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O governo do fim do mundo

31/12/2016 Jornal da Orla
O governo do fim do mundo | Jornal da Orla
“O que você faria se só lhe restasse um dia?”. A questão, proposta por Paulinho Moska em música, dá uma pista sobre o modus operandi do governo Temer. Quer implementar, com uma pressa desesperadora, medidas que trarão impactos profundos e duradouros na vida do brasileiro – propostas que não foram apresentadas ao eleitor, nem por Dilma, Aécio ou qualquer outro candidato a presidente, em 2014.
 
A lista é imensa: reformas na Previdência, nas Leis Trabalhistas, no ensino médio, no SUS, nas regras da exploração das reservas do pré-sal; engessamento dos gastos por 20 anos; perdão a invasores de terras da União; doação de patrimônio público a empresas de telefonia; redução de reservas ambientais e indígenas…
 
São medidas irreversíveis, concebidas por um governo provisório.
 
Temer e companhia querem aprovar tudo a toque de caixa, como se não houvesse amanhã. Tudo por meio de decretos, medidas provisórias, votações-relâmpago no Legislativo, na calada da noite… Tipo “vamos mudar antes que percebam”. Ou: “vamos mudar enquanto ainda estamos no poder”.
 
A quem interessa tanta pressa?

Orçamento santista será de R$ 2,69 bi

A estimativa de gastos da Prefeitura para 2017 é de R$ 2,69 bilhões, 5,7% maior do que o orçamento do ano passado (R$ 2,55 bi). A Lei Orçamentária Anual foi aprovada pela Câmara, com 220 emendas.
 
Este número é resultado de uma conta complexa, feita pelos técnicos da Prefeitura, considerando o peso da inflação no período e a expectativa de arrecadação de tributos – levando em conta a pressão da crise econômica, que inibe a atividade produtiva.
 
As despesas com Saúde terão um crescimento de 16% e as com Educação, 4,9%. “Teremos um ano desafiador para a Cidade devido aos efeitos da crise econômica. Vamos executar as ações previstas com ponderação e destaque para a Assistência Social, Saúde e Educação”, diz o prefeito Paulo Alexandre Barbosa.
 
Ele ressaltou que, este ano, a Prefeitura arrecadou menos do que o previsto no fim de 2015. “Só com ICMS e ISS, perdemos cerca de R$150 milhões, ou seja, entre 7% e 8% do que era esperado”, explica.

FHC em Cubatão

O prefeito eleito de Cubatão, Ademário Oliveira (PSDB) diz que vai trabalhar apenas com FHC. Calma, não é o ex-presidente da República, ídolo máximo dos tucanos. “Busquei pessoas que também preenchessem os requisitos FHC – Fidelidade, Honestidade e Competência – para enfrentar a crise financeira da Prefeitura”, declarou, ao anunciar os nomes que vão compor seu secretariado.
 
Malabarismos verbais de gosto duvidoso à parte, Ademário dá uma sinalização positiva, com medidas de redução de despesas. O número de secretarias será reduzido,  de 23 para 16, sendo que haverá secretário acumulando até três pastas. Além disso, ele irá congelar a nomeação de cargos de confiança durante 100 dias, O que produzirá uma economia de R$ 2 milhões. “Dos atuais 168, decidimos preencher no máximo 30% deles”, explicou Ademário.

Autoridades de trânsito surdas

Diversos leitores fizeram coro à nota publicada semana passada neste espaço, sobre os motoqueiros boçais que, com suas motocas de escapamento “esportivo”, perturbam o sossego alheio e, evidentemente, infringem o Código Brasileiro de Trânsito e o Código de Posturas do Município.
 
“Estes boçais praticam seu desvio às 2, 3 ou 4 da madrugada, não importando a quem prejudiquem. A PM e a CET já se mostraram incompetentes para evitar este tipo de desvio mental e de respeito aos demais cidadãos ou, até, coniventes”, reclamou o leitor Nicola Granato.
 
Já Sérgio Silveira acrescenta que a ação dos babacas ocorre também próxima a hospitais, como o Infantil Gonzaga. E reclama da resposta da Polícia Militar às cartas publicadas no diário “A Tribuna”: “um lacônico pronunciamento de que não chegou nenhuma queixa formal”. Francamente… 
 
É o tipo de situação que as autoridades responsáveis pelo trânsito não precisam ser provocadas para agir. Basta apenas que PMs e agentes da CET, tão diligentes em multar motoristas em outras situações, não sejam surdos.