Antigamente, utilizava-se a tática de “colocar o bode na sala” quando se queria forçar uma situação. Criava-se o incômodo, para ao retirar o animal fedorento, mostrar que a situação havia melhorado. O presidente Michel Temer criou uma nova estratégia: a de apresentar uma solução ruim e mantê-la.
Exemplo impecável da manobra é a indicação do presidente Michel Temer para o Supremo Tribunal Federal (STF). O que muitos achavam ser o uso da antiga tática (apresentar uma solução ruim para depois trocá-la por uma “menos pior”) revelou-se uma inovação: anteriormente, ele havia cogitado o jurista Ives Gandra Filho, um homem de ideias medievais. Quando todos achavam que Temer indicaria uma pessoa mais adequada ao cargo, eis que tira da cartola outro bode: Alexandre de Moraes.
Em resumo, tirou um bode da sala para colocar outro.A nomeação é dada como praticamente certa, porque depende basicamente da aprovação do Senado, onde Temer tem amplo apoio. Tudo bem que boa parte dos envolvidos, incluído o presidente, são investigados na Operação Lava Jato, processo que Alexandre de Moraes será o revisor. Muitos acreditam que, com isso, a Lava Jato corre riscos. A conferir.
Na tese de doutorado que apresentou em 2000, Alexandre de Moraes defendeu que fosse proibido uma pessoa que ocupou cargo de confiança “durante o mandato do presidente da República em exercício” ser indicada para o STF, para se evitar “demonstração de gratidão política”. Justamente o caso dele agora.
Linha do tempo
De 2007 a 2010, Alexandre de Moraes acumulou, na capital paulista, os comandos da CET, da SPTrans (órgão que fiscalizava as vans), e da Secretaria de Transportes. Em janeiro de 2011, passou a defender, em 123 processos, a Transcooper (que operava o sistema de vans e foi apontada pela polícia como um braço do PCC para lavar dinheiro). Em 2014, assumiu a Secretaria de Segurança Pública. Em 12 de maio de 2016, a polícia paulista, comandada por Moraes, prendeu Silvonei José de Jesus Souza, que hackeou o telefone celular de Marcela Temer (esposa do presidente), surrupiou fotos, áudio e chantageava para não divulgar o material. No dia seguinte à prisão, Moraes foi convidado para ser ministro da Justiça.
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