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Raquel Dodge tem uma bifurcação à sua frente

01/07/2017 Jornal da Orla
Raquel Dodge tem uma bifurcação à sua frente | Jornal da Orla

Em 2010, o então poderoso  José Dirceu perguntou ao na época ministro do Superior Tribunal de Justiça Luiz Fux como ele se comportaria no processo do Mensalão, caso fosse escolhido para ser ministro do Supremo Tribunal Federal (SFT). “Essa eu mato no peito”, disse a Dirceu, que era réu, dando a entender que absolveria geral.

O tempo passou, Fux foi para o STF com a bênção de Dirceu, e condenou geral — Dirceu e diversos outros petistas. 

A lembrança desta história vem bem a calhar, no momento em que o presidente Michel Temer escolheu Raquel Dodge para ser a procuradora-geral da República. Não se sabe se houve conversa semelhante à travada entre Fux e Dirceu, mas o dado concreto é que Dodge agora tem o desafio de preservar a sua biografia.

A suspeita é que a preferência de Temer por ela seria uma tentativa de frear o ímpeto da Lava Jato, de um modo geral, e as acusações contra o presidente, especificamente. 

Porém, a trajetória de Raquel Dodge como procuradora da República sempre foi marcada pelo incansável combate à corrupção. Diversos juristas são categóricos em afirmar que ela não tem perfil para ser uma “engavetadora-geral” — diferente de Geraldo Brindeiro, procurador-geral da República quando o presidente era Fernando Henrique Cardoso. Naquela época, nem denúncia de compra de votos pela reeleição com réu confesso foi adiante.

O futuro próximo irá responder se Dodge acelera no combate à corrupção ou atropela a própria biografia.

 

Queimado e reprovado, Aécio volta ao Senado

“Eu sempre acreditei na Justiça do meu país”, afirmou o senador mineiro Aécio Neves (PSDB), depois que o ministro do STF, Marco Aurélio Mello, garantiu sua liberdade e a volta ao Parlamento. Infelizmente os brasileiros de bem não podem dizer o mesmo. A cada dia que passa a Justiça do Brasil mostra mais generosidade com bandidos de colarinho branco.

Aécio Neves ficou mais sujo que pau de galinheiro, depois que o país tomou conhecimento de suas pilantragens e de sua boca suja.Ele responde a vários inquéritos e, se não for salvo por juízes do STF, como Marco Aurélio, pode pegar alguns anos de cadeia.
 

Um dia a casa cai
Por enquanto Aécio está livre, leve e solto por ordem de Marco Aurélio, o polêmico ministro do STF que gosta de testar a paciência dos brasileiros. Um dia a casa cai.
Aécio Neves volta ao Senado,  mas a última pesquisa de opinião indica que ele é desaprovado por 91% dos brasileiros; só 2% confiam nele. E, claro, o ministro Marco Aurélio.
 

Porto funcionava sem licença
Mais um atestado de que o Brasil é o país do inacreditável foi dado nesta sexta-feira (30), quando a Codesp organizou uma cerimônia, com toda pompa e circunstância, para comemorar que recebeu, do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (Ibama), uma Licença de Operação (LO). 

É isso mesmo: o maior complexo portuário da América Latina não tinha autorização para operar. 
O Porto de Santos sempre funcionou ilegalmente até que, em 2004, o Ibama cobrou a regularização. A LO saiu só agora, em abril, e ainda capenga: o órgão, que também é federal, cobra da Codesp a adoção de 25 programas especiais de acompanhamento, mas apenas 13 estão em execução. Os demais, só Deus sabe…

 

115 cilindros explosivos abandonados
Pode parecer implicância ou chatice ambiental a exigência da Licença de Operação (LO), mas um episódio recente demonstra como as coisas são bagunçadas no Porto de Santos. Este mês, “descobriu-se” que havia 115 cilindros com material explosivo abandonados no Armazém 11 do cais. 

Estão lá há 20 anos, mas só se soube da existência deles porque o secretário de meio ambiente de Guarujá, Sidney Aranha, denunciou que a Codesp queria se livrar do material queimando-o na Base Aérea de Santos, que fica em Guarujá, mas há o risco de haver explosões ou vazamento de gases tóxicos.

O impasse continua e até agora ninguém sabe o que fazer com os cilindros explosivos.  Em tempo: para dar um destino seguro aos cilindros, a Codesp fez um contrato emergencial, sem licitação, no valor de R$ 672,7 mil.

 

Audiência pública em Brasília sobre as autoridades portuárias

O futuro das companhias docas e das autoridades portuárias no Brasil é o tema da audiência pública que acontece na terça-feira (4), na Câmara dos Deputados, atendendo pedido do deputado federal João Paulo Papa (PSDB). “Recentemente, surgiram notícias de que o governo pretende privatizar a Companhia Docas do Espírito Santo (Codesa)”, explica. Segundo ele, uma das finalidades do encontro é esclarecer as questões que surgiram. “O objetivo é avançar, unindo portuários, operadores, entidades e poder público no esclarecimento das iniciativas e na construção de soluções coletivas para o setor portuário”.

Entre os debatedores do encontro estará o presidente da Federação Nacional dos Operadores Portuários (Fenop), Sérgio Aquino, que assina a coluna “Perimetral”, no Jornal da Orla.