38 anos de idade, Bruno Covas assumiu a Prefeitura de São Paulo com a missão de governar a cidade por 33 meses, por coincidência, mesmo período em que seu avô, Mário Covas foi prefeito. Talvez seja mais que coincidência, afinal a política está no DNA da família Covas, e Bruno, ainda garotinho, já acompanhava o avô em eventos públicos.

 

Os Covas são mesmo apaixonados por política. Para falar sobre a missão de dirigir uma das maiores cidades do mundo, revelar suas prioridades e, claro, falar também sobre o efervescente momento político atual, Bruno Covas recebeu o Jornal da Orla em seu gabinete.

 

Jornal da Orla –  Prefeito, como tem sido a experiência de administrar uma das maiores cidades do planeta?
Bruno Covas –
Para quem gosta de política, nada melhor do que ser prefeito, porque o governo municipal é o que tem mais relação com o dia a dia das pessoas. Para quem entra na política para poder mudar a vida das pessoas. É o governo municipal que mais mexe, porque é o governo que  trata da creche, que trata  da UBS, do asfalto, do dia a dia das pessoas… E aqui não são poucas, estamos falando de mais de 12 milhões de pessoas, que dependem de um bom transporte público, do sistema de saúde público, da rede de educação. Temos 950 mil alunos aqui em São Paulo. O que me realiza, pessoalmente, e é um grande desafio. O que não falta em São Paulo são desafios do tamanho, da mesma proporção, que a sua população. 

 

Jornal da Orla – E como tem sido a emoção de ocupar um cargo que foi do seu avô?
Bruno Covas-
Depois de alguns anos, com a renúncia do João Doria, que resolveu ser candidato a governador, eu vou governar a cidade por 33 meses, que foi o mesmo período que ele (Mário Covas) governou, de 83 a 85. É uma alegria muito grande, trabalhar com pessoas que trabalharam com ele, na época da prefeitura e do governo do estado.

Jornal da Orla – Você falou em desafios. Quais são hoje os maiores desafios da cidade?
Bruno Covas-
A mobilidade é um grande desafio. Temos em torno de 15 mil ônibus circulando diariamente, 9,5 milhões de passageiros. um terço dos deslocamentos de carro, um terço dos deslocamentos, a pé. A mobilidade é essencial para melhorar a qualidade de vida do paulistano. Temos outros gargalos, como uma fila imensa de creche; assumimos com 65 mil crianças aguardando vaga em creche. Queremos criar 85 mil vagas até dezembro de 2020… Na saúde é grande a quantidade de pessoas que agora dependem exclusivamente do SUS, em decorrência da crise econômica. São mais de 6,5 milhões de SUS dependentes, que precisam da atenção  básica nas UBS, nos hospitais administrados pela Prefeitura.

 

Jornal da Orla– Como São Paulo pode contribuir para reverter esse quadro de desânimo, descrença? Muita gente pensando ir embora do Brasil, há um descrédito muito grande também com a classe política.
Bruno Covas
–  É claro que essa recessão que a gente vive faz com que hoje na grande São Paulo a gente tenha mais de 2,5 milhões de desempregados. Embora o cenário econômico seja atribuição do governo federal, a prefeitura vem trabalhando para melhorar a situação do paulistano e da paulistana, e em  especial a mulher jovem de periferia, que é a mais afetada  por essa situação de grande desemprego. Isso com capacitação, com frentes de trabalho e, principalmente, fazendo de São Paulo uma referência em tecnologia. A gente quer, cada vez mais, mostrar que São Paulo, além, de referência em empreendedorismo. é também referência em tecnologia. Visitei recentemente  Londres, que é a grande  capital tecnológica da Europa, na abertura da London Tech Week. E a gente quer ter esse mesmo tipo de ação com fomentas start-ups; a prefeitura quer facilitar  a vida do empreendedor e, em especial, do empreendedor digital.

 

Jornal da Orla – Neste momento o Brasil tem que definir seu futuro. Durante a semana, saíram pesquisas indicando o favoritismo de Lula da Silva, que hoje está preso por corrupção e lavagem de dinheiro, mas continua bem à frente. Se pudesse disputar as eleições, seria o favorito. A que você atribui isso? 
Bruno Covas –
As pessoas comparam a recessão que o pais vive a momentos anteriores. A gente está numa situação bem pior. O nível de desesperança é muito alto. As pessoas ainda veem o presidente Lula como alguém que poderia  recuperar o pais, quando, na verdade, o pais chegou onde chegou exatamente por esses 13 anos de PT, de Lula e Dilma, no governo federal. Nossa intenção é mostrar não apenas as más escolhas que foram feitas, que resultaram nessa crise, mas demonstrar  também que, apesar dos índices terem se deteriorado no Brasil, houve  uma melhora significativa de vários indicadores aqui no estado de São Paulo. Por exemplo, a quantidade de homicídios: enquanto o Brasil inteiro teve um aumento, aqui houve um decréscimo. Porque teve um governo sério, competente, com 14 anos administrado pelo governador Geraldo Alckmin. É exatamente esse tipo de gestão que a gente quer levar para o governo federal, para recuperar nossa credibilidade no cenário internacional e o equilíbrio das contas públicas. 

 

Jornal da Orla – Em relação à corrupção. Como é que você vê a operação Lava Jato?
Bruno Covas-
A operação Lava Jato está ajudando a passar a limpo o país, mas eu não sou daqueles que comemoram a prisão do Lula. Não fico feliz, mas a prisão do Lula é uma simbologia muito forte, mostrando que pouco importa a sua popularidade, pouco importa a sua importância, o seu rendimento. Se você infringiu a lei, vai cumprir pena, sofrer as sanções previstas na legislação. A Lava Jato é um grande marco na história da política brasileira. Sou muito favorável, espero que a gente possa aprender várias lições e poder, principalmente neste momento, fazer a grande operação Lava Jato, que quem tem o poder é a população. A população agora vai decidir quem continua a fazer política e quem vai para casa.

Jornal da Orla – Como é que você vê o futuro do Brasil?
Bruno Covas
– Sou muito esperançoso, acredito muito que a gente pode melhorar a situação. Estou muito esperançoso na vitória do nosso candidato, Geraldo Alckmin, uma pessoa séria, competente. Enfim, acho que aqui na cidade de São Paulo a gente tem tudo para ter quatro anos de boa administração, juntando governos municipal, estadual e federal. A população ganha quando tem essa somatória de governos na mesma linha. O Brasil, quem sabe, pode voltar a ser a bola da vez, como teve em alguns momentos passados, mas não soube aproveitar a oportunidade.
 


Bate-bola

Time de futebol- Santos, não tem a menor dúvida
Sonho- Melhorar a vida das pessoas, é para isso que eu faço política 
Hobbie- O tempo livre que eu consigo eu passo com o meu filho
Livro- Li agora dois livros excelentes sobre a história da cidade de São Paulo: “A capital da vertigem” e “A capital da solidão”.
Um filme- Eu gosto muito do” O poderoso chefão 1,2 e 3”
Ídolo- Ah, essa é fácil. né? Meu avô, Mario Covas.


Confira o vídeo da entrevista na Orla TV