
A investida da ministra dos Direitos Humanos, Luislinda Valois, que queria acumular sua aposentadoria como desembargadora (R$ 30,1 mil) com o salário de ministra (R$ 30,9 mil) é um descalabro por si, mas traz à luz uma situação escandalosa, reinante para poucos afortunados: aposentadorias de dezenas de milhares de reais, num país onde 66% dos aposentados ganham um salário mínimo e se discute a aprovação de uma reforma na Previdência que, na prática, vai fazer as pessoas morrerem sem conseguir se aposentar.
Igual ao da ativa
Enquanto o pobre mortal que trabalhou na iniciativa privada vê sem rendimento se achatar assim que se aposenta, funcionários públicos ganham o último salário da ativa.
A situação é gritante no Poder Judiciário. Na ativa, além do salário-base, magistrados recebem uma série de penduricalhos (auxílio-moradia, auxílio-transporte, auxílio-saúde, auxílio-livro etc), que os permite levar até R$ 145 mil num único mês. E não é exceção, mas regra: no Brasil, três de cada quatro juízes recebem, mensalmente, acima do teto constitucional, por causa das tais "verbas indenizatórias".
Quando se aposentam, passam a receber, "apenas", o salário de um ministro do STF – cerca de R$ 33 mil.
Quem trabalhou a vida inteira numa empresa privada ou trabalhou por conta própria recebe no máximo R$ 5,18 mil reais, mesmo que tenho ganho valor mensal muito superior enquanto estava na ativa.
O cúmulo do acúmulo
Outro ministro de Temer, Eliseu Padilha (Casa Civil) também quis acumular a aposentadoria como ex-deputado federal (R$ 19,4 mil) com o salário da ativa (R$ 30,9 mil). Descoberto, em novembro do ano passado, passou a abrir mão do valor acima do teto constitucional.
Óleo de peroba
É este governo, o de Temer, o mais impopular da história, que deseja fazer “reforma” da Previdência.



Deixe um comentário