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Crimes contra o Brasil

09/12/2017 Da Redação

Em meio à mais grave crise econômica da história recente do país, o Banco Central voltou a promover uma nova redução na taxa de juros, que caiu de 7,5% para 7%, menor patamar registrado. O objetivo é estimular a recuperação da economia, após dois anos de profunda recessão, que deixou cerca de 13 milhões de trabalhadores desempregados.

O BC está adotando uma política correta, já que a inflação está controlada e também atinge seu menor índice – 2,8% em 12 meses, bem abaixo do centro da meta, de 4,5%, estabelecida pelo governo. Infelizmente, no entanto, os principais bancos brasileiros trabalham contra os interesses da Nação.

As taxas de juros praticadas pelo bancos são as mais elevadas do planeta. No cheque especial, chegam a 13,53% ao mês, quase cinco vezes a inflação anual. Isso representa uma brutal transferência de renda dos trabalhadores e da classe média para um setor recheado de privilégios.

O que está em andamento é um dos maiores crimes que se pode praticar contra uma Nação. Não são juros extorsivos, são um verdadeiro assalto contra micro, pequenos e médios empresários e trabalhadores que necessitam de um empréstimo para movimentar seus negócios ou pagar contas inadiáveis.

Nos anos 1960, juros de 3% a 5% ao mês eram considerados crimes de usura e levavam os agiotas à cadeia. Hoje os bancos assaltam os clientes sob o pretexto de que a inadimplência é elevada. Pura falácia, haja vista que poderiam criar o critério de bom pagador, oferecendo empréstimos a juros decentes para quem honra seus compromissos.

O mais inacreditável é que não existe um único órgão de defesa do consumidor que questione esse assalto deliberado. Do Congresso não se pode esperar nada mesmo, mas o Ministério Público poderia tentar acabar com essa farra. Afinal, o STF discute até se o cidadão poder levar sua própria pipoca ao cinema, mas não é provocado para debater e acabar com esse crime de lesa pátria.

Sinal dos tempos.